Fw: [R-P] El antimilitarismo de FHC, Gomes y O Globo
Ceci Vieira Jurua
juruacv en montreal.com.br
Lun Sep 16 07:04:15 MDT 2002
É inacreditável que Ciro e O Globo posam se colocar contra os militares, com
quem conviveram muitíssimo bem durante os 21 anos de vigência do regime
civil-militar. FHC, pelo menos, lutou pela volta das eleições diretas e
atuou nas frentes de redemocratização.
Há autores que julgam que o conflito militares x democracia vem do fato de
que nos períodos chamados democráticos há uma redução dos orçamentos
militares e dos vencimentos deles. Não fiz a pesquisa, nada posso
concluir, é um ponto a pesquisar.
Outros apontam para o fato de que os políticos estão sempre muito expostos
aos interesses estrangeiros e às vantagens que deles decorrem. Enquanto os
militares brasileiros são mais firmes em questões éticas e em temas
vinculados à nação e a soberania. O que, à primeira vista, corresponde à
realidade observada. O que não significa que todos os políticos sejam
capazes de práticas ilícitas nem que todos os militares sejam absolutamente,
corretos. Como em todos os grupos sociais, há exceções, às vezes em grande
número.
Há também notáveis diferenças entre as décadas democráticas de 1950 e a de
1990. Na primeira, havia um movimento de ampliação democrática em todas as
atividades sociais. Na segunda há um retrocesso democrático e a tendência é
de oligarquização, de elitização do poder, em movimento que lembra a
República Velha, antes da revolução de 1930. Esse fato pode ser observado
na composição social do Congresso, onde é grande a presença de empresários e
até de banqueiros ou ex-banqueiros, de representantes do latifúndio e de
personalidades importantes do setor privado. Além disso, tornou-se comum,
nos anos 1990, o enriquecimento dos políticos, em dimensões absolutamente
conflitantes com seus vencimentos. A nova postura e ideologia dos
congressistas, no Brasil, reflete-se na volta de propostas do tipo :
parlamentarismo, voto facultativo, desobrigatoriedade do serviço militar, e
outras. A hipótese que faço é de que a política no Brasil está se
modelando no exemplo norte-americano : um instrumento a serviço da ditadura
do capital.
Uma outra consequência dos fatos que assinalei é a presença cada vez maior
de representantes do setor privado nos cargos públicos, como nos Estados
Unidos. Não se sabe bem como esses cargos são distribuídos, desconfia-se
apenas ... Mas essa prática de leiloar cargos públicos atenta inclusive
contra a Federação e contra a tradição de procurar um equilíbrio do poder
federativo na distribuição dos postos administrativos de comando político.
A independência dos poderes da República também não existe mais, o que traz
graves prejuízos à democracia. Um exemplo, que não é debatido abertamente,
é a prática de deputados e senadores licenciarem-se do Congresso para
exercer funções públicas - sem renunciar ao mandato. Essa prática impede
que o Legislativo atue como fiscalizador do Executivo. Fala-se em "conluio"
dos dois poderes, abertamente.
Enfim, há muitas distorsões no funcionamento de nossas democracias, tornando
imprescindíveis uma profunda reforma política e uma reforma do serviço
público. Temas que se enquadram, é claro, na refundação do Estado. O
problema grande é que poucos acreditam que os detentores atuais do poder
elitizado serão capazes de promover essas reformas.
Esse é um impasse real !
Quanto ao planejamento, FHC defendeu-se com a habitual arrogância : eles,
os meus opositores, não sabem nada, não entendem o funcionamento dos órgãos
públicos. Essa afirmação é fácil de demolir, tantos foram os escândalos
ocorridos nessa década de 1990, tamanho foi o desperdício promovido pelas
chamadas forças do mercado ! Não fossem os eventos ocorridos nos Estados
Unidos, a Enron tornar-se-ia mais importante do que qualquer outro poder no
Brasil, dona do gás, dos gasodutos, das distribuidoras, em sociedade com as
Sete Irmãs, em parcerias com a Petrobrás, com os fundos de pensão, etc.
Com um sistema de planejamento democrático isso jamais ocorreria. E mesmo
com o planejamento não democrático fatos como esse, com essas dimensões, não
ocorreram. A verdade é que os anos 1990 não só desnacionalizaram a
infra-estrutura econômica do Brasil, mas a colocaram sob controle dos
grandes oligopólios e trustes mundiais. E esta me parece, junto com o
desemprego e o empobrecimento da população, a herança mais perversa dos Anos
FHC.
Ceci.
----- Original Message -----
From: Julio Fernández Baraibar <julfb en alternativagratis.com.ar>
To: Lista ReconquistaPopular <reconquista-popular en lists.econ.utah.edu>
Sent: Sunday, September 15, 2002 6:12 PM
Subject: [R-P] El antimilitarismo de FHC, Gomes y O Globo
Más información sobre la lista de distribución Reconquista-Popular