[R-P] Rede Brasil da Dignidade

Ceci Vieira Jurua juruacv en montreal.com.br
Jue Jul 11 08:20:23 MDT 2002


Amigos, retransmito dois artigos que me chegaram por informativo da Rede
Brasil Dignidade.   O primeiro, do veterano e respeitado jornalista
brasiliense Mauro Santayana, é um grito de alerta contra a perda de
legitimidade do governo FHC, perda de legitimidade que se inscreve, eu
acredito, na segunda etapa da dominação imperial dos Estados Unidos sobre a
América Latina -  etapa da desarticulação econômico-financeira e social.

Falar em etapas não significa visão mecanicista da história, afinal de
contas todo planejamento estratégico é montado em fases ou etapas.  Em
nossos países, o Império nos colocou, inicialmente,  uma camisa de força
representada pelo ESTRANGULAMENTO EXTERNO - a dívida impagável-, depois
procura destruir-nos internamente através dos programas de (des) ajuste
fiscal elaborados pelo FMI.  Na terceira etapa, na qual a Argentina já está
ingressando, vem um governo de fora.  Conforme Paulo Passarinho informou
hoje no Programa Faixa Livre, o FMI acabou de criar um conselho para
"assessorar" a política econômica argentina :  ex-autoridades dos bancos
centrais da ALEMANHA, CANADÁ e ESPANHA.  Se a Argentina não "aceitasse",
eles provavelmente teriam todas as condições de desencadear novamente uma
HIPERINFLAÇÃO - os donos da moeda sabem como fazer isto !

O segundo artigo é sobre a destruição da Argentina e os horrores a que seu
povo está submetido, feito por uma jornalista de rede alternativa.

Precisamos divulgar e alertar a população brasileira sobre os riscos que
estamos correndo, o Brasil hoje é a trincheira mais importante que o Império
precisa derrubar para consolidar a sua dominação sobre a América do Sul.   É
hora de defender a nossa pátria, a terra que nos dá guarida e comida, uma
terra bonita e fértil onde procura viver um povo extraordinário que sabe
sobreviver em meio a grandes dificuldades.  Mas essa terra nossa hoje é alvo
da cobiça internacional e dos norte-americanos em particular.  É hora também
de montar uma VASTA REDE DE SOLIDARIEDADE EM APOIO AOS VIZINHOS E IRMÃOS
ARGENTINOS QUE LUTAM HEROICAMENTE CONTRA OS GOVERNANTES DA NAÇÃO MAIS
PODEROSA E MAIS CRUEL DA ATUALIDADE.

Ceci.

________

 COMO DESTRUIR A NAÇÃO

 Por Mauro Santayana

 No dia 9 de maio de 1780 houve uma reunião dramática do Maggiore  Consiglio
da Sereníssima República de Veneza. A antes poderosa senhora  do
Mediterrâneo, que pagara alto preço na sua disputa com Gênova, já se
encontrava em agonia, pelo envelhecimento moral e político das  oligarquias
seculares.

 Seu presidente, o doge Polo Renier, advertiu para o perigo de esfacelamento
e lembrou seu tempo de embaixador em Viena, quando os austríacos (que
seriam mais tarde os senhores da própria Veneza) previam sua intervenção  na
Polônia, em meio a fortes desentendimentos internos.

 É dessa ocasião a expressão alemã "Pölnische Zustande" (uma situação
polonesa), para definir uma confusão qualquer.

 Polo Renier repetiu o que ouvira em Viena, na frase antecipadora: "I
signori polacchi no i voi aver giudizio i voi contender tra lori, la
giusteremo nu, se divideremo la preda, perché uno Stato che se governa  mal
da sé, chiama i forestieri a governarlo."

 Foi o que ocorreu com a milenar República. A deterioração política
facilitou  a conquista napoleônica de seus territórios, a sua entrega à
Áustria, e a  troca periódica de donos, até que, na grande vitória italiana
de 1866 (Vitorio Veneto, nome de uma rua de Roma, que um afoito jornalista
brasileiro identificou como sendo de um cineasta), a região se incorporou ao
Estado italiano.

 Veneza durou mais de mil anos, confrontando-se com uma natureza fluida,
sujeita aos ataques de piratas, mas sabendo tirar proveito até mesmo de suas
dificuldades, sobretudo na ação diplomática, posto que lhe eram escassos os
recursos militares.

 O Brasil tem 500 anos como agrupamento humano com predominância  européia e
apenas 178 anos como entidade política autônoma (ou mais ou  menos
autônoma).

 A sua existência é um acidente histórico e uma grande oportunidade
política. Reunida pelo acaso e pela empreitada colonizadora de Portugal,
uma população heterogênea ocupou um vasto território, manteve-o na astúcia
e com as armas, até que se entregasse, no fim do século 20, a aventureiros
manhosos, que disfarçam a sua ignorância com termos técnicos e poses
arrogantes.

 Um Estado que se governa mal por si mesmo chama os estrangeiros a
governá-lo, disse Polo Renier aos seus pares do Grande Conselho de Veneza.

 Nós estamos nos governando mal nos últimos 40 anos, a partir do momento em
que um presidente de emoção instável e vocação ditatorial, o sr. Janio
Quadros, tentou um golpe no vazio, que malogrou, favorecendo a interrupção
do processo de desenvolvimento político e econômico que encontrara o seu
momento maior durante o governo de seu antecessor, o
Presidente Kubitschek.

 Ainda assim, durante os governos militares, malgrado a sua violência contra
os opositores e o conluio com empresários desonrados, mantiveram- se
invioláveis importantes interesses da Nação. Reuniram-se os cabedais para a
instalação de poderosa infra-estrutura de transportes e comunicações, e -
sobretudo sob Geisel - dissemos não a Washington em várias ocasiões,
chegando mesmo a romper o acordo militar que nos impunha aliança forçada com
a república do norte.

 Estamos hoje na véspera de graves distúrbios sociais, enquanto o Governo
manipula pesquisas de opinião, esforça-se no afã de sair do labirinto fétido
e viscoso da corrupção, e repete as operações anteriores de compra de
consciências (na verdade não muito caras).

 Quando um governo perde a autoridade (e que autoridade pode ter um chefe de
Estado que se nega a submeter a administração a uma auditoria parlamentar?),
duas coisas podem acontecer, quase sempre uma depois da outra.

O primeiro resultado é o da desobediência civil, com a baderna e a anarquia
que a seguem, e o surgimento de vários caudilhos, cada um deles impondo a
ordem em seu território.

 Não tenhamos ilusões: o mundo inteiro saudaria o esquartejamento do Brasil
e disputaria o controle dos pseudo-Estados que dele surgiriam.

Para os nossos vizinhos da América, nada melhor do que 10 ou 20 Estados
independentes e divididos, do que uma federação sólida. Retornariam
reivindicações territoriais da Bolívia, do Peru, do Paraguai, da Argentina,
do Uruguai e das Guianas, provavelmente "manu militari".

 É tempo de evitar que isso ocorra. É tempo de o sr. Fernando Henrique
Cardoso cair na realidade, antes que caia da realidade.

________

 JORNALISMO SEM MÁSCARA

ARGENTINA:   UM PAÍS DE MORTOS  QUE ACOMPANHAM   SEU PRÓPRIO FUNERAL

Por Cristina Castello

Tradução de Zilton Tadeu

 A velocidade da queda da Argentina no abismo me obriga neste momento a
enviar informações rápidas em lugar de notícias.

Deixo claro que a realidade que descrevo pode mudar em poucos minutos.
Também que não posso fundamentar agora cada afirmação, exclusivamente por
falta de tempo. E isto pode piorar em segundos. Porque não existem certezas
na Argentina.

A única certeza é o desespero e a desesperança. Os motivos: este lugar do
mundo que um dia foi um país, agora já não mais o é.

Tampouco é uma Nação.

A Argentina é um ponto na mapa.

E os cidadãos participam de uma guerra na qual são protagonistas. São
vítimas. Estão desarmados e em paz.E o número de mortos é maior que  o de
paises em guerra declarada.

Vejamos alguns dados:

 - Vivemos um GENOCÍDIO.

- Vivemos uma ditadura com máscara de democracia.

 - A Argentina é um imenso Campo de Refugiados. É um gueto de Miséria. Os
anciãos são levados em cadeiras de rodas ao Banco de la Nación e o banco
central não lhes devolve os poucos dólares poupados. Dólares que o  banco
central e o Estado roubaram.

As pessoas não podem retirar o único dinheiro que têm para viver, ou para
cuidar da saúde.

Em vez disso, prendem os poupadores que se manifestam em paz na porta  das
entidades financeiras pedindo pelo dinheiro que lhes roubaram.
 ..
 80% dos poupadores têm menos de 10.000 dólares.

 Os grandes capitalistas fugiram antes do chamado "corralito financiero".  E
muitos fugiram depois, com a total conivência do banco central e do Governo.

Banco central e governo roubaram os argentinos, em clara violação da
constituição.

O dólar logo custará 20 pesos, segundo os cálculos mais realistas.

 A repressão é feroz sobre os pobres e sobre os que reclamam seus direitos.
Apenas um exemplo. Dia 21 de maio, às seis da manhã, "comandos"
encapuzados, com armamento pesado e gás lacrimogênio, invadiram quarenta e
sete casas dos bairros Illia e Villa1.11.14 de Bajo Flores. Agrediram
crianças, adultos, velhos, aleijados e jovens. Roubaram objetos de valor e o
pouco dinheiro que tinham.

Imediatamente após chegou a polícia e ameaçou os moradores com ações
similares. Prendeu vinte e duas pessoas pobres, que continuam presas e
incomunicáveis.

Seis crianças morreram ontem por falta de assistência em um hospital público
de Tucumán, província da Argentina.

Diariamente, segundo as estatísticas oficiais - 10.000 tornam-se novos
pobres (é preciso triplicar esse número para se ter noção da realidade).

A imprensa não informa sobre estes ou quaisquer outros horrores. A maioria
está nas mãos de multinacionais e de setores do poder, como o grupo Clarín,
sustentáculo da situação.
 ..
 Salvo raras exceções, o jornalismo acabou. Há pseudo jornalistas que cobram
caro para falar ou para calar. Os jornalistas sérios geralmente trabalham em
jornais alternativos ou na rede de internet.

Nós jornalistas que realmente informamos, somos discriminados e ameaçados de
morte.

 O que existe realmente é:

- Falta de Água.

- Falta de medicamentos para o PAMI (Assistência Médica aos Velhos).

- Já está faltando medicamentos para enfermos com câncer e para
transplantados.

 - Em Rosario - província da Argentina - os hospitais públicos são
obrigados a receitar ERVAS, em lugar de medicamentos. Chá quente  para a
gripe, por exemplo.

 O preço dos remédio é cruel no país, onde não há dinheiro nem para comer. A
estatística de aumentos dada pelo governo é mentirosa. Por experiência
pessoal sei que alguns aumentaram os preços em até 500%.

- Na Argentina há lepra, tuberculose, cólera e a maioria das doenças
provocadas pela miséria.

- Não há insulina. Se não chegar ajuda internacional, os diabéticos vão
morrer.

- Há 20 milhões de pessoas ABAIXO DA LINHA DE INDIGÊNCIA.

 - Isto significa que eles não têm o que comer, como cuidar da saúde, nem
como proteger-se contra um Estado que está de joelhos ante o FMI.

- Uma criança morre de fome a cada quinze minutos.

- 90% da população está sofrendo de ataques de pânico.

- Não existe no mundo um caos igual a este.

 - Argentinos que se mudaram para Israel afirmam que lá se sentam em paz.
Que a guerra está na Argentina.

- São poucas as pessoas comuns encontradas nas ruas após as 20 horas.

 - As encontradas, em sua maioria, milhares e milhares, são pessoas que
dormem na rua e remexem o lixo. Para comer.

 - A minoria já é pobre há muito tempo. A maioria pertence à "classe média".
São desempregados: profissionais liberais, comerciantes.

- Dois de cada cinco argentinos quer abandonar o país.

- A corrupção dos políticos não tem limites.

 - Já não podem sair à rua, para não serem agredidos. Pela falta de
segurança e de amparo social que o Estado nos sonega.

- Na realidade, o Estado não existe.

- 74% dos cidadãos quer que o presidente Eduardo Duhalde renuncie.

- Duhalde a toda hora ameaça renunciar, mas é pura esperteza política.

 - Na internet, Duhalde aparece em quase trezentos e-sítios - apenas em
espanhol - associado ao narcotráfico.

- Todos os políticos seguem em seus cargos. Ninguém renuncia.

 - Por quê ?  Porque roubaram tanto, tanto, que se um caisse e falasse,
todos iriam parar na cadeia.

 - Cada vez está mais difícil uma condenação aos membros da Suprema  Corte
de Justiça, acusados - na maioria de seus nove membros - de casos
gravíssimos de corrupção em aliança com o Poder.

- É verdade que a política de esvaziamento da Argentina começou há  muitos
anos e se acelerou durante a ditadura militar de 1976-1983. Ditadura  que
fez "desaparecer" (torturou, confinou em campos de concentração e
assassinou) 30.000 seres humanos.

- Mas quem leiloou o país foi Carlos Menem, durante sua presidência e pela
mão de Domingo Cavallo.

 Carlos Memem, apesar disso e das ações judiciais a que responde,  proclamou
sua candidatura a presidente e a ela está dedicado.

- O povo argentino é o piloto de provas de uma política destinada pelos
Estados Unidos a toda a América Latina.

- Para isso, os Estados Unidos já têm bases militares na Patagônia.

 - E segundo informações sérias, o plano dos Estados Unidos é  apropriar-se
também do resto do território da Argentina.

- A Corte Suprema, dependente dos governos de plantão, existe como
instrumento político para servir aos interesses desses governos. A
cidadania exige sua renúncia, mas seus nove membros seguem em seus  cargos.

 - A impiedade não tem limites.

- O terror não tem limites.

 - E ainda vai piorar.

 - Os organismos internacionais que defendem a vida deveriam intervir com a
máxima urgência.

 - Quantos são os que, de verdade, defendem a vida ?

 - Basta de palavras.

 - É preciso defender a Vida.

 - Em paz.

 - Mas com firmeza.

 Cristina Castello
www.paginadigital.com.ar/cristinacastello
cristinacastello en ifrance.com
 cristinacastello en fibertel.com.ar


50 MILHÕES DE BRASILEIROS  JÁ    SÃO    INDIGENTES,        POR   ENQUANTO...

AMIGO INTERNAUTA, ATENÇÃO: Caso estejas gostando do nosso Inform en ativo,
muito obrigado, mas não  o guardes só para ti, mais pessoas precisam lê-lo,
pois no nosso Brasil  só a imprensa alternativa está garantindo a "liberdade
de expressão".  Aproveitando o privilégio de teres internet  e amigos que
também a tem,  faz o seguinte: Remete o Inform en tivo para outros 10 e-malas
de amigos. Caso tenhas lista com mais de 10 e-malas e estejas sem condições
de abastecê-los, envia esses e-malas para > ziltontadeu en aol.com <,  pois
acabamos de adquirir novos equipamentos e programação de  última geração, e
de 500 em 500 e-malas,  já temos condições  de fazer ilimitadamente a
distribuição.







Más información sobre la lista de distribución Reconquista-Popular