[R-P] Crash contable en USA: preludio de crisis y nueva era?
Nestor Gorojovsky
nestorgoro en fibertel.com.ar
Mie Jul 31 17:35:07 MDT 2002
Una muy interesante reflexión sobre la coyuntura que se abre con los
cracks del maquillaje contable. Todo esto, nuevamente, en estrecha
vinculación con los límites del circuito "dinero-más dinero" como ley
básica del último período de existencia del sistema imperialista
mundial.
Para el autor, estamos en las vísperas de un debilitamiento profundo
de la unipolaridad yanqui, y que es conveniente empezar a pensar
estrategias en ese sentido. Personalmente, concuerdo con este último
planteo. Ojalá que no nos equivoquemos.
De la lista listageografia en yahoogrupos.com.br:
Data: Tue, 30 Jul 2002 12:46:15 -0300
De: "William Rosa Alves" <wralves.bhz en terra.com.br>
Assunto: 'O estouro da bolha e o destino do Brasil' de César
Benjamin
Convivas.
Segue mais uma boa pitada na conturbada conjuntura... Não consegui
acertar
o tamanho da letra e talvez apareça diferenciado. De William -
Geografia
da UFMG; AGB-BH. Aquele Abraço.
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O estouro da bolha e o destino do Brasil
César Benjamin - autor de A opção brasileira (Contraponto Editora,
1998,
nona edição) e integra a coordenação nacional do Movimento Consulta
Popular.
Nos últimos anos, o debate sobre o sistema econômico internacional
girou
em torno de duas posições extremas e antagônicas. De um lado estavam
os
que descreviam, com grande otimismo, a criação de uma "nova economia"
capitalista, baseada em uma revolução científica e tecnológica que
passara
a permitir uma acumulação leve e flexível, sem grande imobilização de
capital em plantas rígidas. Associada a políticas econômicas muito
mais
precisas e a ganhos crescentes de produtividade, essa nova economia
havia
colocado sob controle os ciclos tradicionais. Para consolidar a
tendência
a um desenvolvimento capitalista contínuo e sem sustos, era
necessário
tão-somente remover obstáculos políticos herdados da fase anterior
(intervencionismo estatal, legislações trabalhistas e
previdenciárias,
sindicatos atuantes, etc.). Daí o papel atribuído às políticas
neoliberais
na construção dessa nova ordem.
De outro lado, pensadores de inspiração marxista apontavam um cenário
inverso: a acumulação de capital fictício tornara-se desproporcional
em
relação aos circuitos da produção real, o sistema apresentava
crescente
dificuldade de incorporar trabalho vivo, criador de valor, e as
tendências
à superprodução se acumulavam - tudo isso convergindo para uma grave
crise
iminente.
Defendi, nesse debate, que as posições desse segundo grupo continham
os
elementos mais verdadeiros, mas eram insuficientes para descrever a
dinâmica real do sistema. Pois o capitalismo assumira uma
configuração
que, ao lado de uma tendência à crise, repunha dinamicamente a
possibilidade de adiamento dessa mesma crise. Essa configuração era
marcada pela presença de três "anomalias".
A primeira: a economia mais importante do mundo passara a funcionar
com
déficits externos colossais e tornados permanentes. Há muitos anos,
como
se sabe, o déficit comercial norte-americano tem-se situado na casa
dos
US$ 400 bilhões por ano. Para perceber a enormidade desse número,
basta
lembrar que, quando o déficit comercial brasileiro atingiu "apenas"
US$ 8
bilhões por ano, nosso país - que não é pequeno - mergulhou em crise
aguda, que forçou a mudança de seu regime cambial.
Só podíamos compreender esse padrão de funcionamento da economia
norte-americana, aparentemente inviável, quando o observávamos junto
com
uma segunda anomalia do sistema: essa economia gigantesca e altamente
deficitária emite, sem lastro e sem regras de emissão, a moeda do
mundo.
Por isso, sua capacidade de endividamento tem sido incrivelmente
elástica,
em uma escala quase impensável nos moldes tradicionais. Recordemos
como
chegamos a isso: ao transformar o dólar em moeda de referência
internacional, a Conferência de Bretton Woods (1944) entregou o
controle
da emissão monetária da economia capitalista mundial aos Estados
Unidos,
mas impôs a este país duas regras de emissão: a conversibilidade
dólar-ouro e a paridade fixa entre os dois. Ambas as regras foram
garantidas em tratado internacional assinado pelo Estado norte-
americano.
Criou-se assim, no após-guerra, um sistema em que a reserva
norte-americana de ouro lastreava o dólar, que por sua vez era a
referência para as demais moedas, de acordo com taxas de câmbio fixas
(ajustáveis segundo certas regras). Nesse contexto, o poder de
emissão
monetária do Estado norte-americano era contido e disciplinado, pois
a
fabricação de dólares representava a hipoteca de sua reserva de ouro
e era
limitada por ela. Em 1972, como se sabe, os Estados Unidos romperam
unilateralmente o Tratado de Bretton Woods e se descomprometeram com
as
regras de emissão nele previstas. Desvincularam o dólar e o ouro,
repudiando a conversibilidade, e em seguida desvalorizaram a moeda,
abandonando a paridade, tendo em vista recuperar a competitividade de
sua
economia. Os demais países tiveram de seguir caminho semelhante,
efetuando
suas próprias desvalorizações competitivas, logo tornadas sucessivas.
Assim, o sistema de Bretton Woods deixou de existir, dando lugar a um
"não-sistema" de moedas sem lastro e câmbios flutuantes.
Desenvolveram-se
a partir de então, vigorosamente, os processos que viriam a formar o
que
mais tarde foi chamado "globalização", especialmente a
financeirização da
riqueza, pois os mercados de câmbio (estreitamente vinculados aos de
juros) tornaram-se fontes de receitas extraordinárias para empresas,
fundos e bancos multinacionais, capazes de operar simultaneamente em
diferentes moedas e praças financeiras.
Como o sistema internacional não tinha substituto para o dólar, o
Estado
norte-americano reteve, na prática, o direito de emissão da moeda
internacional, agora porém sem ser limitado por regras definidas em
tratado. Não foi uma decisão técnica. Relacionou-se, antes de tudo,
com um
ambicioso projeto de retomada (ou reafirmação) da hegemonia
norte-americana, àquela altura ameaçada pelo vigor das economias
alemã e
japonesa reconstruídas, o poderio político-militar soviético em
aparente
ascensão e as veleidades contestadoras de grande parte do então
Terceiro
Mundo. Sem compreender esse projeto, em todas as suas dimensões
(econômica, militar, política, cultural, ideológica), nada se
compreende
da evolução da conjuntura internacional nas últimas décadas.
(Reiteremos,
de passagem, este aspecto da história: o chamado processo de
globalização
deslancha a partir do momento em que é impulsionado pelo Estado
nacional
hegemônico, em defesa de seus interesses; confundir "globalização" e
"fim
da ação dos Estados" não passa de um contra-senso.)
Ora, um Estado nacional que emite, sem regras, a moeda do mundo é uma
situação que não pode perdurar indefinidamente, pois introduz uma
assimetria profunda e estrutural nas relações internacionais. Imaginá-
la
como uma situação normal é admitir que os demais componentes do
sistema
aceitarão passivamente uma posição subordinada, o que contraria toda
a
experiência histórica. O problema central da conjuntura mundial era,
portanto, a meu ver, identificar como e quando seria quebrada essa
regalia
do Estado norte-americano, que era o verdadeiro fundamento da ordem
mundial unipolar, inviável no longo prazo.
A criação do euro colocava um dado novo, mas não resolvia a questão.
Por
que essa segunda anomalia se prolongava tanto? A resposta, a meu ver,
remetia a uma terceira anomalia: o pólo ascendente do sistema - o
Leste da
Ásia - é estruturalmente superavitário, e não poderia funcionar se
não
tivesse para onde escoar seu enorme superávit. O déficit norte-
americano -
ou seja, a necessidade de financiamento da economia norte-americana -
é
que abria espaço para a reciclagem do capital asiático sobrante e,
mais do
que isso, criava o mais importante pólo de demanda efetiva para toda
a
economia internacional.
Em artigo publicado na Revista da Sociedade Brasileira de Economia
Política, em junho de 2001, escrevi: "O que mantém em funcionamento a
ordem mundial atual, chamada de neoliberal, não é o que ela anuncia
com
sendo seu grande trunfo (o desenvolvimento tecnológico e a formação
de
uma
"nova economia"), mas sim um mecanismo tipicamente keynesiano: a
sustentação da demanda efetiva por meio da emissão de dívidas.
Emissão
incrivelmente elástica porque o mesmo agente, de um lado, se endivida
e,
de outro, fabrica a moeda (não lastreada) em que sua dívida deve ser
paga.
Este precário arranjo produz conflito no núcleo do poder mundial: a
posição especial do Estado norte-americano é mal tolerada, pois sua
hegemonia está inscrita na lógica de funcionamento do sistema, nas
próprias regras do jogo. Mas, além de conflito, também há cooperação,
pois
se o dólar desabar todos desabam, a começar pelo Japão, o grande
credor.
Eis o paradoxo: o mecanismo que mantém a economia mundial funcionando
(a
capacidade de endividamento da sociedade norte-americana) depende da
posição especial do dólar; porém, enquanto essa posição perdurar, os
Estados Unidos manterão um grau de hegemonia que não é aceitável para
os
demais participantes do grande jogo de poder mundial. Em outras
circunstâncias históricas, isso se resolveria pela guerra entre os
integrantes do núcleo do sistema, mas hoje esta possibilidade está
afastada. Assim, a atual configuração se modifica com mais lentidão,
espremida por tendências contraditórias - tendências de conflito e de
cooperação no núcleo - que não permitem uma solução rápida e radical.
A
posição do dólar é o elemento-chave para o desenlace da crise
latente."
Como se vê, minha posição continha uma crítica à visão catastrofista,
que
anunciava sempre uma crise sistêmica iminente. Ao mesmo tempo,
descrevia
uma ordem intrinsecamente instável, que nada tinha a ver com as
visões
idílicas sobre o capitalismo contemporâneo.
Por uma questão de coerência, devo emitir agora uma opinião
arriscada: a
revelação dos artifícios contábeis que mantiveram sobrevalorizada a
Bolsa
de Nova York nos últimos anos coloca em risco toda a engrenagem que
produzia o adiamento da crise sistêmica. A capacidade de
endividamento da
sociedade norte-americana e a posição especial do dólar estavam
lastreadas
principalmente nesses ativos que estão desaparecendo. Ainda não
podemos
dizer se será uma crise fulminante ou prolongada, com muitas idas e
vindas, mas podemos dizer que ela é profunda e cheia de
conseqüências.
Representará uma inflexão importante na conjuntura internacional,
dando
início a um rearranjo de longo fôlego, que ao fim e ao cabo conduzirá
a
uma nova multipolaridade, com a Europa e a China como centros
emergentes.
Quanto a nós, os periféricos, estaremos diante de novos riscos
(imensos) e
novas oportunidades. Os riscos decorrem do aumento da propensão do
Estado
norte-americano à guerra - ameaça que atualmente se restringe à sua
relação com países periféricos - e, no caso específico da América
Latina,
do apressamento na formalização da "área americana", ou "área do
dólar",
tendo a Alca como proposta articuladora. Porém, oportunidades também
surgirão. A transição da unipolaridade para uma outra configuração
multipolar aumentará os espaços de manobra daqueles países
intermediários
que conseguirem preservar significativos graus de liberdade.
O jogo se tornará mais pesado. Nosso posicionamento deve partir de
uma
premissa: é preciso impedir a todo custo que, nos estertores da ordem
unipolar, Brasil e América Latina sejam tragados pela área regional
americana. Que os nossos candidatos a presidente e os partidos que
lhes
dão sustentação não hesitem a se posicionar sobre isso.
Néstor Miguel Gorojovsky
nestorgoro en fibertel.com.ar
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"Aquel que no está orgulloso de su origen no valdrá nunca nada porque
empieza
por depreciarse a sí mismo".
Pedro Albizu Campos, compatriota puertorriqueño de todos los
latinoamericanos.
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