[R-P] Fw: [R-P] Declaraciones de Carbonetto a Página 12 el domingo 21

Ceci Vieira Jurua juruacv en montreal.com.br
Sab Abr 27 09:15:36 MDT 2002


Amigos, encaminho algumas observações com o propósito de incentivar o debate
produtivo, isto é gerador de soluções efetivas em benefício da população.

Como sabem não gosto muito intrometer-me em assuntos externos.  Apenas
quando solicitada.  Ocorre que ao ler o último artigo de Dornbush, de 24 de
abril, no La Nación, surgiu-me a idéia de que eles não querem eleições agora
para ter tempo de eleger um "Congresso sob medida".   RD diz claramente que
gostaria muito que o plano de intervenção econômica na Argentina seja
aprovado pelo Congresso !!!       Se não tivermos clareza quanto aos
fundamentos e às questões estratégicas de um projeto nacional em benefício
da população, eles farão exatamente o que estão articulando :  intervenção,
dolarização, anexação, etc, etc.

________  QUESTÕES QUE ENVIO À REFLEXÃO DE TODOS

-  Se a crise for de insuficiência de demanda, como está dito na mensagem
referida, ela pode ser resolvida por um aumento da demanda - via Governo,
famílias ou empresas - mas se - e somente se - a oferta for suficientemente
elástica para responder à expansão incitada de demanda.  Dificilmente o
mercado poderia coordenar esse tipo de decisões tendo em vista o alto grau
de participação estrangeira no sistema econômico argentino.  Seria
necessário voltar ao planejamento - ter um plano elaborado da forma mais
democrática possível, o que significa pelo menos :  a)  ter um Congresso
democrático funcionando, representativo, não atrelado ao poder econômico ;
b)  ter instituições democráticas e representativas na sociedade civil
capazes de aprovar e dar legitimidade ao plano.

-  É necessário tomar cuidado com o viés financeiro expresso na frase : há
que se iniciar aumentando a renda.  Impossível!  Renda é a tradução
monetária do produto.  Repartição de renda significa repartir produto por
intermédio da moeda e do sistema de preços.   Se a produção argentina vem
caindo há alguns anos e para este ano as previsões também são pessimistas, é
absolutamente impossível aumentar renda.  É necessário aumentar a produção,
baseada em um plano de médio e de longo prazo, a partir dos recursos reais
de que a Argentina dispôe :  mão de obra, terras, petróleo, outros insumos,
fábricas instaladas.  Essa é a tarefa urgente :  um inventário dos recursos
de produção disponíveis imediatamente.

-  Acho difícil na situação atual, pensar em recomposição de salários, mesmo
porque a hierarquia salarial não era tão justa a ponto de dever
perenizar-se.   Penso que a preocupação deve ser a de garantir a todos o
mínimo necessário à sobrevivência.  É necessário partir de um patamar
igualitário :  casa, saúde, educação, remédios, comida, quase grátis, para
que todos tenham acesso a esses produtos básicos à sobrevivência.   Mas isto
significa modificar o perfil da oferta, redirecionar a produção para esses
bens e serviços essenciais.  Em muitos casos será necessário socializar a
produção, o que é diferente de estatizar.   Essa é uma boa discussão nos
dias de hoje.

-   Não dá para aumentar salário sem aumento da produção.  Salários em moeda
nada mais é do que um equivalente de poder aquisitivo, isto é deve ser
traduzido em bens e serviços.  Aumento de salário sem aumento da oferta
significa que as mercadorias existentes irão aumentar de preço para serem
disputadas por titulares de salários aumentados !

-  Não acredito ser possível devolver o dinheiro de todos.  Esse dinheiro
foi tragado pelos bancos estrangeiros que o levaram para fora do país.   A
situação é bem mais complexa.  Na verdade o produto interno bruto da
Argentina já vinha caindo há mais tempo, só que essa queda não se traduzia
em termos monetários porque o peso estava atrelado ao dólar.  É possível que
isto já estivesse ocorrendo desde 1995.  Há várias hipóteses para a queda do
produto interno bruto.  Uma delas, que faço, é de que a renda líquida
enviada ao exterior aumentava mais rapidamente do que a produção nacional,
fazendo com que o saldo - o produto interno bruto - à disposição dos
argentinos recuasse.   Houve também uma evolução dos preços relativos que
favoreceu os estrangeiros titulares de ativos.   Havia inflação, só que não
era computada nos índices oficiais. SE refizermos os índices de inflação e
deflacionarmos o produto bruto da Argentina, é provável que sua queda tenha
se iniciado por volta de 1995.

Como resolver essa questão sem expropriar aqueles que se beneficiaram ?
Muito difícil.  Não adianta fabricar dinheiro.
Vai ser um dinheiro de "qualidade inferior".  É preciso controlar o câmbio e
os fluxos de capital da Balança de Pagamentos. Talvez ter vários níveis de
câmbio segundo a essencialidade das importações e das remessas de dinheiro.
Tudo o que o FMI não quer.

A livre flutuação - sucia - não resolverá.  Não há dólares nem euros nem
outra moeda forte, nem há créditos estrangeiros em quantidade suficiente.
Além disso para que deixar a moeda flutuar livremente ?   Para incentivar a
especulação em cima da moeda nacional.  Um dos maiores mitos - e mentiras -
do neoliberalismo é o de que "a moeda é uma mercadoria como outra qualquer
cujo valor é determinado pelos mercados" !!!

-  Talvez seja necessário renacionalizar não só YFP mas todas as empresas
estrangeiras que se negarem a colaborar com um verdadeiro "esforço de
guerra", a partir de um plano de pelo menos 10 anos.  Não acredito que as
empresas de serviços públicos possam colaborar com este plano, porque elas
estão obrigadas a gerar rendimentos, em dólares, de no mínimo 12% ao ano
para seus acionistas dos países centrais.   O benefício deles é o prejuízo
nosso.

-  PARA TERMINAR, urge pensar sobre as instituições nacionais básicas,
estratégicas, que poderiam realmente dar vida e sustentação social a um
PLANO DE REERGUIMENTO ECONÔMICO, POLÍTICO E SOCIAL.  Esta é uma alternativa
necessária ao modelo de acumulação rentista em vigor globalmente.  Dentro
desse modelo não há saída nem para a Argentina, nem para o Brasil, nem para
a Venezuela, etc, etc.   Porque ?   porque este é um modelo sugador do nosso
sangue, da nossa seiva, dos nossos frutos, inclusive humanos.

O artigo de Dornbush é absolutamente claro nos inimigos que ele considera
principais :  os funcionários públicos (segundo jornais brasileiros, o FMI
exige a demissão de mais de 300.00 funcion'rios provinciais) , a Justiça
(necessário adequar as leis ao sistema norte-americano), o Parlamento (há
que se eleger deputados que aprovem o funcionamento proposto da guilhotina,
a intervenção), o os Trabalhadores argentinos (contra os quais se pede
reformas "laborais")  !!!  Dessa vez ele foi claro, é possível entendê-lo
bem.   Em lugar de balas envenenadas, ele agora está de posse de uma efetiva
metralhadora ideológica e se julga forte o suficiente para mostrá-la a
todos.  É a política do "ou dá ou desce"  !

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Um abraço.

Ceci.











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