[R-P] (Fwd) A mídia se entrega -CARTA CAPITAL on line 23 abril 2002

N‚stor M. Gorojovsky nestorgoro en fibertel.com.ar
Sab Abr 27 10:45:53 MDT 2002


           A MÍDIA SE ENTREGA
            Os senhores da comunicação, endividados, enfiam pela 
goela do País a abertura de capital para estrangeiros.
            Por Paulo Henrique de Sousa e Sérgio Lírio


                       
                 
                        Em comitiva.
                        Frias, Sirotsky, Mesquita, Civita, Cabral, 
Guimarães. O grupo foi a Brasília arrancar do presidente FHC apoio 
formal ao projeto 
                       
                 
            Os donos da mídia brasileira estão perto de colher os 
frutos de sete anos de idas e vindas e de dois meses de intensa 
peregrinação ao Planalto Central. Com um discreto empurrão de 
Fernando Henrique Cardoso e o empenho do presidente da Câmara, Aécio 
Neves, os deputados devem aprovar em primeiro turno, até o início de 
dezembro, o projeto de lei que altera o artigo 222 da Constituição e 
permite o ingresso de capital estrangeiro nas empresas de comunicação 
nacionais até o limite de 30% do controle acionário.
            O projeto mais recente, cujo relator foi o deputado 
Henrique Alves, circula há mais de dois anos na pauta da Câmara, mas 
sua tramitação ganhou uma velocidade de cruzeiro em agosto passado. O 
motivo principal para tamanha pressa é a situação de penúria da maior 
parte das empresas de comunicação, afundadas em dívidas 
estratosféricas, sem dinheiro para novos investimentos e às voltas 
com uma queda de publicidade de 16% no primeiro semestre do ano.
            "O capital estrangeiro vem em um momento propício. O 
nível de endividamento chegou ao limite do suportável", diz José 
Carlos de Salles Neto, presidente do Grupo Meio & Mensagem, 
especializado em comunicação. Uma pesquisa do Ibope Inteligência 
estima que as receitas publicitárias, com a abertura, subiriam de 
1,7% para 2,5% do Produto Interno Bruto.

            Na quarta-feira 21, um dia depois da visita de uma 
comitiva de empresários a FHC, entre eles Roberto Civita, do Grupo 
Abril, e Luís Frias, da Folha de S.Paulo, Aécio Neves deu o tom da 
urgência: "Essa é uma das prioridades e será votada assim que 
destrancarmos a pauta".
            No meio da semana, o que "trancava" a pauta era a 
relutância do PMDB em apoiar as mudanças na legislação trabalhista, 
de máxima urgência para o governo. A resistência peemedebista não 
deve durar mais de uma sessão, o que torna possível resolver o 
imbróglio da CLT e aprovar a nova redação do 222 até a quinta-feira 
29.

            A emenda precisa enfrentar dois turnos na Câmara e no 
Senado - e com maioria de dois terços de votos. Se não houver nenhum 
contratempo, estará finalmente aprovada no final de março do ano que 
vem.
            Em Brasília, apesar do anunciado voto contrário dos 
partidos de oposição, a fatura parece ganha. Por via das dúvidas, o 
lobby das empresas de comunicação se cerca de garantias. Desde 
agosto, as principais lideranças partidárias são visitadas por 
empresários e seus representantes pelo menos uma vez por semana. 
            Por pressão dos grupos de mídia, Henrique Alves, relator 
da proposta, deixou um cargo no governo do Rio Grande do Norte para 
reassumir sua vaga de deputado e comandar a votação. Comenta-se no 
Congresso que as empresas colocarão jatinhos à disposição dos 
deputados para evitar a falta de quórum no plenário. Para ser 
aprovada, a emenda precisa de 308 votos.
            "Há propostas mais relevantes que precisam ser 
discutidas, mas esse assunto, sem urgência nenhuma, está atropelando 
outras discussões", reclama o líder do PPS, Rubens Bueno. "Isso já 
está sendo tratado há dois anos. É hora de votar", rebate Jutahy 
Júnior, líder do PSDB.

                       
                 
                        A pressão, às vésperas de um ano eleitoral, 
tem funcionado. O presidente da câmara, Aécio Neves, elegeu a emenda 
uma das prioridades antes do recesso, com apoio dos líderes 
governistas e de Fernando Henrique 
                       
                 
            Os senhores da mídia, em especial aqueles que receberam 
uma concessão do Estado, como no caso das emissoras de rádio e 
televisão, em verdade estão negociando algo extremamente importante, 
frágil e caro ao País. 
            O que se discute é quem vai, daqui por diante, comandar a 
opinião pública; por que não dizer, comandar o País. A quem enxergar 
nisso um exagero, pergunte-se: quem, no Brasil, resiste a uma 
quinzena de bombardeios do principal telejornal se o telejornal se 
dispuser a atacar?
            Perceba-se a força dos senhores da mídia, e a 
correspondente fragilidade do País, na histórica foto do Palácio do 
Planalto. O caixa anda fraco, mas a força para forjar a opinião 
pública é suficiente para, digamos, dobrar o presidente da República, 
o chefe do poder concedente.

            O que se pretende é abrir o capital quando ainda não se 
votou a Lei de Comunicação Eletrônica de Massas, a regulamentação de 
posse e uso da propriedade dos meios que, é óbvio, deveria anteceder 
o ingresso de novos capitais, em especial o estrangeiro.
            Fechado o acordo entre os senhores, bastaram 60 dias para 
enfiar sua vontade pela goela do Congresso e do presidente da 
República. Imagine-se, apenas por esporte, que capacidade terão um 
presidente da República e um Congresso do mesmo estofo e consistência 
diante de um Rupert Murdoch, o poderoso da News Corp. da vida? 
            "É uma irresponsabilidade fazer uma mudança desse porte 
sem uma discussão maior sobre salvaguardas elementares. O Brasil tem 
uma lei de radiodifusão ultrapassada e não possui um órgão regulador 
autônomo e forte", diz o professor Murilo Ramos, da Universidade de 
Brasília. "Hoje não existe sequer a condição de fiscalizar se um 
estrangeiro terá, de verdade, apenas 30% do capital."
            "Toda vez que a mídia está em dificuldade financeira, 
renasce a proposta de abertura. Mas essa discussão não pode ser 
pontual", completa Walter Pinheiro, líder do PT na Câmara.

            Por enquanto, isso não se discute. Até a metade do ano, 
as Organizações Globo concordavam com o raciocínio de Ramos. Num raro 
momento de convergência, também se afinavam com os partidos de 
oposição. Desde então, as coisas mudaram. A queda da receita 
publicitária e a piora dos resultados da Globocabo, do ramo de tevê 
por assinatura, por conta da desvalorização cambial, minaram a 
resistência da família Marinho, que sempre viu com desconfiança a 
abertura aos concorrentes estrangeiros, principalmente na 
radiodifusão, cuja escala de produção e faturamento infinitamente 
maior poderia ameaçar sua liderança no País.
            O balanço do primeiro semestre revela a fragilidade da 
empresa. Parte considerável dos US$ 810 milhões levantados com a 
venda de 30% do portal de internet Globo.com à Telecom Italia, que 
haviam aliviado a barra no ano passado, viraram fumaça. O caixa da 
holding caiu de US$ 905 milhões para US$ 620 milhões, na comparação 
com 2000. A dívida subiu de US$ 2,1 bilhões para US$ 2,5 bilhões - no 
período, a cotação do dólar passou de R$ 1,80 para R$ 2,50.
            Os analistas financeiros ficaram particularmente 
decepcionados com os recentes números da Globocabo. No terceiro 
trimestre, o prejuízo acumulado foi de R$ 270 milhões, superando as 
previsões de perdas inferiores a R$ 200 milhões. Em nove meses, a 
companhia acumula um resultado negativo de R$ 659 milhões, mais de 
duas vezes superior ao do mesmo período de 2000.
            Procurada por CartaCapital, a Globo se limitou a enviar, 
por escrito, uma declaração de princípios, na qual afirma ter sempre 
defendido a abertura ao capital estrangeiro, mas com mecanismos de 
proteção à produção local. "Promover a identidade nacional é vital 
para assegurar nosso espaço", diz o texto.
            Em entrevista à revista Pay-TV, em outubro, Roberto 
Irineu Marinho revelou as preocupações com a abertura e se mostrou 
disposto a, se necessário, entregar alguns anéis e preservar os 
dedos. "Não queremos perder o controle da Rede Globo, da geração de 
conteúdo. Perder o controle da Globocabo é uma coisa que pode 
acontecer", afirmou.
            Por sua importância e poder, a Globo sempre foi 
fundamental para a aprovação da abertura do mercado. Seus executivos 
têm se empenhado no convencimento dos parlamentares, mas não é do 
Jardim Botânico que partem as maiores pressões para mudar a 
Constituição. 

                       
                 
                        Estragos.
                        Casa dos Artistas bate o Fantástico, provoca 
briga judicial com a Globo e assusta sócios estrangeiros 
                       
                 
            Além de abrir as portas ao capital estrangeiro, a emenda 
permite a uma pessoa jurídica brasileira deter o controle total de 
uma empresa de comunicação. Hoje, apenas cidadãos, as pessoas 
físicas, têm esse direito.
            Entre os maiores interessados na mudança estão os grupos 
evangélicos. Por conta das restrições legais, as igrejas são 
obrigadas a registrar rádios e tevês em nome de pastores, o que cria 
riscos - caso, por exemplo, de uma briga entre as partes. A fórmula 
também agrada aos donos de jornais e revistas, que poderiam buscar 
investidores entre bancos e fundos de investimento, sócios menos 
dispostos a intervir no conteúdo editorial e na gestão do negócio.

            Longe dos domínios da Vênus Platinada, a situação 
financeira dos grupos de comunicação vai do aperto ao completo 
desespero. A Abril, que edita, entre outras, as revistas Veja e 
Exame, anunciou 700 demissões, cerca de 8% do total de funcionários. 
            O conglomerado dos Civita enfrenta uma reestruturação que 
deve levar ao fechamento de algumas publicações. Na TVA, tevê por 
assinatura, com cerca de 700 mil usuários, o grupo anunciou uma 
capitalização de R$ 360 milhões. A americana Hearst diminuiu sua 
participação no negócio de 17,4% para 8,1%. O banco JP Morgan, de 
8,1% para 3,8%.
            O jornal econômico Gazeta Mercantil, com 81 anos de 
existência, procura sócios para salvá-lo da falência. Há cerca de 
duas semanas, a publicação, com salários atrasados e dificuldade de 
pagar compromissos básicos como as contas de telefone e luz, anunciou 
a demissão de 400 funcionários. 
            O advogado Thompson Flores, representante do fundo de 
investimento WorldInvest, que assumiu a administração depois do 
afastamento de Luiz Fernando Levy, estaria tentando reunir dez 
investidores e levantar R$ 300 milhões. Mas a enorme dívida 
previdenciária e trabalhista, estimada em R$ 150 milhões pela Gazeta 
e em R$ 500 milhões pelo governo, dificulta o trabalho.
            Há números ruins para todos os lados. A circulação de 
revistas caiu 5,4% entre maio de 2000 e junho de 2001. As três 
maiores semanais, Veja, Época e IstoÉ, venderam menos, 
respectivamente, 5,4%, 21,7% e 12,3% de exemplares. 

            Os jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo 
demitiram entre 20 e 50 jornalistas para adequar os custos 
            à queda da receita com publicidade e ao aumento do preço 
do papel jornal importado. O Jornal do Brasil, comprado pelo 
empresário Nelson Tanure, está em pendência judicial com ex-
funcionários por ter interrompido o pagamento de seus direitos 
trabalhistas.
            Em relação aos seis primeiros meses de 2000, houve uma 
queda de 8% no investimento publicitário, mas mídias menos 
tradicionais tiveram um aumento de participação no mercado e 
abocanharam um pedaço do bolo de meios como a tevê e os impressos.
            Por causa das condições desfavoráveis e das perspectivas 
nada animadoras para os próximos meses, os empresários de comunicação 
elegeram a mudança no artigo 222 como a tábua de salvação. A não ser 
que todos já tenham pré-acordos firmados - e é possível que alguns os 
tenham -, a realidade talvez não confirme o ânimo geral. 
            Com exceção das Organizações Globo, por motivos óbvios, e 
projetos isolados como o jornal Valor Econômico, formatado desde o 
início para receber um sócio internacional, as conversas entre 
vendedores e possíveis compradores podem ser frustrantes para os 
primeiros.

            As empresas de telefonia, principalmente as européias, 
candidatas ao posto de investidores, estão fortemente endividadas. 
Será difícil convencer os acionistas a fazer novas e vultosas 
aplicações na América Latina. Casos de fracassos anteriores também 
dificultam os acordos. 
            A Telecom Italia, por exemplo, anunciou em meados de 
novembro um ajuste de seu investimento na Globo.com. Os italianos 
colocaram US$ 810 milhões no portal, mas agora acham que sua parte 
não vale mais do que US$ 4 milhões. A Portugal Telecom, por seu lado, 
não tem mais esperanças de ver a cor dos US$ 30 milhões despejados no 
projeto de internet da Gazeta Mercantil.
            No entanto, a depender do negócio e das condições, de lá 
poderá sair parte do dinheiro que salvará a mídia nacional. Os 
espanhóis da Telefónica, por exemplo, já mostraram na Argentina sua 
avidez por bons negócios na América Latina.
            Fundos de investimentos estrangeiros são outros fortes 
candidatos. O vice-presidente do banco francês Crédit Lyonnais, Jose 
Irigoyen, desembarca em São Paulo na terça-feira 27, para acompanhar 
a tramitação do projeto na Câmara e, é claro, conversar com 
empresários do setor. Na Europa e nos Estados Unidos, o Crédit 
Lyonnais é forte em investimentos na mídia.
            Outro interessado é a Rio Bravo Investimentos, que tem 
entre seus sócios o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco. 
"Mantemos contato com grupos estrangeiros, mas estamos em fase de 
observação", desconversa Antônio de Athayde, outro associado. Mas o 
interesse é visível. Athayde, recém-chegado à Rio Bravo, é um ex-
diretor da TV Globo e negociou o acordo entre o SBT e a holandesa 
Endemol, rompido na última hora por Silvio Santos. 
            Franco, comenta-se no mercado, teria feito uma proposta 
de compra da Gazeta Mercantil. Além disso, o ex-BC faz a avaliação 
financeira dos Diários Associados. A família Chateaubriand, dona de 
15% das ações do grupo, que edita, entre outros, o Correio 
Braziliense e o Estado de Minas, pretende vender sua parte. 
Integrantes da outra porção do condomínio também cogitam repassar um 
naco para outros investidores, estrangeiros ou não.

            O fundo HMT&F, com participações em clubes de futebol 
brasileiro, também é lembrado por especialistas. Se seguir o modelo 
de investimento nos Estados Unidos, o HMT&F poderia voltar suas 
baterias para as rádios. O setor seria um dos mais promissores. 
Apesar de sua abrangência, recebe apenas 8% das verbas publicitárias 
e teria muito espaço para crescer.
            A dúvida é saber se esses fundos irão se aventurar em 
companhias familiares administradas de forma personalista e sem muita 
transparência nos números. Há quem ache que casos como o do SBT podem 
assustar pretensos investidores. Na Anhangüera, é Silvio Santos quem 
manda. E só ele. "Depende de como ele acorda", diz uma fonte ligada 
ao grupo, que preferiu o anonimato.
            A negociação com a Endemol é exemplar. Silvio Santos 
desistiu na última hora do negócio com os holandeses, que detêm os 
direitos do programa Big Brother. No entanto, o dono do SBT não 
pensou duas vezes antes de fazer uma cópia da atração, a Casa dos 
Artistas, mesmo sabendo que a Endemol, depois de sua desistência, 
havia acertado com a Globo. "Os holandeses estão olhando o Brasil com 
maior perplexidade agora, por causa dos direitos autorais", garante a 
fonte.
            A mudança na lei, de qualquer forma, abrirá as porteiras 
de um mercado de 170 milhões de pessoas. Resta saber se, a despeito 
do poder da Globo e seu interesse em manter o mercado cativo, será 
possível controlar a manada depois.






                  OS GRUPOS MUNDIAIS PAPAM TUDO
                  Se aparecerem oportunidades por aqui, eles não vão 
hesitar. O poder de fogo cresce dia a dia.
                  Por Antonio Luiz M.C.Costa 

                             
                       
                              Relações perigosas.
                              A primeira vítima da fusão é o senso 
crítico 
                             
                       
                  Novas tecnologias, tanto quanto novas tendências 
ideológicas, facilitaram e estimularam a convergência de todos os 
meios de comunicação social. O risco passou a ser não só a 
concentração dentro de cada meio de comunicação, mas também a 
concentração do conjunto de todas as mídias. Não só se corre o risco 
de encontrar os mesmos gostos e as mesmas opiniões em todas as 
emissoras de tevê, como também em qualquer mídia a que se recorra em 
busca de entretenimento ou informação.
                  Nos EUA, por exemplo, viram-se as fusões dos grupos 
Time, Warner, Turner e AOL; Viacom, Paramount, Blockbuster, 
Westinghouse e CBS; GE e NBC; Capital Cities, ABC e Disney; News 
Corp., Triangle, 20th Century Fox e Metromedia TV; Gannett e 
Multimedia; AT&T, NCR e McCaw; Vivendi e Seagram. 

                  Desde o início de 2001, houve uma calmaria: no 
primeiro trimestre, as fusões e aquisições nos EUA caíram 64% e ainda 
não voltaram a ser retomadas num ritmo comparável ao dos anos 
anteriores.
                  Apesar de, em geral, as ações dos grandes grupos de 
mídia não ter caído tão drasticamente quanto nos setores de internet 
e telefonia celular e sua situação financeira continuar permitindo 
investimentos de bilhões de dólares, as empresas do setor sentem-se 
subavaliadas e esperam um momento mais favorável para agir.
                  Mas muitos analistas sentem que logo virá uma nova 
tempestade de consolidação. As ações estão voltando a subir e os 
grupos menores receiam ser marginalizados num mundo de gigantes. A 
recente fusão da DirecTV com a EchoStar por US$ 30,3 bilhões 
(anunciada no final de outubro), que passou a perna na News Corp. e 
concentrou tremendamente o mercado de tevê via satélite nos EUA, pode 
ter sido a fagulha a pôr fogo na floresta. Além disso, comenta-se que 
a AOL Time Warner quer comprar a editora britânica IPC Magazines e a 
Viacom quer comprar a NBC do Grupo GE.
                  Não está claro se o interesse desses grandes grupos 
já se estende aos países periféricos, mas não lhes faltariam recursos 
para adquirir os maiores grupos brasileiros, se aparecer a 
oportunidade.
                  Uma flutuação de 2% nos US$ 161 bilhões que 
correspondem ao valor de mercado da AOL - algo que pode facilmente 
acontecer em um único dia - supera o patrimônio líquido do maior 
grupo brasileiro, a Globo. Ou de 4% no caso da Viacom, que vale US$ 
75 bilhões.

                  A cultura, brasileira ou americana, não passará 
incólume por 
esse processo. A primeira vítima é o senso crítico em relação à 
própria 
mídia: não se pode mais esperar, por exemplo, isenção total da 
editoria de 
cinema da revista Time em relação às produções cinematográficas da 
Warner, por exemplo.
                  A crítica a governos e grandes grupos privados vem 
em seguida: 
cada órgão tem de se preocupar não só em desagradar aos seus próprios 
anunciantes e governantes locais, mas a todos os anunciantes e 
governantes 
com os quais o grupo se relaciona. Assim, o Grupo News Corp., de 
Rupert 
Murdoch, fez seus jornais australianos amenizarem as críticas ao 
governo 
chinês, para não prejudicar seus negócios com Pequim.
                  Perde, também, a diversidade cultural. Quando cada 
emissora de 
rádio pertencia a uma empresa local diferente e não relacionada a 
outros 
meios, havia mais margem para dar oportunidades a artistas pouco 
conhecidos e gostos locais ou de minorias étnicas e ideológicas. 
Incorporadas em massa a grupos nacionais e transnacionais que também 
controlam gravadoras e produtoras de espetáculos, a busca de ganhos 
de escala leva silenciosamente a uma maior padronização cultural.

Néstor Miguel Gorojovsky
gorojovsky en arnet.com.ar

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Compañeros del exercito de los Andes. 

...La guerra se la tenemos de hacer del modo que podamos: 
sino tenemos dinero, carne y un pedazo de tabaco no nos 
tiene de faltar: cuando se acaben los vestuarios, nos 
vestiremos con la bayetilla que nos trabajen nuestras mugeres, 
y sino andaremos en pelota como nuestros paisanos los indios: 
seamos libres, y lo demás no importa nada...

Jose de San Martín, 27 de julio de 1819.

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