[R-P] ARGENTINA
Mario Jose de lima
mjlima en uol.com.br
Vie Abr 26 15:29:42 MDT 2002
POLÍTICA ECONÔMICA
Argentina vira a cobaia de laboratório do FMI
Luiz Gonzaga Belluzzo
Tratados como cobaias de laboratório, os argentinos vêem o FMI e o Tesouro
americano testarem uma nova droga para tratar os distúrbios causados pelas
políticas de abertura comercial, liberalização e desregulamentação das
finanças.
A Argentina é a cobaia dos laboratórios do FMI e do Tesouro americano, que
testam uma nova droga para tratar os distúrbios causados pelas políticas de
abertura comercial, liberalização e desregulamentação das finanças. Tais
práticas, sabe o leitor, foram recomendadas - na verdade, enfiadas goela
abaixo da clientela - pelos "cientistas" de Washington desde a década dos
80, sob o codinome de reformas estruturais. O resultado está aí: a
multiplicação de crises financeiras na periferia.
Washington aperta o cerco aos países periféricos, enquanto aumenta o poder
de barganha dos mercados. A nova orientação será ainda mais market friendly,
deixando à cargo da negociação entre devedores encalacrados e credores
gananciosos a solução dos problemas recorrentes de endividamento "excessivo"
. As CAC - Cláusulas de Ação Coletiva - devem ter a aprovação da maioria
absoluta dos credores. Dizem que esta maioria absoluta deverá ficar entre
85% e 90% dos investidores.
Isto significa que os países em dificuldades deverão limitar o saque de
recursos no FMI às regras atuais, ou seja, 300% do valor de sua quota.
Ultrapassar este limite exigirá justificativas especiais e, na prática,
entregar a administração da economia aos tecnocratas do Fundo.
O pau que canta na política, canta na economia. O "mercado" é hoje mais do
que nunca uma estrutura vertical e hierarquizada. Esta estruturação do poder
e do controle é um avanço na articulação monopolista: as instâncias
administrativas e burocráticas do capitalismo aumentam a sua força de
intervenção e persuasão sobre os mais fracos, com o propósito de abrir
caminho para a livre operação dos capitais centralizados.
Em seu movimento expansionista e de radicalização das rivalidades, essas
massas são incapazes de realizar as promessas de auto-regulação que os
economistas e a economia convencional atribuem aos mercados. O economista
Martin Shubik, especialista em teoria dos jogos, mostrou recentemente que o
capitalismo moderno não pode funcionar sem o amparo de uma construção de
fortes instituições coletivas capazes de orientar as decisões privadas.
Aviso aos navegantes: os debates e as desavenças entre visões econômicas
distintas são uma dimensão da luta política e de classes, embates ferozes
entre os que justificam o status quo e os que o pretendem ultrapassar. Isto
não será decidido, dizia Gramsci, com "grandes idéias" - refúgio do
narcisismo pequeno-burguês - mas com a formulação de estratégias e a adoção
de táticas adequadas a cada momento histórico. "A ignorância não aproveita a
ninguém", fulminou certa vez o velho Marx.
Pois os críticos do capitalismo realmente existente sabem que as sucessivas
crises na periferia e o fim do ciclo expansionista nos Estados Unidos
mostram que as "forças de mercado" não têm força para reequilibrar situações
de endividamento excessivo, causado por expectativas eufóricas dos
possuidores e controladores da riqueza. Expectativas que se auto-realizam,
até o momento da derrocada inevitável. Sem a intervenção pronta e imponente
dos bancos centrais, dos tesouros e dos organismos multilaterais, seriam
inevitáveis o crash e a contração violenta do crédito, jogando a economia
real na depressão.
Nos anos 90, as intervenções patrocinadas pela plutocracia americana, tanto
as internacionais quanto as domésticas, buscaram impedir o colapso do preço
dos ativos e preservar, assim, a riqueza financeira dos investidores. Nos
Estados Unidos, a política monetária baixou os juros e ampliou brutalmente a
liquidez, enquanto a política fiscal tratou de favorecer a grande empresa
com redução de impostos e expansão do gasto militar.
Já na Argentina, em plena depressão, a ordem é aumentar o superávit fiscal,
aumentar os juros e resolver a situação da dívida junto aos credores.
Más información sobre la lista de distribución Reconquista-Popular