[R-P] Chávez

Mario Jose de lima mjlima en uol.com.br
Lun Abr 15 11:52:49 MDT 2002


15 de abril, 2002 - Publicado às 12h00 GMT
Volta de Chávez não altera postura americana

Presidente venezuelano voltou ao poder no domingo


Caio Blinder, de Nova York

A pressa é a inimiga da perfeição diplomática. Aqui, não se trata do Oriente
Médio, onde o presidente americano, George W. Bush, foi tão relutante para
intervir em meio à escalada de violência. Mas da mais próxima Venezuela.

Nas primeiras horas da sexta-feira, quando várias chancelarias
latino-americanas manifestavam desconforto com a mudança de guarda
não-democrática em Caracas, o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, foi
rápido no gatilho verbal.

A administração Bush não manifestou remorso com o golpe desfechado na
quinta-feira, embora a nova Carta Democrática da Organização dos Estados
Americanos (OEA), assinada inclusive pelos Estados Unidos, determine que
cada um dos seus países-membros se mobilize de forma assumida contra
quarteladas.

Fleischer fez observações até que pertinentes, apontando Hugo Chávez como o
grande responsável pela queda (temporária) de Hugo Chávez. A irritação
americana era de se esperar. Afinal, no círculo íntimo do presidente
venezuelano estão Fidel Castro e Saddam Hussein.

Desconfiança

Falar mal de Chávez é fácil. Este ex-pára-quedista golpista metido a Simon
Bolivar é demagogo, irresponsável e brinca com o fogo, mas foi eleito por um
povo que estava cansado do jogo corrupto das elites venezuelanas.

Difícil é aceitar que um presidente ilegítimo, cujos delírios estavam cada
vez mais acuados pela realidade, seja apeado do poder pela ordem civilizada
das coisas, ou seja, o voto.

A América Latina, que já nutre tantas suspeitas das intenções americanas,
agora pode depositar mais um voto de desconfiança em Washington.

Muitos países do continente que desprezam as piruetas de Hugo Chávez
firmaram o pé na defesa das regras democráticas. Ironicamente, até a
precária Argentina de Eduardo Duhalde mostrou algum peso.

Estes países não vão esquecer tão cedo o papel irresponsável da Casa Branca,
que saudou abertamente a folia em Caracas.

Lição

Assim que voltou ao palácio, na madrugada de domingo, Chávez estava menos
fulgurante. O presidente venezuelano disse que os tumultuados e
surpreendentes acontecimentos dos últimos dias servem de lição.

Chávez ressaltou que aprendeu com seus erros e assumiu uma postura
conciliatória. Toda vigilância é pouca.

Já em Washington, a postura insolente continuou na ordem do dia. Com o
secretário de Estado Colin, Colin Powell, atolado no Oriente Médio, a voz da
América acabou sendo Condoleezza Rice, assessora de Segurança Nacional - e
não chefe da diplomacia.

Rice aconselhou o moleque travesso Chavez a tirar proveito desta segunda
oportunidade e advertiu para que não aconteça uma caçada aos opositores.
Para Rice, "este é o momento de reconciliação nacional". O mesmo vale nas
relações dos Estados Unidos com os países ao sul do Texas.






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