[R-P] Países androides

Nestor Gorojovsky nestorgoro en fibertel.com.ar
Dom Jul 7 15:31:16 MDT 2002


Así no vale. Según parece, México exporta a EE.UU. bienes 
manufacturados de consumo final y recibe en cambio partes y piezas. A 
primera vista, estamos ante una inversión del proceso de intercambio 
desigual (el país dependiente envía productos con mayor valor 
incorporado que el país dominante). Pero a no engañarse: más allá de 
que en Méjico lo que hay son armadurías y no fábricas, además se 
trata en realidad de comercio INTRA-FIRMAS, es decir de un remedo de 
comercio. Simplemente, lo que hace la burguesía norteamericana, con 
la anuencia del gobierno mexicano, es tener en su propio territorio 
las industrias con mayor intensidad de capital fijo y exportar las 
industrias más mano de obra intensivas. Así no vale.

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De la lista eskuerra en yahoogrupos.com.br:

     Data: Sat, 6 Jul 2002 00:32:28 -0300
       De: "Luis Fernando" <l.novoa en uol.com.br>


México:  um país refeito pelas redes econômicas globais

Mary Shelley escreveu em 1816 o livro "Frankenstein, ou o Prometeu
Moderno". Nele, um médico, Dr. Victor Frankenstein, forja uma 
criatura a
partir de restos cadavéricos. O organismo ganharia "vida" depois de 
fortes
descargas elétricas. A parábola tem óbvias reverberações no campo da
clonagem, da robótica e da inteligência artificial. Mas é no campo 
das
relações econômicas internacionais, que ela pôde encontrar o seu  
terreno
mais fértil.

Tangido pela crise econômica e acossado pelos EUA, o México se tornou
objeto de uma  experiência frankensteiniana e se transformou em uma
admirável espécime de laboratório. Um exemplo de  cobaia voluntária 
bem
sucedida do projeto de integração global subordinada. No final, 
tornou-se
alvo de atenções no hemisfério por estar desempenhando muito  a 
contento o
novo papel reservado às economias capitalistas subalternas no século 
XXI.

A metamorfose tem raízes na crise da dívida em 1982, transparece
dramaticamente nos anos de desmonte e ajuste ao NAFTA a partir de 
1994, e
se concluí com o  surgimento de um novo produto-país no ano de 2001.

Essa reestruturação, em forma de via crucis, tornou-se paradigmática
especialmente para "nosotros" latino-americanos. Depois de eleito sob 
os
auspícios da plutocracia e por sobre os restos mortais da democracia
americana, George W. Bush escolheu o México para sua primeira visita
oficial. Deixava explícito desse modo o quão prioritária e 
estratégica é a
experiência mexicana para os planos dos grandes oligopólios
norte-americanos. Ali, o atual Presidente mexicano, Vicente Fox,  foi
nomeado embaixador do Império tendo como missão  promover a Área de 
Livre
Comércio das Américas(ALCA) junto a seus pares latino-americanos.


 Um exemplo mais que revelador dessa delegação é o  Plano
Puebla-Panamá/2001. O Governo Fox está negociando junto aos países da
América Central um plano de integração comercial e de infra-
estruturas  
que prevê a ampliação das redes de maquiladoras em direção ao Panamá. 
O
projeto expansionista e privatista que as elites estadunidenses 
querem
impor ao hemisfério, a Área de Livre Comércio das Américas, se 
enraiza no
México como um chamariz e uma vitrine.

O México é o país latino-americano que mais tem atraído investimentos
estrangeiros, e que tem tido o maior incremento de exportações,
especialmente de produtos manufaturados e eletrônicos. Alardeia-se 
que
nasceu um novo tigre latino-americano e os países restantes devem 
seguir
suas pegadas. Se há estagnação e  fuga de capitais na maioria dos 
países
da América Latina, no México ocorre o contrário. Com o aval e 
proteção dos
EUA, sob o arcabouço do Nafta, se tornou uma das opções mais 
rentáveis e
estáveis para os investimentos privados. As agências avaliadoras de 
risco
atestam que o produto-país é confiável e lucrativo.

Esses investimentos representam em parte a ocupação de nichos e 
mercados
residuais(como o de telefonia celular e o de serviços financeiros) na
economia mexicana, através de franquias e filiais. Trata-se da 
otimização
das redes comerciais norte-americanas alongando e potencializando seu
espectro de atuação. Isso não seria possível sem que se desmontassem
cadeias produtivas nacionais antes protegidas e subsidiadas pelo 
Estado.

 De onde então jorra a fonte da riqueza do novo México? Pistas surgem 
ao
 se analisar o comércio externo México-EUA. O primo pobre passava a 
exportar
bens de consumo duráveis(eletrônicos especialmente) para o primo rico 
que,
em troca, remetia semi-manufaturados e produtos intermediários(peças 
e
componentes). É nessa balança comercial, aparentemente favorável, que 
se
esconde o mais intenso comércio intra-firma do mundo, praticado pelas
multinacionais americanas. Não foi por acaso que as maquiladoras 
tiveram
como berço a fronteira norte, em cidades como Tijuana, Mexicali, 
Matamoros
e Ciudad Juarez.

Os atrativos são conhecidos: os trabalhadores mexicanos ganham 10 
vezes
menos e trabalham duas vezes mais que os norte-americanos, os 
impostos são
reduzidos, a fiscalização é discreta e os lucros podem passear à 
vontade,
com paradas obrigatórias nos paraísos fiscais do Caribe, antes de 
voltar
ao sólido terreno pátrio. Era o que faltava para proporcionar grande
competitividade às cadeias produtivas norte-americanas: maior
descentralização geográfica da produção para áreas de baixo custo
operacional e sob total previsibilidade e controle institucional.

O sucesso da economia mexicana correspondeu à disponibilização do seu
território, com seus recursos naturais, suas estruturas econômicas e 
sua
população,  para um replanejamento unilateral por parte das empresas
norte-americanas. Os fatores econômicos internos foram redesenhados 
como
múltiplas áreas de enclave.

Os EUA  querem compor um novo papel econômico para os países
latino-americanos. Um papel que está muito além da "nova divisão
internacional do trabalho", como se convencionou chamar o processo
descentralização das multinacionais em direção à periferia a partir 
de
1950. A exemplo do México, esses países são chamados a se
reterritorializar no interior de uma moldura transnacional onde 
existiriam
apenas como esboços em uma tela arbitrariamente desenhada e 
redesenhada de
acordo com as necessidades cambiantes e momentâneas do mercado.

As grandes redes econômicas norte-americanas pretendem criar um 
hemisfério
à sua imagem e semelhança, ou seja uma mega-rede  flexível que 
colecione
as mais variadas habilidades e competitividades, os mais distintos 
fatores
econômicos, isto é, conjuntos de mão-de-obra, reservas de matérias-
primas,
estruturas comerciais, industriais e financeiras e mercados.

 Algo vivo por definição apresenta autonomia e animação. O que é um 
país
então quando lhe retiram toda margem de autonomia e o convertem em um
eficiente e previsível acessório das grandes redes econômicas 
globais? Uma
máquina viva , uma nação geneticamente modificada,  um protótipo de 
uma
nova geração de países-andróides? Luis Fernando Novoa Garzon 
sociólogo,
professor universitário e membro da ATTAC l.novoa en uol.com.br



Néstor Miguel Gorojovsky
nestorgoro en fibertel.com.ar

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Compañeros del exercito de los Andes. 

...La guerra se la tenemos de hacer del modo que podamos: 
sino tenemos dinero, carne y un pedazo de tabaco no nos 
tiene de faltar: cuando se acaben los vestuarios, nos 
vestiremos con la bayetilla que nos trabajen nuestras mugeres, 
y sino andaremos en pelota como nuestros paisanos los indios: 
seamos libres, y lo demás no importa nada...

Jose de San Martín, 27 de julio de 1819.

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