[R-P] ahora te llaman default/uruguay
Ceci Vieira Jurua
juruacv en montreal.com.br
Sab Jul 27 11:54:05 MDT 2002
Amigos, na linha da "memória histórica", transmito algumas informações sobre
a presidência de José Sarney que, se não teve outros méritos dignos de
reconhecimento público, foi o presidente que resistiu o máximo à dominação
neoliberal das altas finanças internacionais sobre a economia brasileira.
Rodeou-se de algumas personalidades respeitáveis, como Celso Furtado que foi
o seu Ministro da Cultura. Várias acusações lhe são dirigidas, é verdade,
mas não serei eu a julgar porque não disponho de elementos para tal. Dou
destaque a fatos que me parecem similares aos que ocorrem hoje, no Uruguai.
Cordialmente, Ceci.
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O Brasil passou por situação semelhante à do Uruguai, em 1988, quando os
juros devidos pela dívida pública interna e externa atingiram um montante
superior ao total da arrecadação tributária. A saída foi emitir dinheiro
para não interromper a cadeia de pagamentos, e a consequente hiperinflação.
Este fenômeno monetário, estreitamente vinculado ao processo de
endividamento do Estado, não teve por aqui os mesmos efeitos que em outros
países da América do Sul, porque existia entre nós a instituição que os
financistas credores destestam : a correção monetária generalizada de todos
os contratos, inclusive os contratos de trabalho. Além do mais, também os
saldos bancários estavam sujeitos à correção monetária. Todos reajustavam
os seus preços e a vida seguia mais ou menos "normal", ao final dos anos
1980.
O presidente Sarney, que governou em lugar de Tancredo Neves, foi também
levado a decretar a moratória da dívida externa em 1986-87, apesar dos
elevados saldos comerciais da balança de pagamentos. Resistiu à
privatização dos ativos estatais, contrariando assim as determinações
explícitas do FMI e do Banco Mundial em todos os seus documentos oficiais.
A privatização dos serviços públicos, patrimônio coletivo da nação,
amealhado graças à contribuição de todos os usuários desses serviços, é um
"crime inafiançável" aos olhos daquelas agências. Em primeiro lugar, porque
impede a expansão para a periferia do processo de acumulação capitalista
financeirizada segundo modelo USA, impedindo aos capitais estrangeiros o
acesso a espaços onde o monopólio permite a obtenção de rendas perenes, para
todo o sempre. Em segundo lugar, porque o processo adotado de
deslegitimação do Estado passava pelo seu debilitamento
econômico-financeiro. Finalmente, porque o modelo nacional
desenvolvimentista esteve sempre, entre nós, fundamentado no setor público
produtor de insumos estratégicos e de serviços básicos.
Além da hiperinflação, Sarney recebeu como castigo uma CPI da Corrupção.
Por ironia dessas que só a História é capaz de produzir, o presidente
daquela CPI - Senador José Ignacio - é hoje o governador do Estado do
Espírito Santo para o qual a OAB-Ordem dos Advogados do Brasil solicitou
intervenção federal, em razão da CORRUPÇÃO GENERALIZADA e do poder que as
máfias detém naquele Estado. Segundo a OAB, todos os poderes - executivo,
legislativo e judiciário - estão contaminados !
Incrível, não ? !!!!!!!
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