[R-P] Sobre el Sarten por el Mango

Julio Fernández Baraibar julfb en alternativagratis.com.ar
Mar Nov 26 20:43:59 MST 2002


Grande, Ceci.
Felicitaciones por este mensaje. Es justamente con el concepto de la
corrupción que vos criticás con el que tenemos que enfrentarnos
diariamente. Como muy bien lo decís "O desafio intelectual consiste na
explicação histórica, sistêmica, do subdesenvolvimento. Ele é a causa, e
não o resultado da pobreza e da corrução ". Todo el sistema de
dominación intenta hacernos creer, y a veces lo logra, que sufrimos de
una enfermedad metafísica: la corrupción que es una especie de
enfermedad genética.

Julio Fernández Baraibar
julfb en sinectis.com.ar

----- Original Message -----
From: "Ceci Vieira Jurua" <juruacv en montreal.com.br>
To: "Reconquista Popular" <reconquista-popular en lists.econ.utah.edu>
Sent: Monday, November 25, 2002 5:19 PM
Subject: Fw: [R-P] Sobre el Sarten por el Mango




Há algum tempo não me interesso mais por estudos do tipo desse que nos é
apresentado pela  CEPAL.   Claro que números são números e estes que nos
chegaram sobre a pobreza devem estar corretos e podem ser-nos úteis.  A
falha está na interpretação dos números, no manejo dos modelos
econométricos.

Qualquer um de nós que estudou estatística sabe que não é difícil fazer
correlações.  O modelo é simples e primário. A dificuldade consiste em
avaliar se o modelo realmente explica alguma coisa.  Assim, duas
variáveis
correlacionadas a uma terceira provavelmente apresentarão correlação
entre
si.  Se a terceira variável, a fundamental, não for analisada, não há
nenhum
entendimento que se possa retirar da análise econométrica.  Este parece
ser
o caso da correlação entre pobreza e corrupção que nada mais é do que
uma
evidência histórica.  São duas características do subdesenvolvimento,
presentes em todas as análises, naqueles tempos em que desenvolvimento
econômico era um tema de reflexão.

O desafio intelectual consiste na explicação histórica, sistêmica, do
subdesenvolvimento.   Ele é a causa, e não o resultado da pobreza e da
corrução.   A questão é saber porque alguns países que já foram pobres e
altamente vitimados pela corrupção, mas que não eram subdesenvolvidos
(Estados Unidos e França, por exemplo), puderam vencer a pobreza e
reduzir
os níveis de corrupção, enquanto o mundo subdesenvolvido, ou periférico,
permanece pobre e sujeito a graus altíssimos de corrupção.  Porque
alguns
países puderam avançar e outros não ?

Como explicar esse processo sem utilizar os autores marxistas ?
Impossível.   O subdesenvolvimento não é o resultado do jogo das forças
internas, políticas/sociais/econômicas, de um país.  Ele é sempre uma
posição relativa de inferioridade, de submissão, de dependência, de
exploração.  Ele é um produto histórico do capitalismo e do
imperialismo,
mesmo no momento atual em que o conceito de imperialismo está sendo
substituído pelo de Império.

O que os dados da Cepal sobre pobreza nos dizem, é que os esforços de
desenvolvimento que fizemos entre as décadas de 1930 e 1970
frustraram-se.
Regredimos nas décadas de 1980 e 1990, voltando à posição inicial de
PAÍS
SUBDESENVOLVIDO, SUBMISSO, EXPLORADO.  O excedente que nós produzimos é
exportado para os países centrais, por todos os canais clássicos :
dívida
externa, troca desigual, remessas de lucros/dividendos/royalties.  Por
isto
não temos um processo de acumulação interna, regredimos enquanto os
países
centrais avançam.  E ao regredir voltamos a recuperar todos os traços
marcantes do subdesenvolvimento, fartamente estudados na literatura dos
anos
50 e 60 principalmente (Baran, Sweezy, Gunder Franck, Yves Lacoste,
Samir
Amim, Celso Furtado, Francisco de Oliveira, etc).

A dominação norte-americana, reforçada com a globalização financeira,
trouxe
um fato novo -  A TAXA DE JUROS FLUTUANTE - que permite aos Estados
Unidos e
aos outros países centrais ressarcir-se da inflação interna às nossas
custas.  No período inglês isso não ocorreu, porque o padrão libra foi
de
uma estabilidade impressionante durante séculos. A taxa de juros
flutuante
cobrada nos empréstimos externos a partir da década de 70, fez nossa
dívida
externa dobrar em 4 ou5 anos, no início da década de 80.  Nos anos 90
esse
fato repetiu-se com uma nova roupagem - de taxa de risco, manipulada por
um
cartel de consultoras internacionais!  É um mecanismo fantástico de
espoliação financeira, torna-se explosivo quando combinado à queda nos
preços das commodities que exportamos (a troca desigual).  Na segunda
metade
dos anos 90 essa queda foi de 30!   Além disso, vivemos um novo período
de
cartelização, de oligopolização, e de trustificação.  Estamos à mercê de
trustes internacionais, grupos poderosos que trazem toda a experiência
do
século XIX quando se formaram na Inglaterra, nos Estados Unidos, e na
Alemanha.

A Cepal não vê nada disso.  Não pode ou não quer ver.  Trata-se como se
fôssemos economias fechadas, ignora a globalização.  Seria cômico se não
fosse trágico.  A Cepal, o FMI, o Banco Mundial, etc, ignoram o
"triângulo
perverso" da globalização financeira :  os paraísos fiscais, os fundos
de
pensão norte-americanos e a dívida externa do mundo periférico sob
piloto
automático das taxas flutuantes de juros.  São esses os tres elementos
centrais do dinamismo perverso  da economia mundo atual, articulados
harmonicamente nos programas do Fundo monetário e do Banco mundial, para
a
glória dos Estados Unidos e de seus aliados poderosos, para a miséria e
tragédia de todos nós, os subdesenvolvidos recolonizados.

Pobres e dominados sim, ignorantes e tolos não.   Como bem disse Jorge
Rulli
naquele excelente artigo sobre a Catástrofe alimentar,

"Nada podrá barrer tanta miseria sino el desarrollo de la conciencia y
los
debates que  permitan hacer crecer el pensamiento,..."

 Foi em homenagem a ele, a Jorge Rulli,  que organizei esta resposta à
miséria intelectual de estudos análogos aos da Cepal, nos dias de hoje,
querendo fazer-nos engolir que somos pobres, que estamos arruinados, por
causa da corrupção.  É muita falta de imaginação, muito desconhecimento
de
tudo que já foi escrito sobre subdesenvolvimento e sobre imperialismo.

Ceci






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