[R-P] ARGENTINA
Mario Jose de lima
mjlima en uol.com.br
Mie Abr 10 07:58:23 MDT 2002
COLAPSO NA ARGENTINA
Quase 6 milhões de pessoas estão nessa condição e indigentes já representam
25,1% da população
Metade da população da capital vira "pobre"
FABRICIO VIEIRA
DE BUENOS AIRES
A pobreza já alcançou quase a metade da população da Grande Buenos Aires.
Cerca de 49% dos argentinos dessa região, a mais populosa do país, vivem
atualmente abaixo da linha de pobreza, o que representa quase 6 milhões de
pessoas. Em outubro de 2001, esse percentual era de 35%.
É o maior índice de argentinos abaixo da linha de pobreza desde 89 -o
parâmetro usado é renda de cerca de 350 pesos para um casal com um filho.
Entre outubro de 2001 e o mês passado, surgiu 1,65 milhão de novos pobres na
Grande Buenos Aires.
O levantamento, feito pela consultoria privada Sociedad de Estudios
Laborales, mostra também que o total de indigentes saltou de 12,2% da
população em outubro do ano passado para 25,1%. É considerada indigente uma
família com um casal e um filho ganhando em torno de 110 pesos.
"Até o fim de 2001, a pobreza aumentava devido principalmente ao crescimento
do desemprego. Hoje a inflação veio se somar aos fatores que têm empobrecido
a classe média", afirma Ernesto Kritz, diretor da consultoria.
No primeiro trimestre deste ano, o índice de preços ao consumidor saltou
9,7%. Mas a alta de preços no bolso dos argentinos foi muito maior. Segundo
a Sociedad de Estudios Laborales, o valor de uma cesta básica, para uma
pessoas, saltou de 61 pesos no fim de 2001 para 103 pesos neste mês.
Como é óbvio, esse dado encontra consequência no dia-a-dia. Ontem houve
novamente casos de pessoas pedindo comida em frente a supermercados em
Buenos Aires. Em pelo menos quatro pontos da periferia da cidade, grupos de
dezenas pessoas se reuniram para exigir entrega de alimentos. A polícia foi
chamada.
Além da queda de renda, as demissões seguem a todo o vapor. Só em março
foram registradas 65,5 mil demissões no país, segundo a Tendências
Econômicas.
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