[R-P] Fw: [ESK] O declinio da moeda hegemonica
Julio Fernández Baraibar
julfb en alternativagratis.com.ar
Dom Jun 30 14:10:50 MDT 2002
Esto viene de Brasil, pero es traducciónd de un economista alemán. Muy
bueno, ahora que algunos intentan dolarizar.
Julio Fernández Baraibar
julfb en sinectis.com.ar
>
>
> O declínio da moeda hegemônica
> Robert Kurz
>
>
> Pois é justamente o aspecto simbólico da nova situação pós-11 de
> setembro que ameaça pôr em questão uma função decisiva, do ponto de
> vista econômico mundial, dos EUA: o papel do dólar
>
> O pensamento positivista dominante na política, na economia e no mundo
> científico não conhece, em princípio, nada a não ser fatos desconexos,
> que mantêm uns com os outros somente uma relação aparente, mecânica,
de
> causa e efeito. Assim, na discussão que se prolonga na imprensa
> econômica sobre os ataques terroristas de Nova York e Washington, na
> maioria das vezes, lançam-se questões um tanto superficiais quanto aos
> imediatos "efeitos sobre a economia mundial". Claro que já se trata aí
> de uma redução do problema, poupando-se as dimensões moral, política e
> cultural.
>
> Mas também do ponto de vista econômico esse questionamento é de curto
> alcance. Os danos materiais, se são em si volumosos, por outro lado,
> vistos em comparação com o PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA,
> praticamente perdem sua relevância. Mesmo os efeitos negativos
> indiretos, como por exemplo sobre o tráfego aéreo e o turismo, não são
> de importância decisiva. A maioria das companhias aéreas já vinha,
muito
> tempo antes, voando sobre grandes prejuízos, e todo o setor estava, de
> qualquer forma, pronto para o desmonte da capacidade excessiva.
>
> Mais plausível seria apontar as consequências psicológicas e, com
isso,
> o tão falado comportamento dos consumidores. Talvez -é o que se diz-
os
> ataques terroristas possam refrear o desejo do cidadão americano pelo
> consumo financiado por crédito, desencadeando uma "poupança por medo"
e
> assim abalar a conjuntura econômica norte-americana.
>
>
> Fundo do poço
>
> É bem verdade que não se deve subestimar o poder simbólico que uma
> catástrofe dessas produz. No entanto o efeito que a acompanha diz
> respeito mais ao nível político-cultural que ao econômico. Justamente
> nos EUA seria bem provável que o próprio fim do mundo não impedisse os
> consumidores de mercadorias de antes a fazer uma corrida às compras.
>
> As ciências econômicas oficiais, em todo caso, não é de hoje que vêm
> desgastando e supervalorizando a "psicologia" dos atores econômicos.
Se
> os consumidores compram ou não, isso depende afinal bem menos de
desejo
> ou falta de desejo do que, isso sim, de terem ou não dinheiro, de
> conseguirem ou não crédito para suas compras.
>
> Nesse sentido, os EUA já haviam atingido o fundo do poço antes de 11
de
> setembro. O endividamento sem precedentes da economia doméstica tinha
> de, necessariamente, levar um dia a um abrupto fim do boom de consumo.
> Desse modo, o efeito psicológico que se segue aos ataques terroristas
> talvez acelere a tendência de queda nos gastos com consumo, mas não é
a
> causa desta. É claro que os consumidores americanos também não podem
> poupar por medo do futuro um dinheiro que já nem têm mais. Por isso,
> pode-se esperar que o consumo, independentemente da reação psicológica
> ao terror, continue se retraindo de maneira drástica, sem que a
poupança
> nacional (nos EUA momentaneamente atingindo níveis negativos) suba
numa
> escala correspondente.
>
> Há no entanto também uma argumentação inversa e igualmente superficial
> que faz previsões de um indesejado efeito positivo da ação terrorista
> sobre a economia dos EUA. Os ataques teriam sido, em certa medida, por
> mais perverso que isso possa parecer, a "salvação das aflições" de uma
> conjuntura econômica de bolha financeira em colapso.
>
> São essencialmente três fatores que se impõem, nesse caso.
>
> Primeiro, alega-se que a onda de sentimentos patrióticos que inunda os
> EUA deva instigar o desejo de compra dos consumidores justamente por
> teimosia e sentimento de honra (é a "ida patriótica às compras"). Esse
> argumento se limita como o inverso da "poupança por medo" ao nível
> psicológico e por isso é igualmente inconsistente, porque quer diluir
o
> estado objetivo da economia norte-americana em meros "estados de
> espírito".
>
> Em segundo lugar, alguns comentaristas anseiam por uma espécie de
> conjuntura de guerra segundo o modelo da Segunda Guerra Mundial ou do
> boom coreano dos anos 50. Mas hoje não se trata mais mesmo de
clássicas
> guerras desse gênero, como o próprio presidente americano Georg W.
Bush
> teve de constatar após a catástrofe causada pelo terror, mas sim de
> guerras policiais de um novo tipo, em nível global, das quais não se
> pode esperar nenhuma grande mobilização econômica. Nem a guerra do
Golfo
> contra o Iraque no início dos anos 90 nem o envio de tropas à
> ex-Iugoslávia vieram acompanhados de uma conjuntura de guerra por meio
> de bens armamentistas e mobilização militar. Menos ainda será o caso
> disso na caçada aos terroristas ou numa campanha policial
internacional
> pelo Afeganistão.
>
> Por fim (terceiro fator), não se pode falar, no contexto de um chamado
> debate "geopolítico", de uma promissora opção afegã por assegurar as
> reservas estratégicas de recursos minerais (sobretudo de petróleo e de
> gás natural) na região do mar Cáspio. Essa argumentação, apreciada
tanto
> nos grupos de estrategistas de tabuleiro como entre os materialistas
> vulgares de esquerda, vê nos ataques terroristas o perfeito ensejo
para
> que os EUA possam, recorrendo à ação militar, concluir a já
> anteriormente planejada construção de um oleoduto a atravessar o
> Afeganistão, controlado pelo Ocidente. Porém não é de hoje que se sabe
> que os estoques de petróleo do mar Cáspio foram superestimados e além
> disso há tempos têm seu acesso aberto.
>
> Se é que essa opção de fato significa algo, ela de modo nenhum poderá
> impedir a aguda -e prevista para médio prazo- queda na economia
> americana e, com isso, na mundial. Afora isso, a guerra de caráter
> duvidoso e provavelmente de longa duração contra o regime do Taleban é
> antes um considerável empecilho aos sonhos de oleoduto; afinal, esses
> exigem uma pacificação política do país que, agora mais do que nunca,
> está adiada para um futuro bem distante.
>
> Apesar de tudo isso, não se pode descartar a idéia de que os ataques
> terroristas e a guerra americana no Afeganistão, como todos os
> acontecimentos importantes na altamente estruturada economia do
capital
> "one world", fazem parte obviamente de um contexto econômico com os
seus
> efeitos correspondentes. Estes no entanto são mais sutis, mas por isso
> provavelmente mais relevantes do que podem conceber os observadores
> superficiais.
>
>
>
> Crise de dinheiro
>
> A fronteira absoluta da conjuntura global de especulação e déficit com
> os EUA no centro, em todo caso, será alcançada mais cedo ou mais
tarde,
> por razões da lógica econômica imanente. A catástrofe de Nova York e
os
> acontecimentos no Afeganistão não poderiam entretanto trazer à luz uma
> dimensão adicional da crise. Pois é justamente o aspecto simbólico da
> nova situação pós-11 de setembro que ameaça pôr em questão uma função
> decisiva, do ponto de vista econômico mundial, dos EUA: o papel do
> dólar.
>
> Toda crise capitalista é, em potencial, também uma crise do dinheiro,
> pois é este que constitui o meio e ao mesmo tempo o irracional fim em
si
> mesmo do processo de exploração. O dinheiro, no entanto, nunca é
> dinheiro em si, mas sempre moeda. A moeda representa a designação que
> cada nação dá a seu dinheiro. Por um lado, a forma dinheiro em si é
> universal e expressa o universalismo abstrato, destrutivo do capital.
> Mas a forma exterior e real com que o dinheiro se manifesta é
> necessariamente nacional -moeda corrente mesmo.
>
> A moeda corrente da liderança econômica e político-militar assume
então
> o caráter de uma moeda hegemônica que constitui o principal meio de
> reserva dos bancos centrais e na qual se desenvolve a maioria das
> transações comerciais e financeiras. Entretanto também essa moeda
> hegemônica é necessariamente condicionada por fatores nacionais. É aí
> que se mostra no plano econômico um aspecto da contradição interna do
> capitalismo: a oposição entre universalismo e nacionalismo.
>
> No solo e no interior das fronteiras de cada moeda nacional, a crise
do
> dinheiro se manifesta como deflação (desvalorização do patrimônio pela
> desvalorização de papéis como ações etc.) ou como inflação
> (desvalorização da própria moeda). Esse estado de coisas se desenvolve
> para atingir a forma de crise monetária na relação das diferentes
> designações nacionais de moeda entre si. A unidade monetária,
> deflacionada ou inflacionada em grande medida, cai em relação a
outras;
> falando-se em divisas, ela tem, portanto, menos valor. Como a crise
> interna da moeda, também essa crise pode assumir formas dramáticas nas
> relações exteriores, sobretudo na relação com a moeda hegemônica.
>
> Como todas as moedas importantes até 1914 se baseavam no padrão-ouro,
a
> crise do dinheiro não podia se tornar manifesta nessa época. Se havia
na
> industrialização menores surtos deflacionários (o crash das ações dos
> bons tempos da economia alemã de fins do século 19), por outro lado,
> porém, não havia nem inflação nem crises monetárias, já que as moedas
> eram expressas de modo uniforme em ouro. O ouro (não amoedado) não era
> dinheiro, mas constituía o ponto de referência geral e tudo o que
estava
> por trás do dinheiro. Por essa razão o papel desempenhado pela moeda
> hegemônica (naquele tempo, a libra esterlina) não era tão importante:
o
> meio de reserva de fato era, isto sim, o ouro, que também servia como
> medida para as transações internacionais.
>
> Mas, com a progressiva evolução das forças produtivas e a forte
> ampliação de transações de circulação de mercadorias e de capitais, o
> vínculo das moedas nacionais com limitadas quantias de ouro não pôde
> mais se sustentar. A economia de guerra do tempo das guerras mundiais,
> nesse sentido, abriu o caminho final do pendente lastro em ouro. Por
> fim, em 1973 o presidente Nixon ceifou a convertibilidade do dólar em
> ouro.
>
> Como nova moeda hegemônica global da "pax americana", o dólar
tornou-se
> justamente por isso ainda mais importante. Pois, na relação das muitas
> moedas nacionais entre si, é necessária uma medida de comparação de
> validade geral. Como essa agora não podia mais ser dada pelo ouro nem
em
> nível geral nem como base do dólar, o dólar teve de tomar seu lugar:
> transformou-se no "ouro" de um frágil sistema monetário internacional.
>
> Mas em que consiste afinal o "ouro" do dólar? No lugar de uma
substância
> econômica, surgiu simbolicamente o aparato militar dos EUA, sem
> concorrentes, como "salvaguarda" do capital, em nível global, a qual
> desde então teve de se constituir em garantia de segurança da moeda
> hegemônica.
>
> No processo de crise da terceira revolução industrial, desde os anos
80,
> agora a crise global do dinheiro, que havia se insinuado já nos tempos
> das guerras mundiais, torna-se, aos surtos, evidente. A globalização
> ligada a ela surge como novo e adicional fator de conflito também no
> nível da forma dinheiro. Enquanto a administração econômica das
empresas
> se dispersa molecularmente e se reagrega transnacionalmente, seguindo
a
> queda de custos em nível global, o dinheiro continua congelado na
forma
> nacional da moeda corrente.
>
> As moedas do Terceiro Mundo foram, em sua maioria, periodicamente
> inflacionadas; muitos países tiveram de abrir mão da própria soberania
> monetária e vincular o dólar à designação de seu dinheiro; uma série
> inteira de moedas nacionais perdeu até mesmo sua função de dinheiro e
> circula somente como "moeda da pobreza" entre os excluídos. Com o iene
> japonês, uma moeda central foi posta sob choque de deflação.
>
> Não apenas de modo conjuntural mas também monetário, a economia
mundial
> depende agora unicamente dos EUA. Porém mesmo essa última coluna de
> sustentação balança, tanto em termos de economia interna quanto do
ponto
> de vista simbólico, no que diz respeito à "salvaguarda" da moeda
> hegemônica. Na mesma medida em que as bolhas financeiras estouram, os
> EUA podem não mais absorver os excedentes de mercadorias e fluxos de
> capital globais. Simultaneamente, porém, também a função econômica
> indireta do aparato militar americano se fragiliza.
>
> Em ambas as guerras da ordem mundial nos anos 90, quando no golfo
> Pérsico e na ex-Iugoslávia se punha contra exércitos regulares munidos
> de tecnologia convencional de segunda categoria, a superioridade
militar
> havia conseguido se preservar ainda como polícia mundial e com isso,
> também, como garantia simbólica para a função monetária do dólar.
>
> Mas o novo tipo de guerra do século 21, da forma como se manifesta
desde
> o dia 11 de setembro, ameaça exigir demais do aparato militar
> "high-tech" norte-americano; pode sobrepujá-lo. Pela primeira vez se
> demonstrou a eminente vulnerabilidade da última potência mundial, que
> agora não se vê mais desafiada por uma força adversária exterior, mas
> sim por um inimigo quase inatingível, que faz voltar os próprios meios
> dessa potência contra ela mesma. Também nas montanhas do Afeganistão a
> delicada guerra eletrônica pode dar em nada.
>
> Assim, a moeda hegemônica se vê pressionada em ambos os flancos: de um
> lado, o dólar ameaça, na economia interna, ser ao mesmo tempo
> deflacionado (crash do valor das ações) e inflacionado (crescimento
> vertiginoso dos volumes de dinheiro por excessivas reduções nas taxas
de
> juros, mediante alto endividamento); de outro, torna-se discutível
> também sua garantia simbólica pelo "ouro" da funcionalidade de polícia
> mundial, porque os processos de crise em âmbito global começam a
escapar
> à capacidade de controle não apenas econômica mas também
> político-militar dos EUA. Qualquer outra moeda despencaria em seu
valor
> extrínseco relativo. Na falta de uma outra referência, porém, isso não
é
> possível com a moeda hegemônica do sistema financeiro global.
>
>
> Fuga para os bens
>
> À última potência mundial corresponde a última moeda hegemônica. Pois
o
> euro não pode tomar o lugar do dólar. Nem sua zona de circulação está
em
> condições de substituir os EUA na absorção dos fluxos de mercadorias e
> de capitais nem a União Européia pode assumir o papel dos EUA de
> potência da ordem mundial. Primeiro, ela não possui a menor capacidade
> de desenvolver um aparato militar equivalente; depois, este seria,
como
> o americano, igualmente inútil contra o novo tipo de guerra.
>
> É só uma questão de tempo até que os mercados financeiros tenham de
> reagir, no caso de os EUA não poderem se reabilitar. A fuga em relação
> ao dólar só pode, na falta de alternativas, terminar em fuga mundial
> rumo a bens de valor real e em hiperinflação global.
>
> A crise do dólar que temos à vista surgirá como a maior crise mundial
do
> dinheiro na história. A nova configuração do terror foi apenas um
> prelúdio dessa nova configuração de crise.
>
> ___________
> Robert Kurz é sociólogo e ensaísta alemão, autor de "Os Últimos
> Combates" (ed. Vozes) e "O Colapso da Modernização" (ed. Paz e Terra).
> Ele escreve mensalmente na seção "Autores", do Mais!, na Folha de
> S.Paulo.
>
> Tradução de Marcelo Rondinelli.
>
>
>
> ########################
>
>
> Esta é a lista internacional ESKUERRA (esquerda / izquierda na forma
original proto-romance).
>
> ASSINAR/SUSCRIBIRTE: envía msg/msj COMPLETAMENTE VACÍO (EN BLANCO)
en la línea de subject (asunto) y en el cuerpo del mensaje para
> eskuerra-subscribe en yahoogroups.com y CONFIRMA MEDIANTE REPLY en el
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>
> SAIR/SALIR: exactamente lo mismo / o mesmo, pero unsubscribe en vez
de subscribe
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> MODO DIGESTO DIÁRIO: o mesmo, para eskuerra-digest en yahoogroups.com
> MODO SÓ/SÓLO WEB: o mesmo, para eskuerra-nomail en yahoogroups.com
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>
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concisamente o que contém a msg. Não/No uses acentos, cedilha e til
nessa linha, para evitar torná-la ilegível / para evitar que se vuelva
ilegible. Ao dar reply ou forward, elimina o desnecessário na msg
alheia / en el msj ajeno, inclusive este rodapé padronizado, e tira /
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etc. e o excesso de Re. Evita msj superior a 5O KB: envialo
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