[R-P] Eleições

Mario Jose de lima mjlima en uol.com.br
Vie Oct 18 07:43:21 MDT 2002


O erro na contagem

Por Jânio de Freitas


A inexplicada ocorrência na contagem dos votos de Lula da Silva,
por alguns instantes diminuindo-os até chegarem ao absurdo de 41
mil abaixo de zero, faz com que a legitimidade eleitoral esteja na
dependência de duas providências indispensáveis do TSE: o exame
rigoroso do programa informático de apuração, particularmente dos
votos para a Presidência, e a recontagem total desses votos.

A atitude do TSE diante do problema é previsível. O autoritarismo
que o preside ficou bem exposto, publicamente, na prepotência com
que o Ministro Nelson Jobim censurou, a meio de suas
tergiversações na "entrevista" de domingo à noite, a correta
pergunta sobre a contradição entre o recurso à eletrônica e a
lentidão que prejudicou as eleições.

A totalização dos votos pode estar exata. Mas disso não há certeza.
A incorreção que em instantes devorou uma multidão, e forçou a
suspensão da contagem por uns dez minutos, pode ter ocorrido, e
não necessariamente uma só vez, com menos voracidade e por isso
não ter sido notada. Tanto no caso de Lula da Silva, como de algum
dos outros. Tanto fazendo subtração de votos, como acréscimo.

Uma certeza é resistente a tudo o que seja dito em contrário: ficou
provado que o programa de totalização dos votos para presidente é
falho e capaz de retirá-los a pelo menos um candidato.
Não é o caso, e tomara que não venha a sê-lo, de suspeitas. Ao
menos por ora, o fato não é mais do que um comprovado defeito
técnico, do qual todo o país pôde ter conhecimento pela notícia
imediata em TV e rádio, embora rápida e logo mandada ao
conveniente esquecimento. A explicação devida pelo TSE bastou-se
em declarar um "erro de formatação nos votos de Lula". Mais vago,
só um "pois é". E, no entanto, é isso mesmo: um erro em programa
que não pode errar sem que isso fira gravemente o princípio da
democracia e o fundamento do regime constitucional brasileiro.

A primeira utilização de contagem eletrônica deixou um precedente
que deve sobreviver como alerta para todas as eleições. O "caso
Proconsult" consistiu na adoção de um programa que, a cada
quantidade determinada de votos para Leonel Brizola, transferia xis
votos dele para Moreira Franco. A operação envolvera o próprio
Moreira Franco, os técnicos em informática da Proconsult, o SNI e
gente da TV Globo, na qual se realizaram reuniões das quais Brizola
foi avisado por Homero Caza y Sanchez, então especialista da TV
em marketing. Mas a difícil descoberta da manipulação, por
intermédio da totalização informatizada, foi feita pelo jornalista
Procópio Mineira com César Maia.

A rememoração do "caso Proconsult" não serve para comparação
com o ocorrido agora, na contagem pelo TSE. Presta-se para
lembrar o quanto é fácil, em informática, o uso de irrealidades reais
para criar realidades irreais.

Daqui a três semanas, o programa de totalização informatizada de
votos do TSE será incumbido de dizer quem presidirá o Brasil. Sua
legitimidade para esta incumbência está em questão







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