[R-P] COLONIALISMO EM PROCESSO
Mario Jose de lima
mjlima en uol.com.br
Sab Jun 1 09:58:39 MDT 2002
São Paulo, sábado, 01 de junho de 2002
CLÓVIS ROSSI
Quem é subversivo?
SÃO PAULO - A Argentina deu mais um firme passo, anteontem, na direção da
volta à condição de colônia. Refiro-me à revogação pelo Senado da Lei de
Subversão Econômica, conforme ordens baixadas pelo Fundo Monetário
Internacional.
O alarido em torno da lei pode dar a impressão de que ela foi inventada
recentemente, no meio do tumulto criado pela falência do modelo de câmbio
fixo. Mas não. Ela foi originalmente introduzida em 1974, no último dos três
governos do general Juan Domingo Perón (que morreu nesse mesmo ano, ainda
presidente).
Tempos, é bom lembrar, em que a Argentina crescia e criava empregos em
quantidade suficiente não apenas para atender aos argentinos mas para atrair
paraguaios, bolivianos, uruguaios, enfim, os habitantes de países mais
pobres que a Argentina.
Conforme Janaína Figueiredo, a correspondente de "O Globo" em Buenos Aires,
o artigo que mais preocupava o governo e irritava os organismos
internacionais de crédito era o que previa "prisão de até seis anos e multa
de 75 mil a 5 milhões de pesos para aquele que, com ânimo de lucro, ou
maliciosamente, com risco para o normal desenvolvimento de um
estabelecimento comercial, industrial, agropecuário, mineiro ou destinado à
prestação de serviços, afetar indevidamente, destruir o valor de
matérias-primas, produtos de qualquer natureza, máquinas ou equipamentos e
comprometer sem justificativa seu patrimônio".
Honestamente, caro leitor, o que há de tão ruim nessa regra? O máximo que se
pode dizer é que impede um capitalismo predatório, se houver um governo e um
sistema judicial dispostos a aplicá-la, o que não aconteceu na Argentina -e
menos ainda aconteceria agora, em que pura e simplesmente não há governo.
O fato é que a "modernidade", tal como defendida pelos ideólogos do chamado
pensamento único, devolveu a Argentina ao mais remoto passado, o passado de
colônia.
Convém também não esquecer que o pensamento único não colonizou apenas a
Argentina.
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