[R-P] La Petrobras, está en las manos de los EUA?
Susana Lischinsky
lischinsky en uol.com.br
Vie Mayo 26 06:25:45 MDT 2006
Para variar, estoy con muy poco tiempo y sin condiciones de participar más
en la lista. Este artículo tiene algunas informaciones sobre la situación de
la Petrobras que pueden ayudar a ver mejor toda la discusión con Bolivia. Y
evaluar la situación de Lula. El autor es economista y marxista.
Apesar de FH, povo brasileiro garantiu o controle estatal sobre a Petrobrás
(*)NILSON ARAÚJO DE SOUZA
Neste ano, a Petrobrás está comemorando com pompa e gala, como é de direito,
a conquista nacional da auto-suficiência do petróleo. A esta altura, cabe
relembrar que, depois da sua fundação por Getúlio Vargas, em 1953, um
relatório produzido por um engenheiro estadunidense, um certo Mr. Link,
havia "concluído" que no Brasil não havia petróleo. Era um serviço que
prestava às transnacionais petrolíferas. Como a prospecção e a exploração
desse importante recurso natural haviam sido reservadas a uma empresa
estatal brasileira, não interessava às "7 irmãs" que se descobrisse petróleo
no Brasil.
No entanto, depois de muito esforço dos brasileiros e muitos recursos
públicos investidos, estamos hoje perto de dois milhões de barris produzidos
por dia, garantindo o abastecimento nacional. Nestes 50 anos de existência,
a Petrobrás formou um corpo técnico entre os melhores do mundo, sendo a
campeã mundial em tecnologia de prospecção e extração de petróleo em águas
profundas. Por essa razão, já ganhou duas vezes o prêmio mundial da
categoria. O domínio público sobre o setor, que antes estava na lei 2004,
relatada pelo saudoso Euzébio Rocha, foi erigido a status constitucional em
1988, depois de intensa articulação liderada por Barbosa Lima Sobrinho e da
votação favorável de 441 parlamentares e apenas 6 contrários e 7 abstenções.
PRIVATIZAÇÃO
Ironicamente, Fernando Henrique, cujo pai fora o presidente da campanha d'
"O petróleo é nosso" em São Paulo, quase jogou pela janela esse esforço que
agora se coroa com a auto-suficiência. Ao mandar para o Congresso Nacional a
Proposta de Emenda Constitucional (transformada depois na lei 9478/97) que
quebrava o domínio público sobre o petróleo, que era exercido pela União
através da Petrobrás, pretendia "privatizar" - isto é, doar - a empresa
petrolífera, como fez com a Companhia Vale do Rio Doce, o sistema Telebrás,
boa parte do setor energético. No entanto, o então relator da PEC no Senado,
senador Ronaldo Cunha Lima, respaldado pelo partido majoritário no
Congresso, o PMDB, declarou que só faria um relatório favorável à quebra do
domínio público sobre o petróleo se a Petrobrás não fosse "privatizada" e
desnacionalizada. Ou seja, ele só concordava em abrir o setor para outras
empresas se o domínio estatal sobre a Petrobrás fosse mantido.
Não fosse isso, o Estado brasileiro, que perdeu o domínio sobre parte das
reservas de petróleo do País, teria também perdido o controle sobre a
Petrobrás naquela época. Sob pressão da sociedade brasileira e do Congresso
Nacional, Fernando Henrique comprometeu-se, através de carta enviada ao
Senado Federal, a não "privatizar" a empresa. Só assim, conseguiria seu
intento de aprovar no Congresso a quebra do domínio público sobre o
petróleo.
Entretanto, se dependesse dele, teria passado por cima desse compromisso.
Fez tudo o que seu governo pôde fazer para diminuir o peso da União nas
ações da Petrobrás. FHC mudou o estatuto da empresa em 1999 e, com base
nessa mudança, a dividiu em 40 unidades de negócios, que transformaria em
subsidiárias para serem "privatizadas". Felizmente, seu candidato
presidencial perdeu as eleições e o governo Lula suspendeu o processo de
"privatização". Mas FHC, também com base nessa mudança estatutária, que fora
exigida pelo FMI, ainda conseguiu vender a grupos estrangeiros, diretamente
na bolsa de Nova Iorque (os chamados ADRs - American Deposit Receipts) ou na
Bovespa, 39,5% das ações da empresa; desse total, 15,8% correspondiam a
ações ordinárias (com direito a voto), que faziam parte dos 20% que
"excediam" o total das ações com direito a voto que garantiam o controle da
empresa pela União.
Depois disso, 39,5% das ações da Petrobrás passaram diretamente para mãos
estrangeiras e outros 20,6% para mãos de empresas e pessoas físicas
brasileiras, boa parte delas podendo ser testas-de-ferro de grupos
estrangeiros, dando um total de 60,1% fora do controle do Estado brasileiro.
Continuam 39,9% em mãos do governo brasileiro, aí incluindo a participação
do BNDESpar (empresas de participações do BNDES), que detém 7,6%. Mas esse
peso de acionistas privados na empresa se deve à sua maior participação nas
ações preferenciais, sem direito a voto (ver tabela 2). Destas, o capital
estrangeiro participa diretamente de 52,4% do valor total, enquanto as
demais pessoas físicas e jurídicas controlam 32,1%, cabendo ao governo
federal, através do BNDESpar, 15,5% (ver tabela 2).
Mas, apesar dessa farra feita pelo governo de Fernando Henrique, a Petrobrás
segue sob controle acionário do governo brasileiro, ou seja, segue sendo uma
empresa estatal de economia mista. Pela legislação que regula o mercado de
ações, o que define o controle acionário é a posse de 50% mais uma ação com
direito a voto, isto é, das ações ordinárias. No caso da empresa petrolífera
brasileira, o governo brasileiro detém 57,6% dessas ações (sendo 55,7%
pertencentes à União e 1,9% ao BNDESpar). Das ações com direito a voto, os
grupos estrangeiros possuem diretamente 30,2% e demais pessoas físicas e
jurídicas, 12,2% (ver tabela ). Detendo o controle acionário, o governo
brasileiro não apenas nomeia os dirigentes da empresa, como também
estabelece sua política, ou seja, é o governo brasileiro quem manda na
Petrobrás (ver tabela 1).
AMÉRICA LATINA
É evidente que o fato de possuir um importante peso nas ações com direito a
voto da Petrobrás e de contar com 60,1% do conjunto do seu capital social
permite ao capital privado, em sua maioria estrangeiro, pressionar para que
a empresa, em suas definições, adote critérios puramente empresariais, isto
é, que garantam o lucro máximo e, de preferência, o envie para as matrizes
dessas transnacionais. Mas a última palavra, isto é, a decisão final sempre
cabe ao governo, enquanto acionista majoritário, e este, obviamente,
respaldará suas decisões nas suas posições estratégicas. Entre as posições
estratégicas do atual governo, que, aliás, reproduz o que se encontra na
Constituição brasileira, está a integração da América Latina. A Petrobrás é,
cabe relembrar, um dos principais instrumentos do atual governo nesse
processo de integração, haja vista a decisão de construir em Recife, em
conjunto com a PDVSA, da Venezuela, a Refinaria Abreu e Lima, além do
projeto, já aprovado, do gasoduto do sul, que beneficiará a praticamente
todos os países da América do Sul.
Não há, portanto, qualquer fundamento nas "informações" veiculadas por certo
tipo de imprensa, tanto na Bolívia quanto no Brasil, de que as
multinacionais e não o Estado brasileiro é que detêm "o controle da
Petrobrás". Tais "informações" são meras manipulações que visam intrigar
nossos países, para dificultar a integração sul-americana.
Na realidade, a luta do povo brasileiro e a resistência do corpo técnico da
Petrobrás venceram uma batalha estratégica, ao conseguir manter o controle
estatal sobre a empresa, ao longo dos negros anos de FH. A luta para
recuperar o terreno perdido e avançar rumo a novas conquistas no setor
passou a se dar sobre terreno favorável graças a essa vitória. Tergiversar
sobre ela é papel que cabe sob medida apenas aos manipuladores.
* Economista. Presidente Instituto Dante Pellacani.
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