[R-P] Para polemizar: Emir Sader sobre el futuro del Estado nacional.

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Jue Mar 28 15:09:56 MST 2002


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_II Fórum Social Mundial
Texto da palestra conferida durante o painel "Qual 
o futuro dos Estados-Nações?", dia 28 de janeiro, 
Eixo IV "Poder político e ética na nova sociedade" 
Soberania e democracia na era de hegemonia norte-
americana 
Emir Sader* 
I . Nenhum tema importante do mundo contemporâneo 
pode ser entendido fora do marco da hegemonia 
norte-americana. Esta cruza de tal forma o plano 
econômico, tecnológico, comercial, financeiro, 
político, militar, informativo, midiático, de lazer 
– entre outros – que o que tentasse ser abordado 
fora desse marco, provavelmente seria enfocado mal, 
de forma insuficiente ou provavelmente de forma 
errada. 
Trata-se não apenas da vitória de um dos 
contendores da guerra fria sobre o outro e do 
estabelecimento de sua hegemonia sobre o sistema 
internacional no seu conjunto, mas de uma nova 
modalidade de hegemonia, que se apoia no poderio 
econômico dos EUA – da sua estrutura produtiva a 
seu mercado interno -, é articulado por uma 
capacidade política e militar de intervenção e se 
multiplica pela rede de aliados e pelo sistema 
oligopólico internacional de informação e de 
divertimento, soldados por uma ideologia que se 
apropriou do conceito de democracia – redutivamente 
concebida como democracia liberal – e de seu 
suposto complemento – a economia capitalista de 
mercado. No seu conjunto, se reestrutura o sistema 
de poder em escala mundial, sob hegemonia norte-
americana, definindo uma nova era na história da 
humanidade. 
Nunca um império teve fronteiras tão extensas, 
nunca conseguiu organizar um bloco no poder 
constituído por nações tão poderosas como aliados, 
nunca dispôs de uma ideologia tão amplamente aceita 
e tão alimentada por uma máquina de propaganda tão 
universalizada. Esse poderio, por sua vez, busca 
articular formas de organização desregulada da 
economia, modalidades de especulação financeira, 
esquemas de super-exploração sem limites dos 
trabalhadores, valores egoistas e hedonistas, 
estilos de vida e de consumo – de forma a construir 
um mundo à imagem e semelhança do grande capital, 
monopolista e especulativo, funcional à sua 
reprodução sem travas. 
O poder construído sobre esses pilares produz uma 
força internacional unificada – com contradições, é 
certo, como veremos mais adiante -, com estruturas 
orgânicas – o G7, a OMC, a OTAN, o FMI, O Banco 
Mundial, a AMI -, com comando centralizado, com 
ideologia hegemônica relativamente consolidada. 
Produz-se uma reunificação do mercado mundial, que 
busca sua legalidade e sua legitimidade na 
ideologia, na força militar e no monopólio dos 
meios de comunicação. 
O mal-estar produzido por essa avalanche de 
mercantilização do mundo, depois de se ter 
acumulado subterraneamente nas mentes e corações de 
milhões de pessoas, explodiu à superfície em 30 de 
novembro, em pleno coração desse império, para não 
parar de crescer e de se diversificar, a ponto de, 
em pouco mais de um ano, modificar o cenário dos 
debates mundiais, arrancando a iniciativa das mãos 
dos ricos do mundo e de seus funcionários e 
instituições, para recolocar a necessidade de 
ruptura com esse mundo e de construção de um outro 
tipo de mundo. 
Por isso estamos aqui, em Porto Alegre, já 
vitoriosos moralmente, porque portadores dos 
grandes temas que preocupam a humanidade no novo 
século, reconhecidos até pelo pensamento 
conservador como os fundamentais no mundo 
contemporâneo – a miséria no mundo e a natureza 
histórica da chamada globalização – o que, por si 
só, já significa uma vitória nossa, porque 
representa sua desnaturalização, a recuperação do 
seu caráter histórico, isto é, de fenômeno humano, 
construído pelos homens e, portanto, passível de 
ser desconstruído e reconstruido de outra maneira. 
Histórico e, portanto, nas mãos dos bilhões de 
homens e mulheres do mundo. 
I. De que forma a nova hegemonia norte-
americana no mundo afeta o tema da soberania, 
dos Estados nacionais, da questão nacional? 
Sem fazer o rastreamento histórico desses 
temas, nos deteremos em particular no da 
soberania, entendendo que dele depende, em 
grande parte, não apenas a resolução do tema do 
novo caráter que devem assumir os Estados 
nacionais, mas também da realização do tema da 
identidade nacional. 
Para que ganhe a abrangência que requer e seja 
instrumento na luta pela hegemonia política, a 
soberania tem que ser entendida não apenas como 
soberania nacional, mas como soberania 
popular, à qual está estreitamente vinculada 
numa concepção democrática radical, popular da 
história. Esta promessa democrática esbarrou 
sempre na visão reducionista do liberalismo, 
que buscou sustentar nos estreitos limites 
jurídicos e políticos do formalismo os 
fundamentos da democracia, circunscrevendo-a à 
natureza codificada dos regimes políticos, que 
terminaram não apenas esvaziando sua 
legitimidade, como tornando-se álibis de 
cobertura para a mercantilização das nossas 
sociedades – inclusive do próprio sistema 
político. 
Ao erigir-se em defensor – propagandístico, 
econômico e militar – de seus valores e 
interesses, que moldam a nova ordem mundial, os 
EUA tornaram-se o baluarte de uma determinada 
concepção de soberania. O livre comércio e, 
dando-lhe cobertura, uma determinada visão do 
"humanismo" e da democracia, dão a base de 
sustentação de sua dominação, que se choca 
diretamente com a possibilidade de soberania dos outros 
Estados. 
As intervenções militares norte-americanas dos 
anos noventa demonstram isso cabalmente, seja 
na África, no Oriente Médio ou na própria 
Europa. Além disso, as políticas econômicas 
norte-americanas – que combinam desregulação 
com manipulação dos organismos internacionais: 
da OMC ao FMI, do Banco Mundial à OTAN – violam 
sistematicamente os interessas nacionais dos 
distintos países – de que as relações no continente 
americanos são exemplo claro, do Nafta à Alca. 
Ao condensar em sua hegemonia o monopólio 
militar, econômico, financeiro, tecnológico, 
dos meios de comunicação, os EUA impõem sua 
dominação imperial num sistema internacional 
cuja existência se erige em obstáculo à 
soberania nacional e à soberania popular de 
outros países, constituindo-se assim num 
obstáculo central à extensão e aprofundamento 
da democracia – política, econômica, social, cultural, 
informativa, tecnológica – no mundo do século XXI. 
I. O modelo hegemônico atualmente vigente se 
apoia no deslocamento da esfera pública e na 
sua substituição pelas grandes corporações 
empresarias como sujeitos econômicos e 
políticos das nossas sociedades. Com isso, os 
direitos são substituídos pelo poder de compra 
no mercado, os cidadãos pelos consumidores, os 
países pelos mercados, a livre informação pela 
propaganda mercantil, os debates políticos 
pelas campanhas de marketing, as ruas e praças 
pelos shopping centers e pelos condominios 
fechados, os comícios e concentrações populares 
pelos pronunciamentos televisivos, a soberania 
nacional pelos capitais financeiros 
desregulamentados, a soberania popular pela 
opinião pública fabricada pela mídia financiada 
pelos grandes capitais, o financiamento da 
produção e do consumo popular pela agiotagem 
especulativa. 
Foi contra esse mundo mercantilizado que se 
levantou a nova opinião pública democrática do 
mundo, gritando que o mundo não é uma 
mercadoria, que o mundo não está à venda, que 
o essencial não tem preço. O que nos une, a 
todos, antes de tudo, é a luta contra a 
mercantilização do mundo. Contra a concepção e 
a prática de que tudo se vende, de que tudo se 
compra, de que o mercado e os seus preços 
manipulados definem o que se pode e não se pode 
fazer, o que é bom e o que é ruim, o que é belo 
e o que é feio, o que é justo e o que é injusto. 
A própria soberania nacional passou a ser 
cotada no mercado. Os chamados "paraísos 
fiscais" – infernos da moralidade e da 
dignidade humana – são países que negociam sua 
soberania, alugam, vendem – como demonstram de 
maneira tão inquestionável, entre outros, o 
suiço Jean Ziegler. Mas mesmo naqueles Estados 
que pretendem impor sua concepção de democracia 
ao resto do mundo, a mercantilização invade toda a vida 
pública. 
As empresas especulativas norte-americanas, que 
doaram 22,2 milhões de dólares à campanha de 
George W. Bush, cobram de seu financiado o 
incentivo à poupança privada e a baixa dos 
impostos. As empresas do setor tecnológico, que 
contribuíram com 7,7 milhões de dólares cobram 
o fim de qualquer forma de taxação da internet. 
Os laboratórios farmacêuticos, que doaram 4 
milhões de dólares e gastaram mais de 40 
milhões em campanhas temáticas a favor de Bush, 
se reivindicam o direito de assumir o controle 
dos planos de saúde para os idosos. Além disso, 
Bush nomeou um dirigente do laboratório 
farmacêutico Eli Lilly & Co. para dirigir a 
oficina do orçamento na Casa Branca. O setor 
energético, que colaborou com 9 milhões de 
dólares, já recebeu a contrapartida, com a 
decisão do novo presidente dos EUA e liberar a 
exploração de petróleo e de gás em todo o 
território federal, incluído o Alasca, vencendo 
a oposição dos ecologistas. 
Essa privatização do Estado é acompanhada pela 
sua financeirização. Sabemos como no Brasil os 
maiores contribuintes para as campanhas 
presidenciais do atual presidente brasileiro 
foram os grandes bancos, que foram beneficiados 
com o maior programa de assistência econômica 
do governo, num jogo promíscuo de troca de 
favores e de cristalização de interesses 
justamente do setor mais parasitário do 
capitalismo – aquele que não financia 
prioritariamente investimentos produtivos e 
consumo popular, mas vive das mais altas taxas 
de juros oferecidas pelos papéis do governo 
brasileiro. O único compromisso indiscutível de 
um governo como esse termina sendo o pagamento 
dos juros da dívida, ao que se subordina todo o 
resto – a começar pelas necessidades básicas da 
massa da população, que nem financia nem é 
destinatária dos principais esforços do governo. 
Gera-se assim um mecanismo vicioso, redondo, 
fechado sobre si mesmo, em que os governantes 
são explicitamente financiados pelos ricos e 
governam explicitamente para os ricos. A arte 
de governar fica reduzida, de forma bastarda, a 
atender os interesses dos capitais que 
financiam os governos, com a complacência e a 
legitimação oferecidas pela grande imprensa, 
com seu discurso economicista e ventríloquo das 
grandes fortunas. O poder público fica 
completamente desfigurado como instrumento da soberania 
nacional e popular. 
I. A soberania nacional não pode ser pensada 
hoje, num marco de extensa internacionalização 
econômica, nem no marco estritamente nacional, 
nem nos marcos do liberalismo político como 
modelo de organização do Estado e do poder. 
Duas direções são essenciais para os que lutam 
pela democratização do poder, em escala local, 
nacional e mundial. 
Um deles é o da socialização do poder e da 
política. Como dizia Gramsci, existem dois tipos de 
politicos: os que lutam pela consolidação da 
distância entre governantes e governados e os que 
lutam pela superação dessa distância. Os primeiros 
se circunscrevem nos limites estritos dos modelos 
liberais e, numa época em que a mercantilização 
invade todas as esferas e faz da própria política 
um mercado – como deseja George Soros, para quem o 
mercado seria mais democrático que as eleições, 
esquecendo-se que o poder de compra define 
desigualdades fundamentais – acentuam a perda de 
legitimidade e de representatividade dos sistemas 
políticos liberais. 
Os segundos trabalham na direção de estender e 
aprofundar a participação política, promovendo a 
socialização da política e do poder mediante 
políticas como as do orçamento participativo. Esta 
promove simultaneamente a inclusão política e a 
inclusão social, cuja solidariedade é indispensável 
tanto para uma quanto para a outra. Trata-se de um 
instrumento essencial para a reforma democrática do 
Estado, para a reformulação radical das relações 
entre Estado e sociedade, avançando na direção da 
soberania popular. 
A afirmação desse tipo de política, no entanto, 
como reflexo de seu potencial democrático radical, 
se choca com as políticas nacionais de ajuste 
fiscal, que buscam sufoca-la pelo lado das 
restrições crescentes aos orçamentos estaduais e 
municipais, na tentativa de inscrever legalmente 
políticas de restrição aos gastos públicos – que na 
prática significam debilitamento da capacidade de 
atendimento das demandas sociais das camadas 
populares. Assim, a possibilidade de afirmação de 
espaços de soberania popular mediante políticas 
como o orçamento participativo se chocaram cada vez 
mais com as políticas econômicas liberais, 
dependendo portanto, para sua consolidação e 
extensão, da derrota dessas políticas e da posta em 
prática de políticas que, ao contrário, privilegiem 
o mercado interno de consumo de massas como 
mecanismo reativador da economia e integrador 
socialmente. 
V. A segunda direção é a da integração 
internacional soberana dos Estados nacionais que, 
nos marcos atuais de internacionalização da 
economia e do poder político, só pode se dar 
através de alianças regionais e internacionais. 
Vale a pena deter-nos um pouco nos problemas 
colocados para os países da América Latina, porque 
de alguma forma refletem os desafios, os dilemas e 
as possibilidades para os países da periferia do 
capitalismo – aqueles que têm sua soberania mais 
diretamente comprometida – de realizar sua 
soberania ou de ser condenado a consolidar sua 
integração subordinada. 
Espaço privilegiado de hegemonia norte-americana ao 
longo do século XX, a América Latina conseguiu 
protagonizar uma das grandes transformações 
históricas desse século, com a industrialização de 
várias de suas economias, envoltas em projetos 
nacionais, que produziram níveis de soberania para 
esses países. A crítica da teoria do comércio 
internacional e a posta em prática de políticas de 
industrialização substitutiva de importações 
tornaram possíveis transformações econômicas, cujos 
efeitos sociais, políticos e ideológicos terminaram 
esgotando-se conforme o processo de 
internacionalização das economias – acompanhado, em 
vários países, de ditaduras militares – se impôs. 
Na etapa mais recente, de reorganização da economia 
mundial em torno dos três mega-mercados mundiais, 
os países da periferia do capitalismo tiveram suas 
condições de inserção internacional debilitadas. O 
Mercosul significou o único espaço de integração 
regional fora do hemisfério norte – isto é, 
integrado por países da periferia do capitalismo. A 
estratégia norte-americana era a de assimilação 
gradual dos países do continente ao Nafta, para o 
qual o Chile já havia sido cooptado como próximo 
sócio. A crise mexicana de 1994 bloqueou esse 
projeto, conforme o Congresso norte-americano 
tirava o poder de negociação com a "via rápida" do 
executivo dos EUA. 
Foi naquele momento que Washington mudou de tática, 
retirando da gaveta o projeto da Área de Livre 
Comércio das Américas (Alca). Tendo ganhado tempo e 
espaço, o Mercosul se consolidou regionalmente e 
estendeu sua influência, avançando na integração do 
Chile e da Bolívia, enquanto negociava com os 
países do Pacto Andino em crise. 
Porém, como as políticas econômicas liberais não 
são integradoras e, assim, não promovem a 
integração soberana mas, tratando-se de países 
periféricos, formas de integração subordinada, 
havia uma crise embutida, que terminou explodindo 
conforme se deu a desvalorização da moeda 
brasileira, em janeiro de 1999. A partir dali se 
desviaram os interesses dos dois países mais 
importantes – Brasil e Argentina -, com políticas 
cambiais diferenciadas e administração 
irresponsável do seus conflitos. 
Ao mesmo tempo se aproximava a data de assinatura 
dos acordos finais da Alca – a ser definidos em 
abril de 2001 em Quebec – e a possibilidade de uma 
vitória republicana na sucessão norte-americana – 
com a conseqüente recuperação pela Casa Branca da 
"via rápida" -, os conflitos internos levaram o 
Mercosul - tal como existiu até hoje – a uma 
situação terminal, com o isolamento do Brasil – que 
reagiu tardiamente à nova situação – e a adesão da 
Argentina – pressionada por uma situação 
insustentável de sua política de paridade monetária 
– e do Chile a um adiantamento da data de entrada 
em vigor da Alca de 2005 a 2003. 
Com isso se consolidaria a hegemonia norte-
americana sobre o conjunto do continente e assim 
diminuiriam as margens de manobra de todos ao 
países latino-americanos para afirmar sua 
soberania, conforme perdem o instrumento do 
Mercosul e se submetem à Alca. Ficariam restritas 
igualmente as possibilidades de alianças 
internacionais diferenciadas por parte dos países 
latino-americanas como, por exemplo, em relação à 
União Européia e ao sudeste asiático, bem como 
alianças como países do sul do mundo, igualmente 
excluídos dos mega-mercados, principalmente a 
China, a Índia, a África do Sul, o Irã, entre 
tantos outros. 
Romper com essa dinâmica – que sepultaria qualquer 
possibilidade de autonomia por parte dos países 
latino-americanos – supõe não apenas rechaçar as 
propostas de adiantamento das datas de colocação em 
prática da Alca, como igualmente rejeitar no seu 
conjunto a idéia de uma área de livre comércio das 
Américas, pelo que significa de subordinação à 
hegemonia absoluta dos Estados Unidos sobre o 
conjunto do continente – uma espécie de realização, 
nos termos contemporâneos, da Doutrina Monroe. 
Significa, simultaneamente, um novo projeto de 
integração latino-americana, assim como uma 
política de alianças com os países da Ásia e da 
África, para redefinir as condições de inserção 
internacional – incluídas alianças com os três 
mega-mercados mundiais - tanto da América Latina 
como de todos os países do sul do mundo, a partir 
de uma posição de força, unificada, que ao mesmo 
tempo proponha relações de cooperação e de 
solidariedade como normas de uma nova ordem 
mundial. 
I. A soberania nacional se tornou, com o 
chamado processo de globalização, indissociável 
da soberania política e, portanto, da 
democracia, do processo de auto-emancipação dos 
homens, tornados cidadãos. Não haverá soberania 
política sem democratização do poder do Estado 
e do poder político. 
Qualquer avanço democrático no mundo de hoje se 
choca com o processo de mercantilização que 
atravessa tudo, movido pelo apetite irrefreável de 
lucro das grandes corporações internacionais. Essa 
mola mestra da acumulação do capital – que hoje 
canaliza o essencial de seus recursos para viver da 
parasitária especulação financeira, às custas das 
políticas que privilegiam a estabilidade monetária 
por sobre os interesses fundamentais da grande 
maioria da população mundial – se choca com os 
valores sociais, políticos, morais, culturais que 
sustentam o humanismo e a solidariedade humana. 
Ser soberano, ser senhor do seu destino, ser 
sujeito da história e da sua vida cotidiana, 
significa, para a humanidade, romper com os ditames 
do lucro, do mercado, da acumulação irrefreada de 
riquezas materiais às custas do trabalho, da 
cultura, da natureza, da ética. Quem não quiser 
falar de capitalismo (e de anti-capitalismo) deve 
calar-se sobre temas como soberania e democracia. 
Quem, por outro lado, quiser lutar pela soberania 
nacional e popular, pela democracia, pelo humanismo 
– tem que se alinhar na luta anti-capitalista, na 
luta por um mundo guiado pelas necessidades 
materiais e espirituais de toda a humanidade. 
 
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Néstor Miguel Gorojovsky
gorojovsky en arnet.com.ar

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Compañeros del exercito de los Andes. 

...La guerra se la tenemos de hacer del modo que podamos: 
sino tenemos dinero, carne y un pedazo de tabaco no nos 
tiene de faltar: cuando se acaben los vestuarios, nos 
vestiremos con la bayetilla que nos trabajen nuestras mugeres, 
y sino andaremos en pelota como nuestros paisanos los indios: 
seamos libres, y lo demás no importa nada...

Jose de San Martín, 27 de julio de 1819.

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