[R-P] SHARON

Mario Jose de lima mjlima en uol.com.br
Sab Abr 20 08:06:07 MDT 2002


FSP - São Paulo, sábado, 20 de abril de 2002

HOMEM DE PAZ
O presidente George W. Bush erra quando afirma que o premiê de Israel, Ariel
Sharon, é um homem de paz. É exatamente o contrário. Sharon é um militar de
linha dura que, sempre que teve ocasião, votou contra a paz.
Como registrou o escritor israelense Nehemia Strasler, Sharon votou contra o
tratado de paz com o Egito em 1979. Votou contra a retirada do sul do Líbano
em 1985. Fez oposição à participação israelense na conferência de paz de
Madri em 1991. Também se opôs ao acordo de Oslo, em 1993. Ele se absteve de
votar a favor da paz com a Jordânia em 94, votou contra o acordo de Hebron
em 97 e condenou a retirada das forças israelenses do sul do Líbano em 2000.
A lista de realizações militares do general não é menos sombria. Comissão do
próprio governo israelense concluiu que Sharon é responsável indireto pelos
massacres dos campos de refugiados de Sabra e Chatila, também no Líbano, em
1982. Na ocasião, Sharon permitiu que cristãos falangistas assassinassem
entre 800 e 3.000 palestinos.
E, agora, Sharon será também lembrado por Jenin. Ainda é cedo para afirmar
que houve um massacre nesse campo de refugiados, mas não resta dúvida de que
ocorreram abusos por parte das forças israelenses. No mínimo, as convenções
de Genebra foram desrespeitadas. Investigações independentes são
necessárias.
Em meio à guerra de propaganda que se trava, não é difícil para o mundo dar
crédito aos piores relatos dos palestinos. Afinal, tropas israelenses
mantiveram o campo de Jenin fechado à imprensa internacional. E mais: é o
general Sharon, com seu nada invejável currículo, quem está à frente do
governo de Israel. Isso, infelizmente, basta para emprestar verossimilhança
às acusações.
Dizer, como o fez o presidente Bush, que Sharon é um homem de paz é um
acinte tão grande que só serve para dar razão aos que vêem parcialismo dos
Estados Unidos em favor de Israel. Isso em nada contribui para os esforços
diplomáticos para levar a paz ao Oriente Médio.






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