[R-P] Brasil - Argentina
Mario Jose de lima
mjlima en uol.com.br
Jue Oct 31 03:41:01 MST 2002
Brasil e Argentina podem reativar comércio em 2003
Francisco Góes, Do Rio
O comércio Brasil-Argentina poderá ser retomado a partir do segundo semestre
de 2003 depois da paralisação quase total dos negócios neste ano. A
avaliação é de executivos de empresas brasileiras com interesses naquele
país, como Randon, Suzano, Hering e Coteminas. Segundo as empresas, a
recuperação das exportações seria mais rápida para produtos da categoria de
não-duráveis, como os têxteis, e demoraria mais para ser sentida nos bens de
capital.
Os empresários reconhecem, no entanto, que a variável determinante para o
aumento do comércio bilateral será a reativação da economia argentina. Neste
contexto, a assinatura de um acordo com o Fundo Monetário Internacional
(FMI) joga papel importante, acrescenta o economista Fernando Ribeiro da
Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex).
"A recuperação do comércio bilateral se dará primeiro pelo lado das
importações feitas pelo Brasil da Argentina, mas a retomada das exportações
brasileiras para lá deve demorar mais", avalia Ribeiro. De janeiro a
setembro, as vendas do Brasil para a Argentina caíram 60% em relação ao
mesmo período de 2001. Já as importações do mercado argentino recuaram 27%,
acima da queda geral das importações no período, que foi de 17,2%.
O fato de os dois países estarem com câmbio parecido e das fontes de crédito
para comércio darem sinais de restabelecimento são sinais positivos, avaliam
as empresas. Outro ponto importante é a disposição do presidente eleito do
Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, de reforçar o Mercosul, tanto que o
primeiro país a ser visitado por ele será a Argentina. O problema é a
indefinição do cenário político na Argentina.
"Hoje, na Argentina, não se pode fazer previsões além de 60 dias", diz Elói
Rodrigues de Almeida, presidente do Grupo Brasil, entidade que representa os
interesses das empresas brasileiras na Argentina. Ele avalia, porém, que a
tendência é de melhoria da situação, o que é confirmado pelas próprias
empresas.
"A avaliação é de que se chegou ao fundo do poço, e imagina-se que a partir
do segundo semestre de 2003 a Argentina volte a comprar, mas certamente, em
vestuário, será em volumes inferiores aos de antes da crise", diz Ulrich
Kuhn, diretor de mercado internacional da Hering. A empresa, dona de uma das
três marcas brasileiras mais tradicionais do mercado argentino (as outras
são Brahma e Garoto), estuda um retorno ao mercado argentino.
A idéia é fazer dois movimentos: primeiro, a Hering poderá retomar o
abastecimento de hipermercados, como Carrefour e Wal-Mart, para num segundo
momento voltar a investir em uma rede de lojas. Em 1999, a Hering tinha 50
lojas na Argentina, a maioria franqueada. A rede foi reduzida a quatro lojas
em 2001, que terminaram sendo fechadas no início deste ano.
De acordo com Kuhn, a meta da Hering era chegar a 2003 com US$ 10 milhões de
exportações para a Argentina, o que representaria cerca de 35% das
exportações totais da empresa. O plano, definido em meados de 2001, antes da
moratória, foi por água abaixo. "A Argentina, que disputava a liderança das
exportações da empresa com os Estados Unidos, foi um mercado que
desapareceu", diz o executivo.
O diretor-presidente da Coteminas, Josué Gomes da Silva, prevê um 2003
melhor em vendas para a Argentina do que 2002, mas ainda inferior a 2001.
"Talvez voltemos aos patamares de 2001 só em 2004", projeta Silva. Para o
diretor financeiro e de relações com investidores da Ambev, Felipe Dutra,
2003 deverá marcar o início de uma recuperação na economia argentina,
processo que deverá se consolidar no ano seguinte. Segundo o executivo, a
Ambev não foi prejudicada pela crise na região pelo fato de todo seu
comércio ser realizado entre empresas do grupo. As exportações de cerveja
para a Argentina são pontuais, pois o grupo tem produção local da marca
Brahma no mercado argentino. Da Argentina e Uruguai, a Ambev importa malte
para suas fábricas no Brasil.
A Companhia Suzano de Papel e Celulose também manteve sua operação na
Argentina apesar da crise. O grupo controla a Stenfar, empresa distribuidora
que deve faturar entre US$ 12 milhões e US$ 15 milhões neste ano. O diretor
de negócios internacionais da Suzano, Rogério Ziviani, acredita em uma
retomada das exportações para o mercado argentino, sobretudo nos segmentos
de papel para fotocópia e cartão usado como embalagem pela indústria
farmacêutica.
Situação menos confortável vivem as empresas do setor de bens de capital,
como Marcopolo e Randon, que foram levadas a paralisar as atividades de suas
fábricas na Argentina. "A sensação é de que estamos terminando de pagar o
ônus (da crise argentina) e entramos na fase de expectativa do bônus", diz
Astor Milton Schimitt, diretor corporativo da Randon Participações SA.
O grupo é dono da Fras-Le Argentina, fabricante de materiais de fricção, e
da Randon Argentina, que monta e distribui reboques.
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