[R-P] Fw: GT MACROECONOMIA REDE BRASIL Focalizacao de programas sociais e enfase no ajuste fiscal, em vez do externo, sao principais alvosRES: URGENTE: VersaoTextoparaRevisao
Ceci Vieira Jurua
juruacv en montreal.com.br
Mar Abr 22 10:41:57 MDT 2003
Vale mais a pena ler o debate que segue do que criticar o artigo do Petras
que peca pela falta de método, pela falta de conhecimento histórico, e pelo
arbítrio na seleção dos fatos.
Ceci.
----- Original Message -----
From: Flavia Barros
Sent: Tuesday, April 22, 2003 11:52 AM
Subject: GT MACROECONOMIA REDE BRASIL: Focalizacao de programas sociais e
enfase no ajuste fiscal, em vez do externo, sao principais alvosRES:
URGENTE: VersaoTextoparaRevisao
----------------------------------------------------
ENTREVISTA DA 2a
MARIA DA CONCEICAO TAVARES
Focalizacao de programas sociais e enfase no ajuste fiscal, em vez do
externo, sao principais alvos
Economista do PT faz criticas a proposta social de Palocci
GABRIELA ATHIAS
DA SUCURSAL DE BRASILIA
Depois que o ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda) divulgou, no ultimo
dia 10, o documento "Politica Economica e Reformas Estruturais", a
economista Maria da Conceicao Tavares, 73, perdeu a calma e mandou as favas
o tom moderado que vinha usando diante da imprensa. "Quase tive um ataque
quando li aquilo."
"Aquilo" e o documento em que a equipe economica, contradizendo argumentos
historicos do PT, atribuiu os problemas da economia brasileira a falta de
ajuste fiscal. A sigla sempre bateu na tecla de que o deficit externo era a
causa das mazelas do pais.
Mas o que fez com que a economista, avessa a entrevistas, falasse a Folha
foi o fato de o documento propor a focalizacao dos programas sociais -pela
qual somente os realmente pobres seriam atendidos. Embora a expressao tenha
sido usada de forma generica, para Tavares, assessores de Palocci tentam
introduzir no governo a ideia de acabar com a universalizacao dos
beneficios sociais.
Antes que a discussao comecasse, ela resolveu colocar a boca no trombone.
Em uma entrevista concedida na ultima sexta-feira, por telefone, chamou o
secretario de Politica Economica, Marcos Lisboa, que ajudou a elaborar o
documento, de "debil mental" e disse que numa reuniao do Conselho de
Desenvolvimento Economico e Social foram apresentadas estatisticas
falsificadas. A seguir, trechos da entrevista.
Folha - Por que o documento divulgado no ultimo dia 10 pela equipe do
ministro Palocci causou mal-estar entre os ministros da area social ao
falar na focalizacao dos programas sociais?
Maria da Conceicao Tavares - Causou mal estar em todo mundo. Nao sou da
area social e estou histerica. Temos politicas universais ha mais de 30
anos. Somos o unico pais da America Latina que tem politicas universais. A
focalizacao foi experimentada e empurrada pelo Banco Mundial na goela de
todos os paises e deu uma cagada. Nao funciona nada. Desmontaram o sistema
de saude publica do Chile, que era o melhor da America Latina, desmontaram
a Previdencia e fizeram fundos de pensao e deu outra cagada, desmontaram o
sistema de ensino publico e foi a mesma coisa.
Ainda fizeram a mesma coisa na Argentina. Chile e Argentina tinham
historicamente os melhores programas de saude e de educacao e cobertura
geral de politicas universais. Desmantelaram e obrigaram a fazer
focalizacao.
Folha - Causa surpresa saber que num governo de esquerda ha eco para esse
tipo de proposta...
Tavares - O eco foi de raiva. Dentro do programa [divulgado pelo Ministerio
da Fazenda] ha gente infiltrada que escreveu uma porcaria chamada Agenda
Perdida [documento escrito pelos economista Jose Alexandre Scheinkman,
Ricardo Paes de Barros e Marcos Lisboa], feita por um grupo de debeis
mentais do Rio de Janeiro. Nao sao tao debeis mentais porque, alem de fazer
a Agenda, montaram um instituto, que e uma ONG, que recebe em torno de US$
250 mil do Banco Mundial para fazer o tal estudo especial para focalizar.
Assim como tivemos a desgraca de, no governo Fernando Henrique Cardoso,
termos os economistas da PUC [Pontificia Universidade Catolica do Rio de
Janeiro] no programa economico, desta vez temos tambem os da Fundacao
Getulio Vargas, e nao apenas infiltrados na area economica. Esse Marcos
Lisboa e um garoto semi-analfabeto que esta encarregado de fazer politica
economica, coisa que ele jamais fez na vida. Quiseram vender a Agenda para
o PMDB, que nao comprou, fizeram o mesmo com o Ciro [Gomes, candidato
derrotado pelo PPS a Presidencia e hoje ministro da Integracao Nacional].
E um espanto que esse grupo de garotos espertos faca com dinheiro publico e
do Banco Mundial uma nova Agenda que proponha para o Brasil -o unico pais
que tem politicas universais em saude, no ensino publico basico e no INSS,
tres redes universais que nunca ninguem conseguiu desmontar- a focalizacao
dos programas sociais.
Folha - Apesar das criticas ao Marcos Lisboa, a politica economica do
governo esta sendo bem-sucedida...
Tavares - O Marcos Lisboa tem 38 anos e foi colega do meu filho na escola.
Foi meu aluno, era um bom menino que adorava fazer modelos matematicos e
adora ate hoje. Isso tem tanto a ver com politica social quanto coisa
nenhuma. E um direito do ministro levar quem quiser para a sua assessoria
economica, mas nao e direito de um assessor palpitar sobre focalizacao e
Agenda Perdida.
Folha - A sra. acredita que esse documento tenha sido feito a revelia do
ministro Palocci?
Tavares - Eu nao acho nada. Sei que quem escreveu o documento foi ele. O
ministro Palocci escolheu para seu assessor economico e do Tesouro [Joaquim
Levy, ex-chefe da assessoria economica do Ministerio do Planejamento no
governo FHC] quem bem entendeu. Nao sao pessoas da confianca do PT e nao
tem nada a ver com o partido. E gente de quem ninguem nunca tinha ouvido
falar. O Marcos Lisboa nao tem a menor experiencia de politica economica.
Ja o ministro e um cara inteligente e tem experiencia. Entao pensei: ele
colocou la uns papalvos [patetas" sem importancia nenhuma porque e esperto
e nao vai ouvir conversa nenhuma. Alem disso, o ministro Palocci conversa
com diversos economistas: do Delfim [Netto, deputado pelo PP -antigo PPB-
de Sao Paulo e ex-ministro da Fazenda] aos tucanos e a nos. O ministro
Palocci fala com todo mundo.
Folha - Defender a focalizacao dos programas sociais e ser liberal?
Tavares - Estive em Sao Paulo [depois da divulgacao do documento" e tive de
ouvir o dr. Delfim Netto defender a Constituinte de 1988, onde estao
consagrados os direitos universais nas tres areas: saude, assistencia
social e Previdencia Social. Isso vinha sendo construido como politicas
universais desde o tempo da ditadura, logo, nao e um problema de ser
conservador. E um problema de ser pateta ou de ma-fe. E esse pessoal esta
tentando dar as redeas da politica social do governo.
E evidente que os ministros da area social estao possessos, mas nao vao
armar uma briga com o ministro Palocci, a quem terei o prazer de, assim que
for a Brasilia, ir visitar para perguntar o que e aquilo. Como um documento
da Fazenda fala sobre focalizacao?
Folha - Ha algum outro aspecto que a sra. critica no documento?
Tavares - Ele desmente o diagnostico de todos os economistas bons desse
pais que colocaram no estrangulamento externo, no aumento dos passivos
externos que o doutor Fernando Henrique nos deixou, os problemas da
economia. Diz que nao e nada disso e que o problema na verdade e que o
governo passado nao fez o ajuste fiscal, que tal? Um garoto falando contra
o ponto de vista de todos os grandes empresarios e economistas como Delfim
Netto, [Luiz Carlos] Mendonca de Barros, do Jose Serra, do Luiz Carlos
Bresser Pereira, do Yoshiaki Nakano, de Campinas inteiro... Se ha
unanimidade no diagnostico economico e que temos um problema de
estrangulamento externo. E isso que nos faz tolerar a habilidade politica
do ministro Palocci em contornar uma situacao que, em setembro, era
ruinosa.
Folha - Apesar do que a senhora fala de Marcos Lisboa, a taxa de cambio
recuou, a inflacao da sinais de queda...
Tavares - O garoto nao faz politica economica. Quem faz e o ministro, o
presidente do Banco Central, a diretoria do BC e aquele garoto do Tesouro
[Joaquim Levy], e nao aquele menino [Lisboa], que nao tem a menor condicao
de fazer politica economica por nao ter experiencia. O que ele faz sao os
documentos, aquela babaquice que o Consenso de Washington quer que a gente
aplique.
Ele que faca os documentos que quiser. Diga-se de passagem que o
diagnostico [contido no documento "Politica Economica e Reformas
Estruturais"] e a gargalhada do Delfim e de todo mundo porque revela a mais
profunda ignorancia...
Folha - A politica economica do ministro Palocci esta correta?
Maria da Conceicao - Ate aqui, sim. Agora vai complicar por causa do
cambio.
Folha - O cambio deve ser controlado?
Tavares - Nao acho nada. Se nem o presidente do FED [banco central
norte-americano], Alan Greenspan, sabe o que fazer com a taxa de cambio
dele, como, diabo, voce quer que eu diga o que vai acontecer com o cambio?
Acho apenas que deixar entrar capital morte subita [especulativo e de curto
prazo], como diz o Delfim, ou capital pirata, os US$ 5 bilhoes, ajuda a
revalorizar. Mas depois teremos outro ataque, que foi o que aconteceu no
governo Fernando Henrique. Nesse sentido, essa politica economica e a mesma
que a anterior e nao deu bom resultado. Politica cambial e a coisa mais
dificil porque o BC, nao tendo reservas, nao tem raio de manobra para fazer
politica cambial. Logo, eu nao estou criticando. Apenas digo que, se essa
politica durar muito, como diz o proprio presidente Lula, e ruim porque
prejudica a retomada do crescimento, a substituicao de importacoes, as
exportacoes. Nao tenho atacado nem o ministro Palocci nem o presidente do
BC. Agora, os debeis mentais que ele tem de assessor, se nao escrevessem
nada ou ficassem calados, eu tambem nao atacaria.
Folha - Ha pontos corretos no documento: ate hoje nao reduzimos a
desigualdade de renda, e nossos programas sociais nao combateram a pobreza.
Tavares - Nao e verdade. A Previdencia e a Loas [Lei Organica de
Assistencia Social, que preve o pagamento de aposentadoria a deficientes e
para idosos com mais de 65 anos com renda per capita da familia ate R$ 25]
sao os maiores programas de transferencia de renda da America Latina. Move
nao apenas a economia das pequenas cidades do Nordeste, como as de Sao
Paulo e as do Rio de Janeiro.
Folha - Isso nao muda o fato de que hoje o Brasil investe mais nos velhos
do que nas criancas.
Tavares - Isso e porque o programa de leite e de nutricao do SUS foi
abandonado pelo governo Fernando Henrique.
Folha - Nao ha programa de leite que faca com que um menino que nasceu na
periferia de Sao Paulo quebre o ciclo de pobreza da sua familia...
Tavares - A reducao da mortalidade infantil deve-se a distribuicao de leite
do governo Jose Sarney. Gozado: cai a mortalidade, aumenta a alfabetizacao,
os velhos recebem renda e nao esta funcionando? As estatisticas sociais
apresentadas no Conselho de Desenvolvimento Economico e Social foram
falsificadas. Sao essas coisas que fazem com que a sociedade diga, ha uma
decada, que o servico publico nao funciona, que o Estado e ineficiente e
que tem de focalizar.
Estou discutindo a universalizacao dos indicadores sociais. Para melhorar a
distribuicao de renda vai ser preciso fazer tudo: uma reforma tributaria
progressista, reforma agraria, que os donos de banco paguem imposto etc,
etc.
Yahoo! Groups Sponsor
Querendo sair da lista-adunb, e nao receber mais as mensagens, envie um
mail para:lista-adunb-unsubscribe en yahoogroups.com e, em seguida, esperar
para confirmar respondendo a mensagem automatica do site.
Para participar das discussoes, envie sua mensagem para:
lista-adunb en yahoogroups.com
Para ler mensagens anteriores, visite o site,
http://groups.yahoo.com/group/lista-adunb/
Your use of Yahoo! Groups is subject to the Yahoo! Terms of Service.
************************************************************************
*******
Flavia Barros
Secretaria Executiva
Rede Brasil sobre Instituicoes Financeiras Multilaterais
SCS - QD. 08, Bloco 50, Salas 433 / 441 - Venancio 2.000
CEP: 70.333-970 - Brasilia / DF, Brasil
Tel: + 55 (61) 321.6108 / 226.8093
Fax: + 55 (61) 321.2766
e-mail: flavia.barros en rbrasil.org.br
Homepage: http://www.rbrasil.org.br
----- Mensagem original -----
De: Marcos P.S. Arruda [SMTP:marcos.penna en terra.com.br]
Enviada em: sexta-feira, 18 de abril de 2003 19:05
Para: Adhemar Mineiro; CECI JURUA; Flavia Barros; Ines Patricio; Julio
Miragaya; Marcos Pacs; Marcus Faro; Paulo Passarinho; Pedro Quaresma;
Reinaldo Goncalves; Rose Muraro; Ruth Espinola Soriano S Nunes; Sandra
Quintela
Assunto: URGENTE: VersaoTextoparaRevisao
Amig en s do GT de Politicas Macroeconomicas da RB,
Aqui vai a nova versao do texto que Pedro e eu produzimos, a partir das
sugestoes de Julio e Ceci.
Cabe a voces fazerem comentarios e sugestoes ate 28/4. Na reuniao com
Flavia e Marcus Faro, decidimos pelo prazo maximo de 15/5 para a versao
final. Mas acho que ela ja esta em condicoes de servir para dialogos
restritos, caso haja necessidade urgente. As frases em alaranjado sao para
a aprovacao do Julio, pois modificamos o texto que ele apresentou sobre
Contexto Internacional.
Francamente, estou ansioso para faze-lo circular junto a RB, ao Governo e
ao Congresso. E tambem distribui-lo a imprensa: valeria uma conferencia de
imprensa convocada pela RB em Brasilia para lancar este texto ao publico.
Abracos e boa Pascoa,
Marcos Arruda
PACS
Av. Rio Branco, 277 s/1609
20040-009 Rio de Janeiro
(55) 21 2210 2124
pacs en pacs.org.br
www.redesolidaria.com.br
www.socioeco.org
<< Arquivo: ATT00003.html >> << Arquivo: ACORDO BRASIL-FMI0304.doc >>
Achei que você teria interesse.
Beijos, Gustavo.
----- Original Message -----
From: RM
To: Undisclosed-Recipient:@traven.uol.com.br;
Sent: Monday, April 21, 2003 4:12 PM
Subject: Economista do PT faz críticas à proposta social de Palocci
Ainda bem que ainda há crítica neste país!
RM
----------------------------------------------------
ENTREVISTA DA 2ª
MARIA DA CONCEIÇÃO TAVARES
Focalização de programas sociais e ênfase no ajuste fiscal, em vez do
externo, são principais alvos
Economista do PT faz críticas à proposta social de Palocci
GABRIELA ATHIAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Depois que o ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda) divulgou, no último
dia 10, o documento "Política Econômica e Reformas Estruturais", a
economista Maria da Conceição Tavares, 73, perdeu a calma e mandou às favas
o tom moderado que vinha usando diante da imprensa. "Quase tive um ataque
quando li aquilo."
"Aquilo" é o documento em que a equipe econômica, contradizendo argumentos
históricos do PT, atribuiu os problemas da economia brasileira à falta de
ajuste fiscal. A sigla sempre bateu na tecla de que o déficit externo era a
causa das mazelas do país.
Mas o que fez com que a economista, avessa a entrevistas, falasse à Folha
foi o fato de o documento propor a focalização dos programas sociais -pela
qual somente os realmente pobres seriam atendidos. Embora a expressão tenha
sido usada de forma genérica, para Tavares, assessores de Palocci tentam
introduzir no governo a idéia de acabar com a universalização dos benefícios
sociais.
Antes que a discussão começasse, ela resolveu colocar a boca no trombone. Em
uma entrevista concedida na última sexta-feira, por telefone, chamou o
secretário de Política Econômica, Marcos Lisboa, que ajudou a elaborar o
documento, de "débil mental" e disse que numa reunião do Conselho de
Desenvolvimento Econômico e Social foram apresentadas estatísticas
falsificadas. A seguir, trechos da entrevista.
Folha - Por que o documento divulgado no último dia 10 pela equipe do
ministro Palocci causou mal-estar entre os ministros da área social ao falar
na focalização dos programas sociais?
Maria da Conceição Tavares - Causou mal estar em todo mundo. Não sou da área
social e estou histérica. Temos políticas universais há mais de 30 anos.
Somos o único país da América Latina que tem políticas universais. A
focalização foi experimentada e empurrada pelo Banco Mundial na goela de
todos os países e deu uma cagada. Não funciona nada. Desmontaram o sistema
de saúde pública do Chile, que era o melhor da América Latina, desmontaram a
Previdência e fizeram fundos de pensão e deu outra cagada, desmontaram o
sistema de ensino público e foi a mesma coisa.
Ainda fizeram a mesma coisa na Argentina. Chile e Argentina tinham
historicamente os melhores programas de saúde e de educação e cobertura
geral de políticas universais. Desmantelaram e obrigaram a fazer
focalização.
Folha - Causa surpresa saber que num governo de esquerda há eco para esse
tipo de proposta...
Tavares - O eco foi de raiva. Dentro do programa [divulgado pelo Ministério
da Fazenda] há gente infiltrada que escreveu uma porcaria chamada Agenda
Perdida [documento escrito pelos economista José Alexandre Scheinkman,
Ricardo Paes de Barros e Marcos Lisboa], feita por um grupo de débeis
mentais do Rio de Janeiro. Não são tão débeis mentais porque, além de fazer
a Agenda, montaram um instituto, que é uma ONG, que recebe em torno de US$
250 mil do Banco Mundial para fazer o tal estudo especial para focalizar.
Assim como tivemos a desgraça de, no governo Fernando Henrique Cardoso,
termos os economistas da PUC [Pontifícia Universidade Católica do Rio de
Janeiro] no programa econômico, desta vez temos também os da Fundação
Getúlio Vargas, e não apenas infiltrados na área econômica. Esse Marcos
Lisboa é um garoto semi-analfabeto que está encarregado de fazer política
econômica, coisa que ele jamais fez na vida. Quiseram vender a Agenda para o
PMDB, que não comprou, fizeram o mesmo com o Ciro [Gomes, candidato
derrotado pelo PPS à Presidência e hoje ministro da Integração Nacional].
É um espanto que esse grupo de garotos espertos faça com dinheiro público e
do Banco Mundial uma nova Agenda que proponha para o Brasil -o único país
que tem políticas universais em saúde, no ensino público básico e no INSS,
três redes universais que nunca ninguém conseguiu desmontar- a focalização
dos programas sociais.
Folha - Apesar das críticas ao Marcos Lisboa, a política econômica do
governo está sendo bem-sucedida...
Tavares - O Marcos Lisboa tem 38 anos e foi colega do meu filho na escola.
Foi meu aluno, era um bom menino que adorava fazer modelos matemáticos e
adora até hoje. Isso tem tanto a ver com política social quanto coisa
nenhuma. É um direito do ministro levar quem quiser para a sua assessoria
econômica, mas não é direito de um assessor palpitar sobre focalização e
Agenda Perdida.
Folha - A sra. acredita que esse documento tenha sido feito à revelia do
ministro Palocci?
Tavares - Eu não acho nada. Sei que quem escreveu o documento foi ele. O
ministro Palocci escolheu para seu assessor econômico e do Tesouro [Joaquim
Levy, ex-chefe da assessoria econômica do Ministério do Planejamento no
governo FHC] quem bem entendeu. Não são pessoas da confiança do PT e não têm
nada a ver com o partido. É gente de quem ninguém nunca tinha ouvido falar.
O Marcos Lisboa não tem a menor experiência de política econômica. Já o
ministro é um cara inteligente e tem experiência. Então pensei: ele colocou
lá uns papalvos [patetas" sem importância nenhuma porque é esperto e não vai
ouvir conversa nenhuma. Além disso, o ministro Palocci conversa com diversos
economistas: do Delfim [Netto, deputado pelo PP -antigo PPB- de São Paulo e
ex-ministro da Fazenda] aos tucanos e a nós. O ministro Palocci fala com
todo mundo.
Folha - Defender a focalização dos programas sociais é ser liberal?
Tavares - Estive em São Paulo [depois da divulgação do documento" e tive de
ouvir o dr. Delfim Netto defender a Constituinte de 1988, onde estão
consagrados os direitos universais nas três áreas: saúde, assistência social
e Previdência Social. Isso vinha sendo construído como políticas universais
desde o tempo da ditadura, logo, não é um problema de ser conservador. É um
problema de ser pateta ou de má-fé. E esse pessoal está tentando dar as
rédeas da política social do governo.
É evidente que os ministros da área social estão possessos, mas não vão arma
r uma briga com o ministro Palocci, a quem terei o prazer de, assim que for
a Brasília, ir visitar para perguntar o que é aquilo. Como um documento da
Fazenda fala sobre focalização?
Folha - Há algum outro aspecto que a sra. critica no documento?
Tavares - Ele desmente o diagnóstico de todos os economistas bons desse país
que colocaram no estrangulamento externo, no aumento dos passivos externos
que o doutor Fernando Henrique nos deixou, os problemas da economia. Diz que
não é nada disso e que o problema na verdade é que o governo passado não fez
o ajuste fiscal, que tal? Um garoto falando contra o ponto de vista de todos
os grandes empresários e economistas como Delfim Netto, [Luiz Carlos]
Mendonça de Barros, do José Serra, do Luiz Carlos Bresser Pereira, do
Yoshiaki Nakano, de Campinas inteiro... Se há unanimidade no diagnóstico
econômico é que temos um problema de estrangulamento externo. É isso que nos
faz tolerar a habilidade política do ministro Palocci em contornar uma
situação que, em setembro, era ruinosa.
Folha - Apesar do que a senhora fala de Marcos Lisboa, a taxa de câmbio
recuou, a inflação dá sinais de queda...
Tavares - O garoto não faz política econômica. Quem faz é o ministro, o
presidente do Banco Central, a diretoria do BC e aquele garoto do Tesouro
[Joaquim Levy], e não aquele menino [Lisboa], que não tem a menor condição
de fazer política econômica por não ter experiência. O que ele faz são os
documentos, aquela babaquice que o Consenso de Washington quer que a gente
aplique.
Ele que faça os documentos que quiser. Diga-se de passagem que o diagnóstico
[contido no documento "Política Econômica e Reformas Estruturais"] é a
gargalhada do Delfim e de todo mundo porque revela a mais profunda
ignorância...
Folha - A política econômica do ministro Palocci está correta?
Maria da Conceição - Até aqui, sim. Agora vai complicar por causa do câmbio.
Folha - O câmbio deve ser controlado?
Tavares - Não acho nada. Se nem o presidente do FED [banco central
norte-americano], Alan Greenspan, sabe o que fazer com a taxa de câmbio
dele, como, diabo, você quer que eu diga o que vai acontecer com o câmbio?
Acho apenas que deixar entrar capital morte súbita [especulativo e de curto
prazo], como diz o Delfim, ou capital pirata, os US$ 5 bilhões, ajuda a
revalorizar. Mas depois teremos outro ataque, que foi o que aconteceu no
governo Fernando Henrique. Nesse sentido, essa política econômica é a mesma
que a anterior e não deu bom resultado. Política cambial é a coisa mais
difícil porque o BC, não tendo reservas, não tem raio de manobra para fazer
política cambial. Logo, eu não estou criticando. Apenas digo que, se essa
política durar muito, como diz o próprio presidente Lula, é ruim porque
prejudica a retomada do crescimento, a substituição de importações, as
exportações. Não tenho atacado nem o ministro Palocci nem o presidente do
BC. Agora, os débeis mentais que ele tem de assessor, se não escrevessem
nada ou ficassem calados, eu também não atacaria.
Folha - Há pontos corretos no documento: até hoje não reduzimos a
desigualdade de renda, e nossos programas sociais não combateram a pobreza.
Tavares - Não é verdade. A Previdência e a Loas [Lei Orgânica de Assistência
Social, que prevê o pagamento de aposentadoria a deficientes e para idosos
com mais de 65 anos com renda per capita da família até R$ 25] são os
maiores programas de transferência de renda da América Latina. Move não
apenas a economia das pequenas cidades do Nordeste, como as de São Paulo e
as do Rio de Janeiro.
Folha - Isso não muda o fato de que hoje o Brasil investe mais nos velhos do
que nas crianças.
Tavares - Isso é porque o programa de leite e de nutrição do SUS foi
abandonado pelo governo Fernando Henrique.
Folha - Não há programa de leite que faça com que um menino que nasceu na
periferia de São Paulo quebre o ciclo de pobreza da sua família...
Tavares - A redução da mortalidade infantil deve-se à distribuição de leite
do governo José Sarney. Gozado: cai a mortalidade, aumenta a alfabetização,
os velhos recebem renda e não está funcionando? As estatísticas sociais
apresentadas no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social foram
falsificadas. São essas coisas que fazem com que a sociedade diga, há uma
década, que o serviço público não funciona, que o Estado é ineficiente e que
tem de focalizar.
Estou discutindo a universalização dos indicadores sociais. Para melhorar a
distribuição de renda vai ser preciso fazer tudo: uma reforma tributária
progressista, reforma agrária, que os donos de banco paguem imposto etc,
etc.
Yahoo! Groups Sponsor
Querendo sair da lista-adunb, e não receber mais as mensagens, envie um mail
para:lista-adunb-unsubscribe en yahoogroups.com e, em seguida, esperar para
confirmar respondendo à mensagem automática do site.
Para participar das discussões, envie sua mensagem para:
lista-adunb en yahoogroups.com
Para ler mensagens anteriores, visite o site,
http://groups.yahoo.com/group/lista-adunb/
Your use of Yahoo! Groups is subject to the Yahoo! Terms of Service.
More information about the Reconquista-Popular
mailing list