[R-P] Fw: [R-P] RE: [R-P] Argentina: la doble impotencia y el futuro en un país en degradación
Ceci Vieira Jurua
juruacv en montreal.com.br
Sab Nov 2 05:26:24 MST 2002
Amig en s,
Concordo com as observações de Leo, principalmente com a crítica que faz ao
excesso de diagnósticos, em lugar de propostas sobre o presente e o futuro.
Mas também o fato de que os diagnósticos apresentados referem-se mais ao
passado do que ao presente, dando destaque aos fatos que todos já conhecemos
dos tempos da ditadura.
Olhando de longe, o que é mais fácil e confortável bem sei, parece-me que
seria possível "enterrar" definitivamente os tempos da ditadura. Foi
horrível, mas passou. E felizmente que passou. A memória já foi registrada
suficientemente, me parece, como um tempo negro, de horror, mas superado. A
ditadura acabou, o momento é de reconstrução democrática, e o esforço
intelectual precisa voltar-se agora para a necessária reorganização
econômica e social.
À distância, percebo que é na Argentina que estão ocorrendo mudanças
qualitativas importantes, as mais importantes da América do Sul. Perceber
e analisar este fato, seus prováveis desdobramentos, é uma tarefa urgente
para todos nós. Que mudanças são estas ?
Eu apontaria em primeiro lugar a questão da insurreição popular de dezembro
de 2001. Parece-me que houve uma insurreição, seguida por uma
contra-insurreição que levou Duhalde ao poder em uma tentativa de
restauração do sistema neoliberal de poder, que permanece agonizante até
agora. O impasse que se produziu e continua, parece-me ser decorrente
dessas duas forças: a) uma insurreição sem lideranças expressivas,
espontânea e de certa forma anárquica; b) um sistema de poder em frangalhos
e em decomposição - um fracasso interno, que se tornou maior e mais cruel
em razão do estouro da bolha especulativa e dos escândalos corporativos que
o acompanharam. O impasse atual parece-me resultar dessas duas
fragilidades, de quem estava no poder e de quem acuou o poder e o
desestabilizou.
O espírito insurrecional manteve-se nas assembléias populares, isto é na
ausência de organização institucional. O espírito da restauração procura
organizar-se em torno de Menem e de sua candidatura. Não creio que possa
ter sucesso, e as razões Vcs conhecem melhor do que eu.
Vcs parecem não dispor de duas forças que foram significativas na vitória de
Lula. A Igreja Católica que, por meio de pastorais e da CNBB- Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil, tem participado ativa e organizadamente nas
principais lutas nacionais, e um bom exemplo é constituído pelos dois
plebiscitos - por uma Auditoria da Dívida Externa e contra a Alca. Em
segundo lugar, as Forças Armadas. A ovação que Lula recebeu dos militares
e dos membros da Escola Superior de Guerra foi um momento central na
consolidação de sua vitória, e espero que Lula saiba preservá-la devolvendo
aos militares uma participação efetiva na designação do Ministro da Defesa.
Aí como aqui, os sindicatos estão absolutamente contaminados por ideologias
e por práticas contrárias aos interesses dos trabalhadores e da nação.
Também na Venezuela ocorre fato semelhante, e provavelmente em outros
países. Esse fato não pode nos surpreender tendo em vista o papel que os
Estados Unidos desempenharam na formação de lideranças sindicais, convidadas
frequentemente a visitar aquele país e aí realizar cursos. Mas isso não
pode nos conduzir a desprezar os sindicatos como instituição necessária ao
funcionamento democrático. Exige-nos sim um esforço maior de conhecimento
das histórias pessoais daqueles que os lideram, e de suas motivações, de
forma a selecionar cuidadosamente os que podem efetivamente ser aliados
nesse momento de reconstrução social.
O que percebo, no entanto, como mais significativo, na luta atual dos
argentinos, são as ocupações de fábricas. Esse é o fato novo que aponta
para uma trajetória distinta da que foi adotada na famigerada década de
1990. Quando as divulgo entre amigos brasileiros, todos ficam
impressionados. Também a marcha de crianças e de professores que deve
chegar à Praça de Maio em 8 de novembro próximo impressionou os amigos entre
os quais a divulguei. Bem como a Marcha dos Sonhos que eu espero vá
continuar. Essa capacidade de luta, essa gana, essa resistência incrível
que os argentinos estão demonstrando é o que nos dá esperança, a nós todos
que torcemos pela reconstrução da Argentina.
No momento atual, idealizações não adiantam muito. De que serve traçar um
perfil ideal do futuro presidente ? Principalmente, se for um perfil
"individualista", do homem concreto que existe por aí. Não seria melhor
traçar as grandes linhas do que seriam as principais tarefas de um próximo
presidente ? Daí é que surgiria o melhor candidato, o candidato possível
nas condições atuais de fragilidade das forças que se opõem.
Olhando daqui, do Rio de Janeiro, permaneço com a sensação de que o melhor
presidente será aquele capaz de unir o povo argentino. Provavelmente sairá
das hostes peronistas anti-Menemistas, anti-Império, as duas forças
responsáveis pela desarticulação da sociedade argentina nos anos 90. Terá
de ser alguém que ame a Argentina e @s argentin en s, que respeite sua história
e suas conquistas passadas e recentes, capaz de reintegrar a Argentina no
bloco sul-americano como um país líder por sua cultura e por sua dignidade.
Capaz de assumir o compromisso de governar democraticamente, com uma
democracia ampliada e participativa, com instituições que terão de ser
reconstruídas não por ele, mas por nós, isto é pela própria sociedade.
Se o momento é de diálogo e de procura de um amplo consenso, de que serve
ficar relembrando as feridas do passado, em atitude sado-masoquista e
auto-destrutiva?
Aqui no Brasil estão começando a ocorrer alguns fatos muito significativos.
No grupo técnico nomeado por Lula para o período de transição, a responsável
pelo setor de energia elétrica já anunciou que as privatizações serão
interrompidas. Felizmente, nossas geradoras ainda não haviam sido vendidas.
A impressão que tenho é que iremos tentar remontar o tripé Estado/capital
nacional / capital estrangeiro, cuja organização foi idealizada durante o II
Plano Nacional de Desenvolvimento, em 1974/75. Vai dar certo? Não sei,
mas é uma tentativa, e provavelmente a mais viável tendo em vista a atual
relação de forças. A responsável pelo setor elétrico na transição é a
ex-secretária do governo Olívio Dutra, um dos melhores governadores do PT,
se é que não foi o melhor. Claro que o JB deu a notícia de outra forma: "O
PT criará outra estatal de energia", é o título da notícia de hoje que,
aliás, nada fala sobre o fim das privatizações. Teremos que ter um cuidado
imenso com a imprensa oficial e dedicar-nos imensamente ao trabalho de
divulgar o conteúdo correto das medidas que estão sendo encaminhadas.
Nas comunicações, outro setor vital fatiado entre os integrantes do que
chamo "Eixo Madri/Nova Iorque", nada se sabe ainda. É um locus de disputa
feroz.
Mas não é só o PT que está à procura de outro modelo. O governador de São
Paulo, do PSDB, já anunciou que vai parar as privatizações do setor
financeiro, atitude em que está sendo acompanhado por outro governador do
PMDB, em Santa Catarina. Em novos tempos, com novos ventos, mudam as
decisões até dos homens que permanecem... Por isso a visão individualista é
ineficaz, e por várias outras razões é claro.
Um terreno em que as decisões vão demorar é o da previdência social. Aí é
outra briga de gigantes. Mas temos várias organizações da sociedade
capazes de se mobilizar e de enfrentar tecnicamente, e também politicamente,
os representantes do grande capital financeiro internacional, à frente do
qual estão os investidores institucionais norte-americanos.
Para concluir, quero dizer que não vejo a Argentina como um país em
degradação. Aí estão sendo lançadas as sementes de uma sociedade que poderá
ser a mais avançada politicamente da América do Sul, dentro de pouco tempo.
E essas sementes estão sendo lançadas em Buenos Aires, no coração da
Argentina, na cidade que é a "nossa Paris" do ponto de vista cultural, a
"nossa Madri" do ponto de vista arquitetônico (se bem que eu não simpatizo
muito com a Espanha.....). Mas é preciso vencer o momento atual - das
fragilidades -. Bom mesmo é entender que agora a Argentina não precisa
mais do FMI. O FMI é que precisa da Argentina. Em caso de não acordo, como
é que o Fundo vai explicar que a Argentina conseguiu superar a crise sem o
seu "indispensável apoio" ? A Argentina permaneceria sendo a melhor
"péssimo aluno do Fundo", como ocorre desde dezembro de 2001, quando houve a
grande virada, início de uma mudança nesta relação de forças entre o Fundo
Monetário e a Argentina. Não é fantástico que isto esteja ocorrendo ?
Abraços,
Ceci.
----- Original Message -----
From: leo cofre <lcofre en all-kom.com.ar>
To: reconquista popular <reconquista-popular en lists.econ.utah.edu>
Sent: Friday, November 01, 2002 8:40 PM
Subject: [R-P] RE: [R-P] Argentina: la doble impotencia y el futuro en un
país en degradación
>
>
> no se, me parece todo muy lindo lo de Presman, pero siguiendo su linea de
> pensamiento: "el debate se sustituye por ruido mediatico" se me ocurre
que,
> la descrpcion se sustituye por el hacer, o sino el proponer; el hacer que
> modifica, esto viene y disculpen mi decir sobre algo que no fue enviado
> directamente a la lista, porque estoy algo cansado de leer inmaculadas
> descrpciones de lo que nos pasa a nosostros los argentinos. antes por lo
> menos la tinta manchaba, ventajas de la cibernetica?
> no me habian dicho que se trataba de literatura nada mas. y creo, pienso
que
> en el decir critico deberia haber algo mas que un dedo indice apuntando e
> introduciendonos en el "delirio" como reza uno de los subtitulos del
> escrito. a nadie se le escapa los puntos descriptos, como los une es otra
> cosa.
> me parece que tenemos bastantes diagnosticos y ninguna solucion al
problema.
> y no me digan que en la gallina esta el huevo.
> en un parrafo dice presman:
> "Extrañas cosas suceden en nuestro país. La realidad tiene el guión y
> > la seriedad de un Reality Show, y sobre algún Reality Show se hacen
> > mesas redondas diarias, ... "
>
> y yo aniadiria, que si, que la realidad tiene el guion y la seriedad de un
> reality show, pero que por favor no nos obliguen a leer ademas solo la
> critica de eso, mas si a favor de este pais, donde al decir de presman
> pasan "extranias cosas" se destaca la suerte de que la Klein se instale de
> entomologa en nuestro pais un anio y todo esto se reempuje con el oriental
> galeano. que se pregunta a quien le ganaron los brasileros y se responde,
> que al miedo.
> no es mucho?
>
>
>
> "... Todos
> > ellos constituyen una constelación dispersa pero viva, naúfragos de
> > la enorme implosión que arrasó con las representaciones políticas.
> > Son algunas de estas experiencias novedosas la que llevan a la
> > ensayista canadiense Naomí Klein a radicarse por un año en nuestro
> > país para efectuar un minucioso estudio. ..."
>
> ". El escritor uruguayo Eduardo Galeano lo
> > describe con su precisión característica: "En muchos lugares, la
> > gente se
> > está escapando de las tribunas y está invadiendo la cancha. En una
> > democracia, cuando es verdadera, la gente no asiste al partido. Lo
> > juega.........Los dueños del poder universal, los que tienen la
> > sartén por el
> > mango, se llaman a si mismos "el mercado" y " comunidad
> > internacional". Son
> > sus nombres artísticos. Los brasileños nos han dado un ejemplo de
> > coraje y
> > de sentido común. Votaron contra el miedo y votaron por el cambio"
> >
> >
> > HUGO PRESMAN
> >
> >
>
> leo cofre.
> lcofre en all-kom.com.ar
>
>
>
>
> _______________________________________________
>
> Para suscribirse o borrarse por vía Internet, visite
> http://lists.econ.utah.edu/mailman/listinfo/reconquista-popular.
>
> Para suscribirse o borrarse por correo electrónico, envíe un mensaje
escribiendo 'help' <sin comillas> en el asunto o en el cuerpo, a
> reconquista-popular-request en lists.econ.utah.edu
>
> Para comunicarse con la persona que administra la lista, envíe correo
electrónico a
>
> reconquista-popular-admin en lists.econ.utah.edu
> _______________________________________________
> Lista de correo electrónico Reconquista-popular
> Reconquista-popular en lists.econ.utah.edu
> http://lists.econ.utah.edu/mailman/listinfo/reconquista-popular
>
Más información sobre la lista de distribución Reconquista-Popular