[R-P] [Una opinión muy dura] Brasil, Argentina, Venezuela e Fox

Nestor Gorojovsky nestorgoro en fibertel.com.ar
Jue Jul 15 07:41:49 MDT 2004


Subject:        	Fw: Brasil, Argentina, Venezuela e Fox 
Date sent:      	Wed, 14 Jul 2004 22:26:42 -0300

BRASIL, ARGENTINA, VENEZUELA E FOX
 
Laerte Braga

         "O objetivo é cortar o ar. Um soco bem dado no fígado e o 
cara não levanta de jeito nenhum. Vai precisar de oxigênio".  A 
declaração foi feita por Joe Louis depois de nocautear um dos seus 
adversários, dos muitos que enfrentou nos 11 anos em que foi campeão 
mundial dos pesos pesados. Provou do veneno quando, já decadente, 
enfrentou Rock Marciano.

         A onda contra o MERCOSUL por conta das restrições argentinas 
a eletro-domésticos brasileiros, a carros e as exigências de 
empresários daquele país de novas barreiras sobre outros produtos, 
põe a prova a política do presidente Lula de promover a integração 
dos países sul-americanos fora do contexto da ALCA.

         O presidente Fox do México, estado norte-americano ao sul do 
Texas, não  veio ao Brasil por outro motivo. Veio cumprir missão de 
Washington, assim como quem diz a Lula: "viu esse argentino é 
complicado. Além dar um calote ainda arruma essas dificuldades 
todas".

         O problema é de simples entendimento: não se constrói 
unidade em torno do mercado. Qualquer que seja a opção, nesse 
contexto, sempre vão ganhar os grandes, no caso os Estados Unidos e a 
União Européia.

         Os europeus querem que o Brasil adote uma série de medidas 
para obter supostas vantagens nos negócios com o bloco. Dentre elas, 
a privatização dos serviços de correios.

         Uma outra comparação: João Saldanha dizia que o campo de 
futebol é um retângulo e quando você joga sem pontas você diminui o 
tamanho do campo, concentra no miolo, embola, vai daí que não sai 
gol, só por sorte, pura sorte. 

         A encruzilhada do governo Lula não se situa no problema 
argentino. É de opção por tentar contornar o modelo sem sair de 
dentro dele. Pequeno e dominado por Palocci et caterva, embolou o 
jogo todo.

         Quando um político como Fox vem em cheio de boa vontade, 
buscando aliviar a situação, ou criar perspectivas para novos 
negócios, está apenas introduzindo um baita cavalo de Tróia. Tudo 
combinadinho com o esquema Bush. Se fosse Kerry não seria diferente. 
Só a embalagem.

         O que está em jogo é bem mais sério.

         Está plantada a discussão da ALCA, da qual Lula nunca 
conseguiu fugir, só jogar para um canto, momentaneamente. Em forma de 
armadilha. 

         Não é nem o caso de analisar o papel cumprido por Kirchner.

         Não existe opção por uma política de integração real e 
efetiva dos países sul-americanos, que inclua Cuba, único 
independente da América Central. Não existe proposta de modelo 
alternativo. De ruptura.

         Qualquer leigo sabe que a dívida externa é impagável. Seguir 
a política ditada pelo FMI é suicídio. Essa conversa de vamos enrolar 
os gringos é só conversa, nada mais. Os gringos sempre enrolam a 
gente.

         Lutar no campo do adversário, com as regras do adversário, 
um adversário poderoso, a maior potência econômica e militar do 
mundo. Acreditar que a Comunidade Européia vá ser a porta de saída 
para fustigar o gigante e ficar livre dele.

         Isso é coisa de criança. 

         O governo Lula está enredado na própria incapacidade de 
formular políticas que signifiquem mudanças efetivas. Para as quais, 
aliás, foi eleito. É só por isso que enfrenta a maior onda de 
descrédito desde que tomou posse.

         Há um fato chave na América do Sul. O referendo do dia 15 de 
agosto na Venezuela. Se as pesquisas dão um norte, a vitória do 
presidente Chávez, a experiência recomenda cautela. Vigilância. A 
fraude é sempre uma realidade quando os EUA têm interesses. 

         Quando nos tribunais se diz "o povo contra fulano", nesse 
momento se diz os povos da América Latina por Chávez e contra os 
Estados Unidos. O que os norte-americanos representam e significam.

         É só olhar a Colômbia.

         Ou o Iraque. Ou o Afeganistão. Ou o Paquistão. É só olhar 
para trás, o Vietnã, a Nicarágua. Ou para a frente, se o governo 
Chávez for derrubado na esteira da farsa democrática.

         Se Lula tem noção disso, não fala. Se não tem, a vaca, 
definitivamente, foi para o brejo.

         Sem contar que o assunto Argentina está em mãos de Luís 
Fernando Furlan, funcionário do mês da Bolsa de New York e, não por 
acaso, ministro de Lula.

         Para o conjunto de forças populares que luta por um projeto 
diverso do de Lula, do de Kirchner, o fato mais importante neste 
momento é o referendo na Venezuela.

         Fox, Lula, Kirchner, sob esse ângulo, são fases 
desagradáveis no processo. Só isso. E desagradável é ser educado.  Um 
Chávez vale dez de qualquer um dos três. Um Fidel então nem se fala. 

Néstor Miguel Gorojovsky
nestorgoro en fibertel.com.ar

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"Sí, una sola debe ser la patria de los sudamericanos".
Simón Bolívar al gobierno secesionista y disgregador de 
Buenos Aires, 1822
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