[R-P] Jenin
Mario Jose de lima
mjlima en uol.com.br
Sab Abr 20 07:16:26 MDT 2002
19 de abril, 2002 - Publicado às 17h38 GMT
Bush aprova abertura de inquérito sobre Jenin
Palestinos afirmam que houve massacre em Jenin
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, apóia uma investigação para
descobrir o que aconteceu no campo de refugiados de Jenin, na Cisjordânia,
durante os 11 dias de ocupação israelense, onde os palestinos afirmam que
houve um massacre.
O porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, disse que Bush quer um inquérito
para esclarecer os fatos, mas ainda não informou como ele acha que a
investigação deveria ser conduzida.
Os moradores de Jenin vêm enterrando seus mortos depois da retirada das
forças israelenses, depois de duas semanas de ação militar na região.
Eles estão escavando os escombros com as próprias mãos à procura de vítimas.
Horror
Funcionários de agências internacionais de ajuda humanitária já entraram no
campo para tentar ajudar os desabrigados e as famílias a buscar
desaparecidos.
O Exército israelense, que lançou a operação para tentar conter uma série de
atentados suicidas, disse que já retirou suas tropas de Jenin e do campo de
refugiados, mas vai continuar a cercar o local para prevenir o que chamou de
"atentados terroristas".
Para os moradores, a presença permanente do Exército no território que era
controlado por palestinos significa que eles não se retiraram propriamente
da área.
O correspondente da BBC Clive Myron, que está em Jenin, disse que a área
permanece como zona militar fechada, o que dificulta a entrada de
jornalistas.
O enviado da ONU Terje Roed-Larsen - que esteve no campo de refugiados -
disse que a situação é "horrenda" e vai "além do que se pode imaginar".
Zalmon Shoval - um assessor do primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon -
respondeu às acusações enfurecido e disse que Israel está lutando por sua
própria vida.
"O senhor Larsen não tem nada a ver com o conflito e não tem nenhum direito
de nos dizer o que está certo e o que está errado.", disse ele à BBC.
Violência em Gaza
Enquanto isso, a Faixa de Gaza viveu hoje o dia mais violento do último mês,
quando nesta sexta-feira três palestinos foram mortos durante uma incursão
de tanques e soldados israelenses na cidade de Rafah, no sul da Faixa de
Gaza.
Em outros incidentes, dois palestinos foram mortos perto do assentamento
judeu de Netzarim, e um extremista suicida palestino explodiu seu próprio
carro, do lado de fora do assentamento judeu de Gush Katif, morrendo e
ferindo dois soldados israelenses.
O grupo militante Jihad Islâmica assumiu o atentado suicida cometido perto
do assentamento judeu de Gush Katif.
Foi o primeiro ataque deste tipo desde que uma mulher detonou explosivos
atados ao próprio corpo perto de um mercado em Jerusalém, na semana passada,
provocando a morte de seis pessoas.
Mais cedo, nesta sexta-feira, tanques israelenses avançaram dentro do campo
de refugiados de Rafah, na Faixa de Gaza, disparando tiros de metralhadora e
matando três homens antes de se retirar, horas mais tarde, informaram
testemunhas palestinas.
ONU
Também nesta sexta-feira, o Conselho de Segurança da ONU retomou os debates
sobre a crise no Oriente Médio.
A expectativa é que o secretário-geral da ONU volte a pedir o envio de uma
força de paz para a região.
Israel disse que até sábado o Exército deve ter completado sua retirada da
maior parte das cidades palestinas na Cisjordânia, com exceção de Ramallah e
Belém.
Os soldados vão continuar o cerco à Igreja da Natividade, em Belém, onde um
grupo de palestinos armados estão presos junto a padres e freiras há mais de
duas semanas.
O Exército também vai manter o presidente da Autoridade Nacional Palestina,
Yasser Arafat, isolado em seu quartel-general em Ramallah, onde Israel
afirma que o suspeito de assassinar um ministro israelense está escondido.
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