[R-P] FW: [attacantes-fsm] norte-americano defende dolarização na Argentina

Bibiana Apolonia bibiapo en sinectis.com.ar
Lun Abr 29 12:16:00 MDT 2002


----- Mensaje original ----- 
De: "Mayra Jurua Gomes de Oliveira" <mayra en montreal.com.br>
Para: "Bibiana Apolonia" <bibiapo en sinectis.com.ar>
Enviado: Lunes 29 de Abril de 2002 10:40
Asunto: Re: [attacantes-fsm] norte-americano defende dolarização na Argentina 


Le Monde Interactif
  Bibiana, 

  Eu quis mandar esse artigo para a lista da Reconquista, mas não deu, eu não sou boa em computador.   Talvez ele te seja útil. 

  Um abraço. Ceci. 

  Sent: Sunday, April 28, 2002 10:01 AM
  Subject: [attacantes-fsm] norte-americano defende dolarização na Argentina 


  Sobre especulação, galinheiro e raposas

  Carlo Vecchio 


  -Jeffrey Sachs professor da cátedra Galen L. Stone de Economia em Harvard, defende que "a abordagem correta para resolver os problemas argentinos em 2001 - e também agora - teria sido por fim à especulação com a desvalorização... acabando com o medo de uma futura mudança no regime de câmbio.". (Folha de São Paulo, Caderno Dinheiro, 28-04-2002) Se há um mérito nessa observação, é o de reconhecer que grande parte dos prejuízos argentinos têm origem na especulação cambial. Um grande demérito, contudo, é o de não ligar a especulação às suas causas, que podem ser variadas.  

  Especulação incide sempre sobre preços de mercadorias ou do próprio dinheiro quando há comércio de moedas.  O mercado de commodities é especulativo, como também o do petróleo.   Há especulação sobre valor de terras e de imóveis.  E, de repente, até sobre o valor de órgãos humanos usados em transplantes.  Para o especulador, tudo pode ser objeto de especulação, depende das circunstâncias.  Por isto para entender o fenômeno da especulação, característica marcante da globalização financeira, é necessário identificar o especulador e o objeto de especulação.  Sem essa investigação fica difícil determinar os instrumentos mais eficazes para combatê-la. 

  JS, sem aprofundar as causas e os agentes da especulação que invadiu a Argentina nas décadas de 1980 e 1990, propõe que "os bancos internacionais que operam na Argentina deveriam trabalhar com o governo para restaurar as funções bancárias dentro de alguns dias - e não meses... suspensão plena de pagamentos de sua dívida externa por um ano e, depois, o perdão de parcela substancial dessa dívida."

  A proposta que resumimos no parágrafo anterior é inovadora ?  tem algo a ver com o projeto de renúncia de soberania monetária e financeira ?   Aparentemente não.   Mas talvez seja apenas uma variação da proposta de Dornbusch de entregar a um comitê internacional a condução da política macroeconômica na Argentina.  Na verdade, bancos internacionais são agentes econômicos estrangeiros que têm uma lógica própria de ação internacional, divorciada muitas vezes dos interesses nacionais de um país.  Se os bancos internacionais - que levaram para o exterior o dinheiro dos argentinos ! - forem os responsáveis por "auxiliar o governo" na superação da crise atual, pode-se esperar que eles operem para manter seus privilégios, entre os quais a Seguridade Social privatizada.  Mas eles também hão de querer sustentar os lucros fabulosos que auferem na gestão dos fundos de investimento. E eles poderão ainda facilitar a transferência para estrangeiros de negócios que ainda permanecem em mãos de nacionais.  E com mais certeza ainda, irão impor as condições de manutenção da dívida pública interna cujos beneficiários serão eles próprios, os bancos internacionais.  

  Enfim, quer na proposta de Dornbusch, de perda de soberania, quer na proposta de Sachs, de assessoria bancária ao governo, fica difícil pensar que haverá uma ruptura com o modelo de acumulação rentista e com a estratégia de financeirização da economia.  Sem essa ruptura não há saída nem para a Argentina, nem para o Peru, nem para o Brasil.   Pois este modelo é, por essência, concentrador de renda em benefício dos países centrais, e em benefício de uma minoria populacional em todos os países. 

  O mais estranho, contudo, na proposta de JS, é que ele não perceba que os grandes e competentes atores da especulação financeira em nível planetário, são os próprios bancos internacionais.   Fica difícil pensar em combater a especulação utilizando os bancos como assessores.  Não sendo possível especular sobre a taxa de câmbio, eles podem especular com os juros, com as terras, com os imóveis, com os títulos financeiros, e até com gente, porque não ?   Afinal de contas, Pino Arlacchi, diretor de escritório da ONU informou há pouco que tem aumentado assustadoramente a lucratividade das novas atividades de organizações criminosas - o tráfico de seres humanos !

  Mais ainda, a cada vez que se descobre remessas ilícitas de fundos para paraísos fiscais, há sempre um grande banco internacional envolvido. Eles todos dispõem de filiais ou de correspondentes nos territórios conhecidos como paraísos fiscais.  

  Entregar o governo argentino à assessoria dos bancos internacionais, como propõe o professor da cátedra Galen L. Stone de Harvard, fica parecido, nas atuais condições globais, com a entrega do galinheiro às raposas !  


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