[R-P] Salir de la financierización
Gorojovsky
Gorojovsky en arnet.com.ar
Vie Ene 25 05:27:08 MST 2002
Folha de São Paulo.
Gentileza de M. J. de Lima
São Paulo, segunda-feira, 21 de janeiro de 2002
Sair da financeirização
Será necessário reorganizar o Estado na direção democrática da
socialização da política e do poder
EMIR SADER
Dentre tantas heranças desastrosas para o país deixadas pelo governo
FHC, a financeirização do Estado e da economia é uma das mais
perigosas, pelo caráter de armadilha que pode comprometer qualquer
governo que pretenda romper com os esquemas que comandaram e ataram o Brasil ao longo da última década.
Pode-se dizer que o fracasso da Terceira Via de De la Rúa na Argentina
se deve, em última instância, a uma falta de estratégia para romper
com a hegemonia do capital financeiro, advinda da ilusão de que seria
possível "manter os compromissos" do governo Menem e ainda assim
retomar o desenvolvimento econômico, gerar empregos e privilegiar
políticas sociais.
Mentiras sobre as quais a realidade costuma se vingar, mais cedo ou
mais tarde, como vimos no país vizinho.
A desregulação -regra de ouro das políticas fiscais e sua marca
registrada- levou os capitais, sem amarras, a se deslocarem para a
especulação financeira. Afinal, o capital não é feito para produzir,
mas para acumular onde quer que encontre as melhores condições.
Desregulada a economia, os maiores retornos, em prazos menores e com menores riscos, atraíram o grosso dos capitais para a esfera
financeira, em detrimento da produtiva, sob a suposta prioridade da
estabilidade monetária como condição da retomada de um desenvolvimento cuja hora nunca chega.
No caso do Brasil, os compromissos de US$ 60 bilhões colocam o tema da renegociação da dívida como um tema central para quem quiser "não ser De la Rúa" ou, em outros termos, sair do neoliberalismo. Caso busque cumprir ess
as dívidas na forma e nos prazos definidos, estará pondo, ingenuamente ou de má-fé, os pés na armadilha da financeirização do Estado, que não fará outra coisa -como foi o caso da desastrada (para o país, não para os banco
s) gestão de Pedro Malan- senão correr para cumprir os compromissos financeiros, que não deixam de aumentar. Se já houve o sacrifício do desenvolvimento econômico, das políticas sociais e da criação de empregos, entre out
ros objetivos essenciais, por causa do único compromisso sagrado para este governo -o pagamento da dívida, não importando se fecham-se leitos em hospitais, perdem-se empregos, fecham-se empresas-, tudo é setorial em compa
ração com o "sistêmico".
Nesse sentido, são essenciais a política externa e a reforma
democrática do Estado. A primeira, para mudar as cartas do viciado
jogo internacional, em que as regras da OMC se impõem às da OIT, em
que o FMI continua a nomear ministros, definir políticas e modalidades
de pagamento das dívidas e em que o Banco Mundial faz jogos de cena
para as mesmas políticas que têm levado a desagregação social à
maioria dos países.
Será necessário colocar em funcionamento, como força autônoma e
conjugada, os grande países do sul do mundo, como a China, a Índia, a
África do Sul e o Brasil, entre outros, como protagonistas de uma
política própria, que represente com muito mais legitimidade os
interesses dos 5 bilhões de pessoas que vivem no sul do mundo ou
migraram para o norte por falta de condições mínimas de sobrevivência.
Demostrar que as grandes manifestações populares dos últimos anos
tiram legitimidade daqueles organismos internacionais revela a maior
crise social que o mundo vive desde os anos 30 do século passado e
coloca a humanidade no limite de decisões de uma virada radical nos
seus rumos ou na sua imersão num clima de confrontos e de hostilidades irreversíveis, em que a violência e a barbárie predominarão como a polaridade Bush/ Bin Laden pretende nos encerrar.
Será necessário reorganizar o Estado brasileiro na direção democrática
da socialização da política e do poder que, por exemplo, o Orçamento
participativo tem conseguido realizar, na maior conquista de políticas
públicas que o Brasil já teve. Só assim o Estado poderá cumprir suas
funções essenciais de garantia dos direitos de todos os brasileiros,
no plano interno, e de afirmação da nossa soberania, no plano externo.
Sem uma reinserção internacional do Brasil e sem uma reorganização
radicalmente democrática do Estado brasileiro, nem uma política
econômica minimamente antineoliberal poderá ser praticada. Não será
possível sair da herança nefasta da financeirização, que passa
necessariamente pela renegociação das dívidas que este governo lega ao Brasil como testemunho de que foi financiado pelo capital especulativo e governa para o capital especulativo -e por isso é amado pelos banqueiros e od
iado pelos professores, entre tantas outras categorias.
Sair da financeirização, para romper com o neoliberalismo e construir
um Brasil solidário e democrático, social, política e culturalmente, é
o maior objetivo de um governo de oposição.
Emir Sader, 58, é professor de sociologia da USP e da Uerj e autor de
"Século 20 - uma Biografia Não-Autorizada" (Perseu Abramo), entre
outras obras.
Néstor Miguel Gorojovsky
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Compañeros del exercito de los Andes.
...La guerra se la tenemos de hacer del modo que podamos:
sino tenemos dinero, carne y un pedazo de tabaco no nos
tiene de faltar: cuando se acaben los vestuarios, nos
vestiremos con la bayetilla que nos trabajen nuestras mugeres,
y sino andaremos en pelota como nuestros paisanos los indios:
seamos libres, y lo demás no importa nada...
Jose de San Martín, 27 de julio de 1819.
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