[R-P] O Outro Brasil Que Vem Aí - Gilberto Freyre
Julio Fernández Baraibar
julfb en ALTERNATIVAGRATIS.COM.AR
Sab Oct 26 22:58:03 MDT 2002
Mañana comienza o outro Brasil que vem aí.
Esta es una vigilia histórica para la patria latinoamericana.
Julio Fernández Baraibar
julfb en sinectis.com.ar
Poema de Gilberto Freire
O Outro Brasil Que Vem Aí
O Outro Brasil que Vem Aí
Eu ouço as vozes
Eu vejo as cores
Eu sinto os passos
De outro Brasil que vem aí
Mais tropical
Mais fraternal
Mais brasileiro.
O Mapa desse Brasil em vez das cores dos Estados
Terá as cores das produções e dos trabalhos.
Os homens desse Brasil em vez das cores das três raças
Terão as cores das procissões e regiões.
As mulheres do Brasil em vez das cores boreais
Terão as cores variamente tropicais.
Todo brasileiro poderá dizer: é assim que eu quero o Brasil,
Todo brasileiro e não apenas o bacharel ou o doutor
O preto, o pardo, o roxo e não apenas o branco e o semibranco.
Qualquer brasileiro poderá governar esse Brasil
Lenhador
Lavrador
Pescador
Vaqueiro
Marinheiro
Funileiro
Carpinteiro
Contanto que seja digno do governo do Brasil
Que tenha olhos para ver pelo Brasil
Ouvidos para ouvir pelo Brasil
Coragem de morrer pelo Brasil
Ânimo de viver pelo Brasil
Mãos para agir pelo Brasil
Mãos de escultor que saibam lidar com o barro forte e novo dos
Brasis
Mãos sem anéis (que os anéis não deixam o homem criar nem
trabalhar)
Mãos livres
Mãos criadoras
Mãos fraternais de todas as cores
Mãos desiguais que trabalhem por um Brasil sem Azeredos,
Sem Irineus
Sem Maurícios de Lacerda.
Sem mãos de jogadores
Nem de especuladores nem de mistificadores.
Mãos todas de trabalhadores,
Pretas, brancas, pardas, roxas, morenas,
De artistas
De escritores
De operários
De lavradores
De pastores
De mães criando filhos
De pais ensinando meninos
De padres benzendo afilhados
De mestres guinando aprendizes
De irmãos ajudando irmãos mais moços
De lavadeiras lavando
De pedreiros edificando
De doutores curando
De cozinheiros cozinhando
De vaqueiros tirando leite de vacas chamadas comadres dos homens.
Mãos brasileiras
Brancas, morenas, pretas, pardas, roxas
Tropicais
Sindicais
Fraternais.
Eu ouço as vozes
Eu vejo as cores
Eu sinto os passos
Desse Brasil que vem aí.
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