[R-P] Venezuela
Mario Jose de lima
mjlima en uol.com.br
Vie Abr 26 05:20:28 MDT 2002
VENEZUELA
Órgão financiado pelo Congresso enviou em 2001 centenas de milhares de
dólares a opositores do presidente
EUA custearam grupos de oposição a Chávez
CHRISTOPHER MARQUIS
DO "THE NEW YORK TIMES"
No último ano, os EUA canalizaram centenas de milhares de dólares em doações
para grupos norte-americanos e venezuelanos que se opõem ao presidente Hugo
Chávez, incluindo o grupo sindical cujos protestos levaram ao breve
afastamento do presidente venezuelano do poder neste mês.
Os fundos foram fornecidos pelo grupo NED (Dotação Nacional para a
Democracia, na sigla em inglês), órgão sem fins lucrativos criado e
financiado pelo Congresso dos EUA. À medida que as condições na Venezuela
foram se deteriorando e que Chávez foi se chocando com diversos grupos
empresariais, sindicais e da mídia, a organização quadruplicou seu orçamento
anual destinado à Venezuela, chegando a US$ 877 mil.
Embora o objetivo expresso do grupo seja fomentar a democracia em todo o
mundo, o escritório de direitos humanos do Departamento de Estado está
estudando a possibilidade de que um ou mais dos receptores do dinheiro
tenham conspirado ativamente contra Chávez. O escritório tem uma doação de
US$ 1 milhão à organização que está suspensa até a conclusão da
investigação.
"Queremos nos assegurar de que recursos do governo norte-americano não serão
utilizados para financiar a derrubada inconstitucional do governo da
Venezuela", disse um representante do escritório, pedindo anonimato. O
porta-voz interino do Departamento de Estado, Philip Reeker, afirmou não ter
conhecimento da doação proposta.
É motivo de preocupação especial uma verba de US$ 154,4 mil dada pelo NED ao
Centro Americano de Solidariedade Sindical Internacional, o braço
internacional da AFL-CIO (a principal central sindical americana), para
ajudar a principal central sindical venezuelana a promover os direitos dos
trabalhadores no país. A CTV (Confederação dos Trabalhadores Venezuelanos)
liderou as greves que ativaram a oposição a Chávez. Seu líder, Carlos
Ortega, cooperou estreitamente com Pedro Carmona, o líder empresarial que
ocupou por dois dias a Presidência durante o golpe.
O NED também forneceu recursos significativos aos departamentos de política
externa dos partidos Republicano e Democrata para trabalhos na Venezuela.
Eles patrocinaram viagens a Washington de críticos de Chávez.
Em 12 de abril, dia do golpe, o Instituto Republicano Internacional, que
recebeu US$ 349 mil, saudou a queda de Chávez. "A população venezuelana
ergueu-se em defesa da democracia em seu país", disse o seu presidente,
George A. Folsom, em um comunicado. "Os venezuelanos foram impelidos a agir
como resultado da repressão sistemática promovida pelo governo de Chávez."
O principal responsável para a América Latina e o Caribe do NED, Chris
Sabatini, disse que as verbas de sua organização são direcionadas a projetos
específicos visando fortalecer a oposição democrática na
Venezuela -incluindo formação em civismo, jornalismo e resolução de
conflitos-, e não contribuíram para a tentativa de derrubada de Chávez.
Ele reconheceu que o NED aumentou seus gastos na Venezuela no último ano, na
medida em que Chávez e seus seguidores foram limitando a liberdade de
imprensa e procurando reprimir a crescente dissidência contra suas políticas
de esquerda. O objetivo era criar um espaço político para os adversários de
Chávez, afirmou Sabatini, e não contribuir para sua deposição.
Com orçamento anual de US$ 33 milhões, o NED todos os anos faz centenas de
doações a grupos pró-democracia em diversos países e continentes. Seus
defensores dizem que seu status independente permite que os EUA apoiem
agentes democráticos em países onde a ajuda do governo americano poderia ser
mal recebida.
Jane Riley Jacobsen, porta-voz do NED, disse que sua organização se conserva
rigorosamente independente do governo federal e evita se imiscuir em
discussões de política externa americana.
Os EUA negam acusações de que deram apoio aos golpistas. Mas o país não
condenou o golpe e disse que ele ocorreu por causa das políticas de Chávez,
cujas políticas se chocam com as posições dos EUA.
Tradução de Clara Allain
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