[R-P] Carta de Lula

Julio Fernández Baraibar julfb en alternativagratis.com.ar
Lun Jun 24 22:18:59 MDT 2002


Y acá les envío la carta de Lula que les dije que les enviaba y me
olvidé de agregar.

Julio Fernández Baraibar
julfb en sinectis.com.ar



>
> O candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da
Silva, divulgou neste sábado, 22, em São Paulo a "Carta ao povo
brasileiro". No documento ele traça um perfil da atual conjuntura
política e econômica do país e firma compromissos pela produção, pelo
emprego e por justiça social, que deverão ser alcançados após uma lúcida
e criteriosa transição que depende de mudanças corajosas e responsáveis.
Leia a seguir a íntegra da carta:
>
>
> CARTA AO POVO BRASILEIRO
>
> O Brasil quer mudar. Mudar para crescer, incluir, pacificar. Mudar
para conquistar o desenvolvimento econômico que hoje não temos e a
justiça social que tanto almejamos. Há em nosso país uma poderosa
vontade popular de encerrar o atual ciclo econômico e político.
>
> Se em algum momento, ao longo dos anos 90, o atual modelo conseguiu
despertar esperanças de progresso econômico e social, hoje a decepção
com os seus resultados é enorme. Oito anos depois, o povo brasileiro faz
o balanço e verifica que as promessas fundamentais foram descumpridas e
as esperanças frustadas.
>
> Nosso povo constata com pesar e indignação que a economia não cresceu
e está muito mais vulnerável, a soberania do país ficou em grande parte
comprometida, a corrupção continua alta e, principalmente, a crise
social e a insegurança tornaram-se assustadoras.
>
> O sentimento predominante em todas as classes e em todas as regiões é
o de que o atual modelo esgotou-se. Por isso, o país não pode insistir
nesse caminho, sob pena de ficar numa estagnação crônica ou até mesmo de
sofrer, mais cedo ou mais tarde, um colapso econômico, social e moral.
>
> O mais importante, no entanto, é que essa percepção aguda do fracasso
do atual modelo não está conduzindo ao desânimo, ao negativismo, nem ao
protesto destrutivo. Ao contrário: apesar de todo o sofrimento injusto e
desnecessário que é obrigada a suportar, a população está esperançosa,
acredita nas possibilidades do país, mostra-se disposta a apoiar e a
sustentar um projeto nacional alternativo, que faça o Brasil voltar a
crescer, a gerar empregos, a reduzir a criminalidade, a resgatar nossa
presença soberana e respeitada no mundo.
>
> A sociedade está convencida de que o Brasil continua vulnerável e de
que a verdadeira estabilidade precisa ser construída por meio de
corajosas e cuidadosas mudanças que os responsáveis pelo atual modelo
não querem absolutamente fazer. É nítida a preferência popular pelos
candidatos de oposição que têm esse conteúdo de superação do impasse
histórico nacional em que caímos, de correção dos rumos do país.
>
> A crescente adesão à nossa candidatura assume cada vez mais o caráter
de um movimento em defesa do Brasil, de nossos direitos e anseios
fundamentais enquanto nação independente. Lideranças populares,
intelectuais, artistas e religiosos dos mais variados matizes
ideológicos declaram espontaneamente seu apoio a um projeto de mudança
do Brasil. Prefeitos e parlamentares de partidos não coligados com o PT
anunciam seu apoio. Parcelas significativas do empresariado vêm somar-se
ao nosso projeto. Trata-se de uma vasta coalizão, em muitos aspectos
suprapartidária, que busca abrir novos horizontes para o país.
>
> O povo brasileiro quer mudar para valer. Recusa qualquer forma de
continuísmo, seja ele assumido ou mascarado. Quer trilhar o caminho da
redução de nossa vulnerabilidade externa pelo esforço conjugado de
exportar mais e de criar um amplo mercado interno de consumo de massas.
Quer abrir o caminho de combinar o incremento da atividade econômica com
políticas sociais consistentes e criativas. O caminho das reformas
estruturais que de fato democratizem e modernizem o país, tornando-o
mais justo, eficiente e, ao mesmo tempo, mais competitivo no mercado
internacional. O caminho da reforma tributária, que desonere a produção.
Da reforma agrária que assegure a paz no campo. Da redução de nossas
carências energéticas e de nosso déficit habitacional. Da reforma
previdenciária, da reforma trabalhista e de programas prioritários
contra a fome e a insegurança pública.
>
> O PT e seus parceiros têm plena consciência de que a superação do
atual modelo, reclamada enfaticamente pela sociedade, não se fará num
passe de mágica, de um dia para o outro. Não há milagres na vida de um
povo e de um país.
>
> Será necessária uma lúcida e criteriosa transição entre o que temos
hoje e aquilo que a sociedade reivindica. O que se desfez ou se deixou
de fazer em oito anos não será compensado em oito dias. O novo modelo
não poderá ser produto de decisões unilaterais do governo, tal como
ocorre hoje, nem será implementado por decreto, de modo voluntarista.
Será fruto de uma ampla negociação nacional, que deve conduzir a uma
autêntica aliança pelo país, a um novo contrato social, capaz de
assegurar o crescimento com estabilidade.
>
> Premissa dessa transição será naturalmente o respeito aos contratos e
obrigações do país. As recentes turbulências do mercado financeiro devem
ser compreendidas nesse contexto de fragilidade do atual modelo e de
clamor popular pela sua superação.
>
> À parte manobras puramente especulativas, que sem dúvida existem, o
que há é uma forte preocupação do mercado financeiro com o mau
desempenho da economia e com sua fragilidade atual, gerando temores
relativos à capacidade de o país administrar sua dívida interna e
externa. É o enorme endividamento público acumulado no governo Fernando
Henrique Cardoso que preocupa os investidores.
>
> Trata-se de uma crise de confiança na situação econômica do país, cuja
responsabilidade primeira é do atual governo. Por mais que o governo
insista, o nervosismo dos mercados e a especulação dos últimos dias não
nascem das eleições.
>
> Nascem, sim, da graves vulnerabilidades estruturais da economia
apresentadas pelo governo, de modo totalitário, como o único caminho
possível para o Brasil. Na verdade, há diversos países estáveis e
competitivos no mundo que adotaram outras alternativas.
>
> Não importa a quem a crise beneficia ou prejudica eleitoralmente, pois
ela prejudica o Brasil. O que importa é que ela precisa ser evitada,
pois causará sofrimento irreparável para a maioria da população. Para
evitá-la, é preciso compreender que a margem de manobra da política
econômica no curto prazo é pequena.
>
> O Banco Central acumulou um conjunto de equívocos que trouxeram perdas
às aplicações financeiras de inúmeras famílias. Investidores não
especulativos, que precisam de horizontes claros, ficaram intranqüilos.
E os especuladores saíram à luz do dia, para pescar em águas turvas.
>
> Que segurança o governo tem oferecido à sociedade brasileira? Tentou
aproveitar-se da crise para ganhar alguns votos e, mais uma vez,
desqualificar as oposições, num momento em que é necessário
tranqüilidade e compromisso com o Brasil.
>
> Como todos os brasileiros, quero a verdade completa. Acredito que o
atual governo colocou o país novamente em um impasse. Lembrem-se todos:
em 1998, o governo, para não admitir o fracasso do seu populismo
cambial, escondeu uma informação decisiva. A de que o real estava
artificialmente valorizado e de que o país estava sujeito a um ataque
especulativo de proporções inéditas.
>
> Estamos de novo atravessando um cenário semelhante. Substituímos o
populismo cambial pela vulnerabilidade da âncora fiscal. O caminho para
superar a fragilidade das finanças públicas é aumentar e melhorar a
qualidade das exportações e promover uma substituição competitiva de
importações no curto prazo.
>
> Aqui ganha toda a sua dimensão de uma política dirigida a valorizar o
agronegócio e a agricultura familiar. A reforma tributária, a política
alfandegária, os investimentos em infra-estrutura e as fontes de
financiamento públicas devem ser canalizadas com absoluta prioridade
para gerar divisas.
>
> Nossa política externa deve ser reorientada para esse imenso desafio
de promover nossos interesses comerciais e remover graves obstáculos
impostos pelos países mais ricos às nações em desenvolvimento.
>
> Estamos conscientes da gravidade da crise econômica. Para resolvê-la,
o PT está disposto a dialogar com todos os segmentos da sociedade e com
o próprio governo, de modo a evitar que a crise se agrave e traga mais
aflição ao povo brasileiro.
>
> Superando a nossa vulnerabilidade externa, poderemos reduzir de forma
sustentada a taxa de juros. Poderemos recuperar a capacidade de
investimento público tão importante para alavancar o crescimento
econômico.
>
> Esse é o melhor caminho para que os contratos sejam honrados e o país
recupere a liberdade de sua política econômica orientada para o
desenvolvimento sustentável.
>
> Ninguém precisa me ensinar a importância do controle da inflação.
Iniciei minha vida sindical indignado com o processo de corrosão do
poder de compra dos salários dos trabalhadores.
>
> Quero agora reafirmar esse compromisso histórico com o combate à
inflação, mas acompanhado do crescimento, da geração de empregos e da
distribuição de renda, construindo um Brasil mais solidário e fraterno,
um Brasil de todos.
>
> A volta do crescimento é o único remédio para impedir que se perpetue
um círculo vicioso entre metas de inflação baixas, juro alto, oscilação
cambial brusca e aumento da dívida pública.
>
> O atual governo estabeleceu um equilíbrio fiscal precário no país,
criando dificuldades para a retomada do crescimento. Com a política de
sobrevalorização artificial de nossa moeda no primeiro mandato e com a
ausência de políticas industriais de estímulo à capacidade produtiva, o
governo não trabalhou como podia para aumentar a competitividade da
economia.
>
> Exemplo maior foi o fracasso na construção e aprovação de uma reforma
tributária que banisse o caráter regressivo e cumulativo dos impostos,
fardo insuportável para o setor produtivo e para a exportação
brasileira.
>
> A questão de fundo é que, para nós, o equilíbrio fiscal não é um fim,
mas um meio. Queremos equilíbrio fiscal para crescer e não apenas para
prestar contas aos nossos credores.
>
> Vamos preservar o superávit primário o quanto for necessário para
impedir que a dívida interna aumente e destrua a confiança na capacidade
do governo de honrar os seus compromissos.
>
> Mas é preciso insistir: só a volta do crescimento pode levar o país a
contar com um equilíbrio fiscal consistente e duradouro. A estabilidade,
o controle das contas públicas e da inflação são hoje um patrimônio de
todos os brasileiros. Não são um bem exclusivo do atual governo, pois
foram obtidos com uma grande carga de sacrifícios, especialmente dos
mais necessitados.
>
> O desenvolvimento de nosso imenso mercado pode revitalizar e
impulsionar o conjunto da economia, ampliando de forma decisiva o espaço
da pequena e da microempresa, oferecendo ainda bases sólidas para
ampliar as exportações. Para esse fim, é fundamental a criação de uma
Secretaria Extraordinária de Comércio Exterior, diretamente vinculada à
Presidência da República.
>
> Há outro caminho possível. É o caminho do crescimento econômico com
estabilidade e responsabilidade social. As mudanças que forem
necessárias serão feitas democraticamente, dentro dos marcos
institucionais. Vamos ordenar as contas públicas e mantê-las sob
controle. Mas, acima de tudo, vamos fazer um Compromisso pela Produção,
pelo emprego e por justiça social.
>
> O que nos move é a certeza de que o Brasil é bem maior que todas as
crises. O país não suporta mais conviver com a idéia de uma terceira
década perdida. O Brasil precisa navegar no mar aberto do
desenvolvimento econômico e social. É com essa convicção que chamo todos
os que querem o bem do Brasil a se unirem em torno de um programa de
mudanças corajosas e responsáveis.
>
> Luiz Inácio Lula da Silva
>
> São Paulo, 22 de junho de 2002
>
>
>
> ########################
>
>
> Esta é a lista  internacional ESKUERRA (esquerda / izquierda na forma
original proto-romance).
>
> ASSINAR/SUSCRIBIRTE:   envía msg/msj COMPLETAMENTE VACÍO (EN BLANCO)
en la línea de subject (asunto)  y en el cuerpo del mensaje para
>  eskuerra-subscribe en yahoogroups.com  y  CONFIRMA MEDIANTE REPLY en el
mensaje que el sistema inmediatamente te enviará.
>
> SAIR/SALIR:  exactamente lo mismo / o mesmo, pero unsubscribe en vez
de subscribe
>
> MODO DIGESTO DIÁRIO:   o mesmo, para  eskuerra-digest en yahoogroups.com
> MODO SÓ/SÓLO WEB:   o mesmo, para eskuerra-nomail en yahoogroups.com
>
> Arquivo/Archivo:      http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra
>
> A linha / La línea de subject (assunto) deve dizer / decir objetiva e
concisamente o que contém a msg.  Não/No uses acentos, cedilha e til
nessa linha, para evitar torná-la ilegível / para evitar que se vuelva
ilegible.   Ao dar reply ou forward, elimina o desnecessário na msg
alheia / en el msj ajeno, inclusive este rodapé padronizado, e tira /
quita da linha de subject [ESK] ou a identificação da outra lista, Fw
etc. e o excesso de  Re.   Evita msj superior a 5O KB:  envialo
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