[R-P] Algo viejo, pero en mi opinión excelente
N‚stor M. Gorojovsky
nestorgoro en fibertel.com.ar
Sab Abr 27 10:46:22 MDT 2002
Recién encontré esto esperando en mi carpeta de correo a revisar. Han
pasado algunos días, pero me parece francamente merecedor de toda la
difusión posible. Resume, en cinco artículos breves, todo el
dramatismo de la contrarrevolución y revolución venezolanas.
********************************************************************
.........1.........2.........3.........4.........5.........6
Cinco histórias venezuelanas
Nos relatos publicados pela imprensa independente, lições da
insurreição popular
Antonio Martins (com Reynaldo Cué, pesquisador incansável)
I. Os insanos
Por descrerem dos jornais, ganharam o poder
Palácio Miraflores, quatro da manhã de domingo, 14 de abril:
O presidente Chávez, agora todos sabem, está são e salvo, a
bordo de um helicóptero que aterrissará em alguns minutos.
Trezentas mil pessoas o esperam, segundo o diário mexicano La
Jornada . Nas últimas doze horas, elas escreveram uma página
inédita na história recente da América Latina. A partir do
início da tarde, cometeram a insanidade de desacreditar no que
os jornais e a TV repetiam, e de crer no que, juntas, elas
próprias enxergavam e faziam. Não, o presidente não renunciou,
nem quis deixar o país. Não, a revolução bolivariana, que os
fez sentir-se pela primeira vez parte da História, não acabará
numa tarde. Sim, eles, que vêm dos bairros mais pobres de
Caracas, podem derrotar a quartelada. Além do palácio
presidencial, cercaram o Forte Tiuna, quartel-general dos
conspiradores. Fizeram o general Efraín Vazquez, que comandou o
golpe, vacilar. Forçaram Pedro Carmona, o líder empresarial que
usurpou o poder, a devolvê-lo ao vice constitucional, que
assumiu prometendo entregar a presidência ao homem eleito pelo
povo para exercê-la. Cercaram a maioria das emissoras de TV,
rádios e jornais que insistiam em censurar a verdade e espalhar
desinformação. Sua insurreição fez fracassar o golpe, e agora
querem comemorar. Um dia antes, a elite de Caracas havia
tentado derrubar o presidente constitucional no grito. “Se va,
se va, se va!”, diziam de Chávez, que tem sangue índio e por
isso é visto pelos poderosos como un negro, um não-branco, um
intruso. Agora, quando já se avistam as luzes do helicóptero
que traz de volta o presidente, o cântico de resposta que estes
índios, negros e brancos intrusos repetem é cantado no mesmo
tom do grito anterior, e tem sabor de ironia e suave vingança.
“Volvió, volvió, volvió!”...
II. A ordem do soldado
Pode haver vida atrás de um aparelho de fax
Base naval de Turiamo, final da manhã de sábado, 13 de abril:
Para tentar evitar a rebelião, os golpistas promoveram uma caça
sanguinária contra membros do governo constitucional e seus
apoiadores. Invadiram casas, fizeram prisões, mataram, segundo
o jornal argentino Página 12 , 34 pessoas – “danos
colaterais” que parecem não escandalizar os jornais
brasileiros. Como ficou claro que nem assim seria possível
conter o povo, decidiram tirar Chávez de La Tiuna, que fica
muito próximo a Caracas. Ele será conduzido, nas horas
restantes de cativeiro, a cinco locais diferentes, todos
remotos. Um deles é a base militar de Turiamo. Lá, um soldado,
perplexo, aproveita que foi deixado a sós, numa sala, com o
presidente. Indaga: “É verdade que o senhor renunciou”?
Resposta imediata: “Não, mi hijo, não renunciei nem vou
renunciar”. O soldado, então, perfila-se em continência. E tem
uma idéia genial: “Escreva-me algo neste papelzinho e jogue na
lata de lixo, que eu volto e o recolho”. Chávez rabisca: “Eu,
Hugo Chávez Frías, venezuelano, presidente da República
Bolivariana da Venezuela, declaro: não renunciei ao poder
legítimo que o povo me deu”. Assina e atira ao lixo, segundo a
orientação do soldado. Poucas horas depois, via fax, a mensagem
correrá o país. Será reproduzida em pequenas impressoras,
copiadoras, mimeógrafos. As multidões a levarão nas mãos,
quando baixarem dos morros para os palácios.
O gesto e a inteligência do soldado demonstram: os militares da
América Latina não estão condenados a ser inimigos do povo, nem
gendarmes dos Estados Unidos. A partir do início da tarde,
junto com a população, se erguerá contra os golpistas o grosso
das Forças Armadas. Às 16 horas, a Divisão 42, da base de pára-
quedistas de Maracay (80 quilômetros de Caracas), se declara
insurgente. A unidade do Exército da cidade faz o mesmo. Os
chefes militares lançam um ultimato aos golpistas: só se
apaziguarão quando aparecer uma declaração de renúncia de
Chávez.
A insubordinação militar se alastra. Assim como o golpe, o
apoio das Forças Armadas aos golpistas é apenas virtual. No
meio da tarde, a Guarda Presidencial, leal a Chávez, retoma
Miraflores, já cercado por um oceano de gente. A influência da
conspiração está restrita ao Forte Tiuna, e uma multidão o
cerca. Personalidades são chamadas às pressas, para intermediar
uma negociação e evitar um banho de sangue. Os conspiradores já
não se entendem. O general Éfrain Vazquez Velazquez exige que o
empresário Carmona, usurpador da presidência, jure respeito à
Constituição. Aviões F16, de destacamentos leais ao governo
legítimo, sobrevoam a capital. O diretor da revista Tal Cual,
uma das personalidades convocadas a Forte Tiuna, deixa o local
com a estonteante novidade: “Só posso dizer que os líderes do
golpe voltaram atrás...”
III. A cilada
Uma mentira para libertar a verdade
Centro de Caracas, início da tarde de sábado, 13 de abril:
O ministro da Educação de Chávez, Aristóbulo Isturis, e o
Fiscal General, Isaías Rodriguez, figuraram desde o início da
quartelada entre os líderes da resistência. Isturis estve com
Chávez até minutos antes da prisão do presidente. Sabe que ele
não renunciou. Ao longo do dia, empunhará esta verdade e
tentará, com ela, romper o cipoal de mentiras que a mídia armou
para proteger o golpe de Estado. Age primeiro por meio do
telefone, da Internet, das rádios comunitárias (Rádio Pérola) e
de igreja de base (Rádio Fé e Alegria). Mais tarde, vai
pessoalmente ao Canal 2 de TV e interpela o chefe de
reportabem, Andrés Izarra. Pergunta-lhe por que falseia os
fatos e o interlocutor se põe a chorar (pediria demissão,
envergonhado, no domingo).
A revolta popular está sob censura na mídia e a TV estatal,
Venezolana, Canal 8, continua fora do ar. A parte da população
que acredita na mídia continua crente na renúncia de Chávez.
Então, Isturis arma, em conjunto com o Fiscal General Isaías
Rodriguez, uma armadilha.
Rodríguez convoca a imprensa para uma entrevista coletiva, na
qual anunciará sua renúncia. A mídia acode em peso e transmite
ao vivo, para que o povo testemunhe a debandada de mais um
dirigente do governo constitucional. Rodriguez começa: “O
presidente não renunciou. O vice, Diosdalo Cabello, está vivo e
o perseguem para matá-lo. O povo está nas ruas. As unidades
militares de Maracay, Valencia e Barquisemeto estão sublevadas.
Chávez voltará”. Graças a uma mentira, a mídia transmite enfim
a verdade.
Mais tarde, às 8 da noite, os transmissores do Canal 8 serão
deslacrados. Os ministros irão até lá, para aparecer perante as
câmeras e provar que existem. O apresentador reabrirá a
programação dizendo, altivo: “Não conseguiram nos calar”.
IV. A zebra
Quando a TV cubana derrota a CNN
Nova York e Havana, tarde de sábado, 14 de abril:
Ao longo de todo o dia, a palavra golpe esteve proscrita, nos
discursos governamentais que tratavam da Venezuela, nos jornais
e nas TVs de quase todo o mundo. No Brasil, apenas a Folha de
S.Paulo a empregou, com notável descrição. No entanto, em seu
editorial daquele dia, igualou o presidente eleito aos
golpistas (seriam ambos produto do “atraso latino-
americano”), e defendeu que o afastamento de Chávez se
consumasse, desde que convocadas novas eleições. Fernando
Henrique Cardoso adotou posição idêntica. Além disso, segundo O
Globo, foi chamado por Chávez ao telefone, no dia do golpe, e
recusou-se a intermediar um contato com Bush, que poderia
interromper a quartelada.
No mundo anglo-saxônico, foi muito pior. Em companhia de seu
colega espanhol, o embaixador dos EUA em Caracas apressou-se,
nas primeiras horas do sábado, a se avistar com o golpista que
usurpara a presidência. O Departamento de Estado dos EUA
abençoou o golpe, ao considerar Chávez culpado por sua própria
queda. Em fevereiro, um funcionário do mesmo Departamento havia
vaticinado, sobre a Venezuela: “Se o presidente não consertar
as coisas logo, não terminará seu mandato”.
O jornal londrino Financial Times falseou os fatos, ao dizer
que Chávez chegou ao poder por meio de golpe militar – e
portanto merecia cair da mesma forma. O New York Times insistiu
na mentira da “renúncia” e garantiu que, graças ao golpe, “a
democracia venezuelana já não está ameaçada por um pretenso
ditador”. Acrescentou: “Washington tem forte interesse na
recuperação”. O banco de investimentos Merril Lynch lançou
comunicado intitulado “Lucrar com a transição”, no qual
exortou seus clientes a tirar proveito da “melhora do panorama
para os investimentos na Venezuela”.
Goste-se ou não de Cuba, é necessário admitir: lá o oportunismo
não derrotou a dignidade e não se criaram eufemismos para
atender às conveniências dos Estados Unidos e de seus mercados.
À tarde, o embaixador cubano denunciou, na tribuna das Nações
Unidos: “Não se pode tapar el Sol com un dedo . O presidente
Chávez está preso e incomunicável (...) Uma camarilha o
prendeu, dissolveu a Assembléia Nacional, ocupou violentamente
a televisão estatal, impôs uma tremenda censura à imprensa,
desencadeou violenta perseguição contra os partidários do
governo eleito”.
A Agencia de Informação Nacional cubana ( AIN ) é o primeiro --
e durante horas o único – lugar importante na Internet a
noticiar a retomada do Palácio Miraflores. As TVs ocidentais e
os “grandes” sites informativos silenciam até por volta das
22 horas. Talvez esperem um acontecimento extraordinário, capaz
de restaurar o script produzido para garantir o golpe.
Rosa Mirian Elizalde, uma jornalista cubana, descreve o clima
na redação do semanário Juventud Rebelde. “O diretor colocou,
junto ao televisor com a programação cubana, outro, onde
captamos a CNN em espanhol. Duas Venezuelas aparecem nas telas
(...) De um lado, dizemos, em poucas palavras, o que acontece.
Informes breves, argumentados, com fatos, com a emoção do
momento, com entrevistas telefônicas (...) À distância de um
palmo está a confusão dos apresentadores, já sem sua
tradicional assepsia, e um correspondente que diz o contrário
do que se vê nas imagens. Para a CNN, 'apenas alguns chavistas
protestam diante de Miraflores', mas a câmera capta a entrada
do palácio presidencial, coalhada de boinas vermelhas (...)
Cinco horas depois de Cuba anunciar o acontecimento, outra
câmera capta os militares bolivarianos na janela de
Miraflores”. A apresentadora de plantão rende-se enfim aos
fatos, ainda que de modo oblíquo. Visivelmente contrariada,
admite o que as imagens estão escancarando há muito: “Segundo
o que nosso correspondente sugere, ocuparam o Palácio do
Governo”...
Uma sonora gargalhada explode na redação cubana.
V. Os mentores
A grande ditadura lastima a queda de um ditador
Ilha La Orchila, fim da tarde de sábado, 13 de abril:
O golpe está sepultado nas ruas e nos quartéis, mas Chávez
continua em poder dos que o seqüestraram, na ilha de La
Orchila. Como última tentativa, os golpistas começam a executar
um plano que visa transformar em verdade a suposta “decisão”
do presidente de partir para o exílio. Os sites de notícias de
todo o mundo matraqueiam: “Chávez autorizado a deixar a
Venezuela”. Uma aeronave pousa na ilha, procedente de Caracas.
É um avião civil, cedido pelo empresário Gustavo Cisneros, dono
da Venevisión, um dos canais de TV que tentaram fabricar a
quartelada.
La Jornada narra: “um soldado pega o telefone e chama outra
base militar, alertando oficiais leais à Constituição. É
instruído a tentar impedir o vôo. Assim que desliga, o aparelho
volta a tocar. Um comandante chama o oficial responsável pela
custódia do presidente: “Escute, irmão. Você imaginou a
tragédia que pode ocorrer neste país, se vocês levarem Chávez?
Vai ser terrível. Aqui há um milhão de pessoas na rua...”
Uma tempestade de telefonemas desaba sobre La Orchila. Uma hora
secular transcorre até que se desative a operação de exílio
forçado. O ministro da Educação, Aristóbulo Isturis garante,
contudo, que um Plano B estava armado. Noutra base militar, uma
frotilha de helicópteros estava pronta para levantar vôo e
tentar um resgate, em caso extremo.
O próprio Isturis relata como transcorreram, na quinta-feira do
golpe, as horas dramáticas que antecederam a prisão de Chávez.
Quase todos os ministros estavam em Miraflores. Estimulados
pela embaixada estadunidense, pela mídia, pelo enfraquecimento
do apoio popular a Chávez, os golpistas haviam assumido o
controle das Forças Armadas. O gabinete pensou em voar para a
base aérea de Maracay e resistir dali, mas já não era possível.
Veio o ultimato: ou o presidente renunciava, ou o palácio seria
bombardeado. “Nós dissemos que bombardeassem, que não
sairíamos. Me veio à mentre o retrato de Salvador Allende”.
Chávez, contudo, pediu um momento para pensar. Voltou com a
proposta que seria executada em seguida: “Não quero que vocês
se sacrifiquem, porque há um povo lá fora que precisa de
direção. Não podemos nos suicidar, porque seria suicidar o
povo”. Para aplacar os golpistas e evitar o bombardeio, o
próprio Chávez não resistiu à prisão. Permaneceu como
presidente seqüestrado, denúncia viva do golpe. Às três e meia
da madrugada de sexta, dia 12, os golpistas o levaram e
ordenaram aos ministros que voltassem a suas casas. Muitos
deles as encontraram invadidas. Era o primeiro sinal da
brutalidade dos golpistas. Se em 24 horas foram 34
assassinatos, quantos teriam ocorrido em um ano, até o povo se
calar?
A ditadura dos mercados financeiros aplaudiu de imediato a nova
ditadura. O FMI ofereceu-lhe um empréstimo gordo. O preço do
petróleo despencou, porque uma Venezuela submissa ajudaria a
quebrar a unidade da OPEP e a garantir óleo barato para o
Ocidente. Na segunda-feira, ressaca: a restauração da
democracia provocou uma alta de mais de 4% nas cotações e uma
onda de pessimismo e sobressaltos.
É um prazer ver esta gente perder dinheiro, poder e
tranqüilidade. Outro mundo continuará sendo possível enquanto
eles não controlarem a História, enquanto houver mãos humanas
por trás dos aparelhos de fax, enquanto o poder da Internet
desafiar o poder da Internet, enquanto los negros estiverem
dispostos a cercar os palácios da mídia.
Néstor Miguel Gorojovsky
gorojovsky en arnet.com.ar
**********************************************************************
*******
Compañeros del exercito de los Andes.
...La guerra se la tenemos de hacer del modo que podamos:
sino tenemos dinero, carne y un pedazo de tabaco no nos
tiene de faltar: cuando se acaben los vestuarios, nos
vestiremos con la bayetilla que nos trabajen nuestras mugeres,
y sino andaremos en pelota como nuestros paisanos los indios:
seamos libres, y lo demás no importa nada...
Jose de San Martín, 27 de julio de 1819.
**********************************************************************
*******
Más información sobre la lista de distribución Reconquista-Popular