[R-P] Re: [R-P] Política económica en la Venezuela bolivariana

Ceci Vieira Jurua juruacv en montreal.com.br
Mar Oct 22 19:33:23 MDT 2002


Caro Néstor, muito grata sobre esse artigo, precisamos refletir sobre o que
está ocorrendo na Venezuela, além do que já sabemos, é claro......

Estamos muy cerca da vitória no Brasil.  Faltam poucos dias  e Serra não tem
mais chance.   Eu e um grupo de amigos, economistas do Rio, já estamos nos
debruçando sobre o "day after".   Por isto interessa-me muito este artigo
sobre a Venezuela,  que o autor da mensagem diz que está na biblioteca
www.foronacional.gov.ve.  Mas quem é o autor?  é Felipe Perez?   e qual o
título?

Aproveito para tecer alguns comentários sobre a mensagem que recebemos.

1-O primeiro comentário é sobre a relação entre GASTO ABULTADO E
DESVALORIZAÇÃO, deixando que "el bolívar se devaluara tanto el año pasado e
a princípios de este."

Parece-me que o autor não estabelece a diferença entre a desvalorização que
resulta da inflação interna e a desvalorização atual.   Quando a
desvalorização resulta da inflação, como nas décadas de 1970 e 1980, as
mudanças na taxa de câmbio apenas refletem modificações no no nível geral de
preços interno, sem grandes alterações no poder aquisitivo da moeda
estrangeira.  Explico, se a relação dólar/peso é de 1/1, e depois passa a
1/2, como resultado de 100% de inflação, os detentores de dólares apenas
conseguem preservar o poder aquisitivo da moeda, e não levam nenhuma outra
vantagem.

Em situação de estabilidade monetária relativa, como a atual, não é isto o
que ocorre.   No Brasil, neste ano de 2002, enquanto a inflação foi de +-
10%, a desvalorização foi de 50%.   Logo houve mudança de preços relativos,
e todos que operam com dólares ficaram mais risco à custa do empobrecimento
de quem trabalha com a moeda nacional.     Quem chegasse ao Brasil com
20.000 dólares em janeiro de 2002, compraria um apto conjugado.   Se chegar
em outubro, poderá comprar um apto de quarto e sala, COM OS MESMOS 20.000
DÓLARES.

No caso anterior, de situação inflacionária, a desvalorização apenas
permitia manter o poder aquisitivo da moeda estrangeira. Na situação atual,
com estabilidade relativa, a desvalorização privilegia os detentores de
moeda estrangeira.  E isto é uma diferença enorme!

Se consideramos a economia global, há em curso um movimento de deflação,
como bem explica Wallerstein.  Nossos ativos, no mundo periférico, estão
cada vez mais baratos.  O PIB do Brasil, que já foi de us$ 800 bilhões, hoje
é de pouco mais de us$ 300 bilhões.   O mesmo ocorreu na Argentina, e
provavelmente na Venezuela.   O nosso salário mínimo que já foi de us$90,
hoje é de us$ 50 dólares, e o mesmo se pode dizer do salários dos
trabalhadores mais qualificados.   Essa deflação nos atinge por meio da
desvalorização de nossas moedas.  Ela favorece as transnacionais que
competem no mercado global utilizando o instrumento de redução de custos -
às nossas custas.   Com a desvalorização atual, as transnacionais que aqui
produzem para exportar para os Estados Unidos, por exemplo, podem exportar a
preços cada vez menores, em dólares, e com isto obter vantagens no mercado
norte-americano.   Elas lucram muitíssimo com esta desvalorização, o que nem
sempre ocorria nas décadas anteriores.

Parece-me que ao comentar a atual desvalorização na Venezuela, F Perez não
fez esta diferença.

2-Não acredito que na situação atual, de abertura da conta de capital, e de
liberdade total para a circulação de capitais, um Banco Central de país
periférico possa evitar a desvalorização.  Ela é decidida pelo grande
capital, qualquer que seja o regime de câmbio, fixo ou flutuante.   Aliás, o
mercado mais especulativo, e mais lucrativo do mundo, é o mercado de câmbio,
dominado por alguns grandes bancos globais, como o City.  Braudel também já
enfatizou o papel relevante desempenhado por 3 segmentos maiores na
acumulação capitalista.  Esses segmentos são : o comércio de moedas, o
comércio internacional de mercadorias, e o comércio atacadista.  São aí que
se fazem as grandes fortunas.

Por isto não acredito em acordo para estabilizar o mercado cambial.  Salvo
um acordo temporário, facilitado pela outorga de vantagens para o grande
capital internacional.  Mas será que isto nos interessa?   Depois que eles
obtêm as vantagens ambicionadas, eles rompem qualquer acordo e utilizam a
lei do mercado - isto é, do mais forte.

3- É um erro fantástico acreditar em conceitos do tipo "soberania dos
consumidores".  Paul Baran já criticou isto há muito tempo.   E Marx há
muito mais tempo.  Consumo e produção estão indissoluvelmente ligados, um
não existe sem o outro.  Quanto menor a competitividade dos mercados, maior
o poder das empresas, dos que dominam o processo produtivo.  E o momento
atual é, sem dúvida, um momento de formação de oligopólios, de cartéis e de
trustes.  Como sonhar com a "soberania dos consumidores", este discurso
anglo-saxão tão vazio de conteúdo ?

4-É muito difícil pensar em aumento do investimento privado quando:  a) os
ganhos na esfera financeira são maiores do que os lucros da atividade
produtiva,  b) há grande capacidade ociosa,  c) o mercado consumidor está em
recessão ou estagnado, d) aprofunda-se a concentração de rendimentos.

Inversão financeira não é investimento.  Destina-se em geral a transferir
propriedade dos nacionais para os estrangeiros.  Com grandes prejuízos para
o balanço de pagamentos.  Vai aumentar a transferência para o exterior, do
excedente econômico aqui produzido.  Isso nos interessa?

5-  Sem aumento do investimento privado, e sem perspectivas de lucros reais
crescentes, como incentivar a bolsa de valores?   Na ausência de um mercado
em expansão, a bolsa volta-se para atividades imobiliárias especulativas e
para a especulação com títulos públicos.   Duas atividades altamente nocivas
à sociedade.

6- Fiquei com a impressão de que há um projeto de incentivar a economia
venezuela com emissão monetária.  Nada mais perigoso!

_____


Enfim, fiquei preocupada ...  Espero poder ler o artigo citado, para
refletir melhor sobre a realidade econômica venezuelana.  Achei estranho que
nada fosse dito sobre a dívida externa nacional, nem sobre a dívida pública
interna, os dois maiores instrumentos de dominação do grande capital
financeiro internacional sobre nossas sociedades.  E o fazem em geral em
parceria com a oligarquia local, a mesma que está rebelada contra Chávez!

Cordialmente,

Ceci.













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