[R-P] elecciones en brasil/lula

Ceci Vieira Jurua juruacv en montreal.com.br
Mie Ago 7 07:11:33 MDT 2002


Amig en s,

Chamo a atenção para alguns pontos do artigo assinado por Lula.

-No meu entender o que a vitória de Lula poderá nos assegurar é,
principalmente, uma democracia participativa, compromisso que entendo ter
sido tomado seriamente por ele.  Está claro no trecho :  "afirmé  que "será
necesaria una lúcida y sensata transición entre lo que tenemos actualmente y
lo que reivindica la sociedad. Lo que se destruyó o se dejó de hacer en ocho
años no podrá ser compensado en ocho días. El nuevo modelo  que postulamos
no podrá ser impuesto por decisiones unilaterales del gobierno, como sucede
hoy en día. Será el fruto de una amplia negociación a escala nacional que
debe conducir a una auténtica alianza para el país, a un nuevo contrato
social, que asegurará una etapa de crecimiento con
estabilidad.

Democracia participativa vai exigir, da nossa parte, muita competência,
muita lucidez, e a elaboração de um diagnóstico lúcido sobre a conjuntura
internacional.  E requer a capacidade de debate entre nós, de divergir com
tolerância e respeito. Precisaremos de instituições e de entidades
democráticas capazes de elaborar o CONSENSO NACIONAL !

-Por exemplo, ao resumir " en cuatro puntos la convergencia entre el
documento de la CNI y nuestro programa (do PT), Lula enfatiza que a REFORMA
TRIBUTÁRIA deverá  "reducir los gravámenes a la producción y a las
exportaciones."

Ora, desonerar a produção e as exportações tem uma contrapartida :  deixar
com os consumidores nacionais - NÓS OS EMPOBRECIDOS - o ônus tributário de
sustentação financeira do Estado nacional.   Por meio de impostos indiretos
sobre o consumo, como defende a bíblia liberal e neoliberal.  Isso será
feito para que os trustes internacionais que dominam nossa economia e nossas
exportações possam competir no mercado global sem pagar impostos à sociedade
que os abriga e que é por eles explorada.  É o contrário do regime fordista
de acumulação.cuja base de tributação indireta foi formada pelo VALOR
AGREGADO - no processo produtivo - e por vários impostos sobre a produção
como o IPI - imposto sobre a produção industrial.

Significa também um reforço ao "modelo de crecimiento para afuera" !!!!
colonizador e imperialista.

Como os lucros dessa gente e os rendimentos de suas aplicações financeiras
também não deverão estar sujeitos a nenhum tributo significativo, sua
poupança - QUE FOI GERADA INTERNAMENTE - deverá ser ENVIADA PARA O EXTERIOR,
para remunerar os ACIONISTAS ESTRANGEIROS !  A consequência é a de sempre,
eles irão constatar que há uma INSUFICIENTE POUPANÇA INTERNA e que será
absolutamente necessário IMPORTAR CAPITAIS !!!

-Nessas condições, como "superar la presente vulnerabilidad externa de
nuestra economía" ?  Como "instrumentar una política de desarrollo que
incluya entre sus metas la distribución de la renta y la inclusión de los
muchos millones de brasileños excluidos de la economía" ?   Para mim este é
um exemplo típico de discurso vazio, sem consistência.  O erro não é de
Lula, nem a culpa, nem a responsabilidade.   É um erro da esquerda de nossos
países.  Todos defendem algo semelhante.

Estão querendo REDISTRIBUIR A RENDA QUE FICA, a dos nacionais, liberando o
caminho das finanças imperiais.  E aí vão prosseguir jogando-nos uns contra
os outros.  Há tempos  escutei sindicalista  da CUT- Central Sindical mais
importante aliada ao PT, afirmar que os servidores públicos são
privilegiados com relação ao conjunto de trabalhadores brasileiros.  Sem
comentários.   À pergunta que lhe fiz sobre como construir a unidade do povo
brasileiro e quanto à identificação do inimigo principal, ele fez apenas
divagações, algumas de caráter ético, como a ganância !  Claro que ele não é
culpado dessas "suas crenças".  A maior responsabilidade é da Universidade,
e principalmente das faculdades de Economia e de Ciências Sociais e
Políticas, unificadas ideologicamente em torno do Pensamento Único.

-Tampouco um marxismo simplificado e a adesão ao socialismo irão ajudar
muito.   Conheço raros marxistas que transpõem a teoria de Marx para o campo
internacional, para a análise da acumulação sob jugo das finanças em vigor
desde meados da década de 1970.  Este regime de acumulação e a consequente
"financeirização da economia global" que dele decorre é concentrador de
renda, com poucos vencedores, admitindo a glória de um único país e de um
restrito grupo de companhias e de trustes atuando em nível global,
preocupados em sugar a mais-valia produzida, sem nenhum objetivo de
crescimento econômico.   Para isso exigem estabilidade e respeito ao
contrato, sobretudo os contratos financeiros e de propriedade.   Como já
disse o sociólogo francês Alain Touraine há alguns anos, na atual
conjuntura, as GRANDES EMPRESAS SÃO OS SOLDADOS DA NAÇÃO.  O que significa
que nós, latino-americanos, não temos soldado, corremos o risco de
desestruturação da nação à qual pertencíamos e de integrar a marginalidade
global em processo de expansão.  O artigo que Mario José lhes mandou, de
Antonio Martins, sobre os trabalhos de François Chesnais, também é muito
útil para entender o momento atual.

______

Tudo o que penso e digo é muito duro, eu sei, e eu sofro ao exprimir tais
considerações.  No fundo do coração, escuto a frase do Ché : hay que ser
duro sin perder la ternura.   E essa frase, e os amigos, e os companheiros,
sustentam-me e alimentam o fluxo humano de ternura e de esperança.  Mas é
preciso olhar a realidade como ela é se quisermos ganhar,  no longo prazo
pelo menos.

Abraços.  Ceci.





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