[R-P] Celadas contra el PT

Susana Lischinsky lischinsky en uol.com.br
Sab Jun 29 13:52:44 MDT 2002


Publicado en el Hora do Povo del 28 de junio

Bando de Serra mente a juiz e usa a PF para tocaiar o PT

Enviaram lista ao juiz pedindo autorização para o grampo alegando falsamente
se tratar de investigação sobre "tráfico de drogas"
Em nossa última edição, descrevemos como Serra e sua quadrilha caçaram em
Santo André um pobre-coitado, irmão ressentido e doentio do falecido
prefeito Celso Daniel, para usá-lo em uma repugnante infâmia contra o
próprio Celso e o PT.
Não foi a primeira vez. Desde que Serra montou um antro de arapongagem  no
Ministério da Saúde, tendo por chefe o delegado Marcelo Itagiba - na época
afastado da PF em virtude de um conflito com o então diretor daquela
instituição, Vicente Chelotti - até o ministro Paulo Renato, apesar de
tucano e fernandista, porém pretendente a candidato do PSDB, foi vítima de
chantagem e extorsão por parte dessa quadrilha.
Pois na segunda-feira líderes do PT apresentaram em São Paulo uma série de
documentos e cópias de ofícios assinados por funcionários da Polícia Federal
que comprovam a utilização da instituição para enganar um juiz e grampear os
telefones de vários integrantes do partido em Santo André, entre eles o do
prefeito João Avamileno - que assumiu o cargo depois do assassinato de Celso
Daniel - além de familiares de dirigentes do partido e, em poucas palavras,
Deus e o mundo, contanto que Deus e o mundo tivessem alguma relação, seja de
que espécie for, com as lideranças do PT.
ACHAQUE
O diretor da PF é Itanor Carneiro, escancaradamente ligado a Serra.
Policiais federais ouvidos pelo HP denunciaram o uso da PF para os
interesses eleitorais de Serra - ou seja, para difamar e achacar
adversários. A polícia, evidentemente, existe para policiar, ou seja,
combater o crime e os criminosos. Serra, sob a cobertura de Fernando
Henrique, enquanto a criminalidade imerge o país num tiroteio permanente, a
usaram - e a usam - para sua atividade de gângster, ou seja, exatamente para
cometer um crime em prol de continuar a cometer outros, pois outro não é o
objetivo dessa malta senão continuar roubando e entregando o Brasil.
Nada havia contra os que foram grampeados. Não havia motivo algum para
instalar escutas - ou seja, eles não eram acusados, nem mesmo suspeitos de
nenhum crime ou delito. Foram grampeados exclusivamente porque eram do PT,
partido ao qual pertence o candidato preferido pelo eleitorado, Luís Inácio
Lula da Silva, e Serra queria alguma coisa para difamar Lula e o seu
partido, até porque sabe que não tem a menor chance contra ele. É verdade,
também, que Serra nada obteve além de um maluco - aliás, se teve de recorrer
a isso, deve ser justamente porque a espionagem foi um fracasso.
Como não havia motivo algum para grampeá-los, a quadrilha serrista incluiu
seus telefones numa lista de 50 pessoas, pedindo ao juiz que autorizasse a
escuta por se tratar de uma investigação sobre "tráfico de drogas". É isso o
que está nos ofícios assinados pelo delegado Marcelo Vieira Godoy, e
dirigidos ao juiz Maurício Lemos Porto Alves, omitindo a quem pertenciam as
linhas telefônicas cujos números eram mencionados nos ofícios. O juiz
autorizou o grampo porque neles era dito que esses telefones "estariam sendo
utilizados sistematicamente como meio de contato na articulação de
organização criminosa, atuando junto ao tráfico de drogas".
Até agora, 41 números de telefone foram identificados: além dos telefones do
prefeito de Santo André, foram grampeados os da namorada de Celso Daniel,
Ivone de Santana, de vários secretários da Prefeitura, do ex-secretário e
principal assessor de Celso Daniel, Gilberto Carvalho, da sogra e da mãe do
secretário de Serviços Municipais, Klinger Luiz de Souza - além do seu
celular - e os telefones de uma série de empresários que venceram licitações
na administração da cidade. Um deles, dono de uma pequena empresa em São
Bernardo do Campo, mostrou à imprensa os contratos que tinha com a
Prefeitura, que montavam ao máximo de R$ 400 (quatrocentos reais), e
anunciou que tomará providências jurídicas contra a ação criminosa da
quadrilha serrista. Foram também grampeados alguns telefones de advogados de
empresários.
A explicação do governo, através de um porta-voz da PF, foi a de que o
pedido de escuta foi feito sem que se soubesse de quem eram os telefones. E
que grampeou-os por causa de uma "denúncia anônima" que a PF - isto é, os
serristas infiltrados nela - não teve tempo de verificar. Que trata-se de
cinismo e de mentira, é evidente. Até porque não haveria qualquer
dificuldade em saber de quem eram os telefones - bastaria checar com a
companhia telefônica a qual os números pertenciam. Cá entre nós, amigo
leitor, essa história de que a PF, na qual as verbas não estão sobrando,
grampeia 50 telefones de uma só vez com base em "denúncias" sem pé nem
cabeça, vindas não se sabe de onde, e sem verificar de quem são os telefones
por falta de tempo, é tão imbecil, tão idiota, que nos dispensamos de
maiores considerações a respeito.
CADEIA
Até porque, um dos documentos apresentados pelos dirigentes do PT é um
documento interno da PF intitulado "Operação Távola Redonda", sobre o
inquérito aberto para investigar o assassinato de Celso Daniel, em que os
números dos telefones cujos sigilos haviam sido quebrados aparecem ao lado
dos nomes por extenso dos titulares de cada linha telefônica. "Considero que
o juiz foi enganado pelo delegado, que informou que se tratava de uma
investigação sobre o tráfico de drogas", afirmou o advogado e deputado
federal Luiz Greenhalgh.
Nunca, evidentemente, houve nada parecido em toda a História do país. Nem na
época da ditadura. Perto disso, todos os delitos de Collor e cia. são ações
filantrópicas - nesse tempo, por sinal, a PF teve toda a liberdade para
investigar e atuar, e nunca se tentou usá-la contra os adversários do então
presidente. Talvez por isso o impeachment foi suficiente. Quanto a Serra e
seus sequazes, só a cadeia, e cadeia dura, é adequada a esse bando de
escroques, pulhas e desclassificados.
ALESSANDRO RODRIGUES
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